52º Festival de Cinema de Brasília: equipe do filme ‘Escola sem sentido’ protesta com bocas vendadas

Equipe usou espaço de fala antes de exibição para protestar com fita preta na boca. Longa protagonizado por mulher trans também rodou no telão.

A equipe do curta-metragem “Escola sem sentido”, de Thiago Foresti, usou o espaço de fala durante a abertura da Mostra Brasília, nesta segunda-feira (25), para protestar contra a censura. Cerca de 20 pessoas que participaram do filme subiram ao palco de bocas vendadas com fita preta.

Durante aproximadamente dois minutos, a equipe permaneceu calada e foi aplaudida pela plateia (veja vídeo abaixo). Uma das mulheres no palco carregava, ainda, a bandeira Wiphala, dos povos originários andinos – que se tornou um símbolo oficial na Bolívia no primeiro mandato do presidente Evo Morales.

O filme abriu a disputa dos títulos brasilienses na 52ª edição do Festival de Cinema de Brasília, e mergulha na crise vivenciada por um professor de história acusado de “doutrinação ideológica” por pais de alunos.

Crítica direta ao projeto de lei “Escola sem partido”, o curta trata a sala de aula como espaço de liberdade de pensamento e de expressão. “É um espaço para discussão, para os alunos divergirem e entenderem o mundo. Na verdade, a proposta de uma escola sem partido é sem o partido dos outros”.

“Não existe neutralidade na educação, todo mundo tem uma base ideológica. O capitalismo mesmo é uma.”

Ao longo do filme, uma professora alemã aparece para explicar o que acontece nas cenas – como uma espécie de comentarista. “Ela quebra a quarta parede e conversa com o espectador. É uma personagem que já viveu isso e aparece pra fazer um alerta.”

Segundo o diretor, assim como o protesto desta noite, o filme é “um recado bem claro para as forças que estão no poder hoje de que nós não vamos nos calar”. Sem patrocínio governamental, o curta é mais um exemplo do cinema de resistência – como são os filmes da carioca Sabrina Fidalgo, selecionada para o festival.

“Eles podem tirar todo o nosso dinheiro, mas nunca a nossa vontade de produzir.”

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