Em Brasília, moradora do Guará que pedia doações para tratamento de câncer teria mentido sobre doença

Telma Saraiva realizava palestras sobre “autoestima contra o câncer” afirmando estar com a doença pela quarta vez. Após a suspeita de golpe, ela apagou as redes sociais e saiu de grupos de apoio

“Meu organismo já está destruído com tanta medicação. Por isso que os remédios são manipulados e devem sair todos do meu bolso. Não tenho condições de arcar”.

Isso era o que afirmava Telma Cristina Saraiva, 44 anos, moradora do Guará que pedia por doações para um tratamento de câncer que nunca precisou realizar.

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Alegando já ter sofrido um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e estar em tratamento do seu quarto câncer, a mulher pedia dinheiro, comida e roupas por meio de redes sociais e de grupos que participava. Em setembro de 2018, Telma chegou a dar uma entrevista ao Jornal de Brasília contando sobre a luta que passava. Após a suspeita de golpe, ela apagou as redes sociais e saiu de grupos de apoio.

Em setembro do ano passado, Telma entrou para uma ONG chamada Associação Vencedoras Unidas, que oferece apoio e acolhimento para mais de 300 mulheres que estão realizando tratamento contra o câncer. De acordo com uma das diretoras da organização, Lilian Kelly, 41 anos, Telma procurou o grupo quando já era conhecida por muitas pessoas pelas palestras que realizava sobre “autoestima contra o câncer”.

“No ano passado, ela participou do concurso Miss Bariátrica, onde deram para ela uma faixa de Miss Superação, porque já estava no quarto câncer e tal.Então, quando ela chegou na ONG nós já a conhecíamos de outros canais. Chegou falando que fazia quimioterapia, já estava careca até. E nós jamais iríamos questionar, até porque todas nós já tivemos câncer, sabemos a luta que é e abraçamos a causa dela, como a de todas as pacientes”, narrou.

Segundo Lilian, após o grupo conhecê-la melhor, as mulheres começaram a perceber diversas contradições nos discursos de Telma. “Ano passado fizemos um congresso de Outubro Rosa e a convidamos para expor a experiência dela. Quando foi apresentar, ela apenas leu todos os slides, foi bem sem emoção. Por mais que a pessoa seja tímida, quando se está passando por isso, ela sabe falar bem, porque é a vida dela. Mas preferimos pensar que ela estava nervosa”, disse. “Em dezembro, na comemoração de ano da ONG, a convidamos para representar essas mulheres, mas ela começou a entrar em contradição com algumas coisas. Falava que fazia quimioterapia manipulada e isso não existe, depois deu um falso nome de médico, disse que fazia tratamento em um hospital que não faz tratamento oncológico. Aí começou a cair a nossa ficha”, completou. “Ela envolveu muita gente. Fazia até participação em um programa de TV chamado Opção 10, toda terça. E quando suspeitamos dessas histórias, ela imediatamente saiu de nosso grupo de Whatsapp, apagou todas as fotos que tinha no Facebook e Instagram com a nossa ONG. Depois sumiu das redes, apagou tudo”, afirmou.

Pedidos de doações

Na entrevista que deu ao JBr. em setembro de 2018, Telma afirmou que gastava mensalmente R$ 2 mil com remédios para o tratamento que fazia. Segundo ela, desde 2014 enfrenta a doença. Primeiro, passou por um câncer de mama curado no ano seguinte. Logo após, outro nódulo surgiu na mama. Quase um ano e meio depois, a doença apareceu no intestino. E, agora, passava por um câncer no reto. Pedindo por doações, ela ainda informou os dados de sua conta bancária para quem pudesse ajudar no tratamento. Em outra reportagem do Jornal de Brasília, feita no Natal do ano passado, ela informou ainda que estava “vivendo e sorrindo, apesar de um ano difícil”.

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De acordo com Lilian Kelly, desde que Telma entrou na ONG, pessoas da instituição a ajudaram tanto financeiramente como por meio de doações de roupas e alimentos. “Ela dizia que estava desempregada com três filhos, que passava necessidade e que o ex-marido iria tirar o plano de saúde dela. Então as pessoas sentiam que precisavam ajudá-la”, afirmou. Para a representante da organização, a situação foi “uma bomba” para todas as mulheres do grupo. “A gente passa por algo terrível que é o câncer, algo que muitas nem conseguem passar, e alguém mente sobre isso. Jamais iríamos esperar algo assim”, completou.

Em fevereiro deste ano, a Associação Vencedoras Unidas registrou uma ocorrência contra Telma. A Divisão de Falsificação de Defraudação (DIFRAUDES) da Polícia Civil apura o caso. Também foi instaurado Inquérito Policial para investigar os fatos.

Ana Karolline Rodrigues – Leia mais no Jornal de Brasília – 

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