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Agefis avisa que vai recolher sucatas e revolta mecânicos do Setor O

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Dezenas de carros vendidos em leilão do Detran devem ocupar as ruas nos próximos dias

A quantidade de carros estacionados no Setor de Oficinas do Setor O, em Ceilândia, provoca tensão entre mecânicos e a Agência de Fiscalização (Agefis).

Operações têm multado aqueles que fazem a via pública de abrigo permanente dos veículos. E o volume de automóveis, alguns apenas sucata, vai aumentar nos próximos dias. É que muitos donos de oficinas participaram do último leilão do Departamento de Trânsito (Detran-DF). Eles já preveem o pior: quando o carregamento chegar, temem que o próprio Detran o recolha de volta. Segundo o departamento, no último leilão foram vendidos 697 veículos. Desses, apenas 78 têm condição de circular, e o restante é sucata.

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Apesar de colocarem os veículos em via pública, os mecânicos alegam que buscam um acordo viável para os dois lados. A Agefis, por sua vez, diz que a   fiscalização busca trazer a acessibilidade a todos os cidadãos.

João Dito, líder comunitário do Setor O, estima que existam pelo menos 50 oficinas mecânicas há mais de 30 anos. Cerca de dois mil empregos são gerados. Ali, os estabelecimentos oferecem serviços de mecânica e pintura, além da venda de peças de carros que são considerados sucatas. Muitos carros ficam no meio da pista. Ali mesmo, os funcionários fazem a retirada de peças dos veículos que não estão em circulação e negociam com os clientes.

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João Dito, líder comunitário, diz buscar uma solução para o problema no Setor O. Foto: Breno Esaki/Jornal de Brasília

Na semana passada, a Agefis esteve no endereço e notificou praticamente todas as oficinas. “Pediram para que retirassem todos os carros da rua, porque é área pública. Mas aqui é um Setor de Oficinas, os donos vão colocar onde? Não tem espaço dentro das lojas para acomodar 20, 30, 40 carros”, argumenta o líder comunitário.

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O dono de uma oficina Guilherme Akira Makishi, 35 anos, contou que uma equipe da Agência de Fiscalização alegou ter recebido denúncia de que o local era inseguro. “Mas como pode ser inseguro se estamos aqui o dia todo, trazemos movimentação e pagamos por uma segurança particular para fazer ronda?”, questiona. “É a mesma coisa que chegar a um shopping e dizer aos lojistas que não podem mais colocar roupa em vitrine. Vão vender como?”, argumenta.

Juvenal Nogueira reclama que o Estado só aparece para cobrar, nunca para ajudar. Foto: Breno Esaki/Jornal de Brasília

Situação pode complicar
No último dia 28, os comerciantes participaram do leilão do Detran para comprar sucatas e carros, de onde retiram as peças. A previsão é de que os carros cheguem até o fim desta semana, mesma data em que a Agefis voltaria ao local para retirar carros parados em via pública. “Eles sabem que esse é o nosso serviço e que aqui não é um setor residencial. É normal ter carro, a gente precisa desmanchar, mexer”, reclama o mecânico Juvenal Nogueira, de 52 anos.

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O dono de oficina alega que é uma atitude incoerente. “Querer nos multar, trazer guincho para recolher, na mesma semana que vamos receber os carros do leilão. É muita coincidência. Para mim, é roubo. É dizer ‘olha, estamos te vendendo um produto, vocês vão pagar, mas depois a gente vai aí tirar de vocês’”, critica Nogueira.

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Lucivânia Maria de Castro, 40, também tem uma oficina. Só no último leilão ela pagou R$ 42 mil por 28 carros. A loja já está lotada de motores e outras peças. “Onde vou colocar todos até retirar as peças? Estou correndo risco de perder todo esse investimento”, aponta.

Nesta semana, ela repassou cerca de 40 sucatas a cooperativas de reciclagem. “É o medo de a Agefis vir pegar. Ainda tive prejuízo”, afirma Lucivânia.

Lucivânia Maria, comerciante, comprou carros e sucatas do Detran. Foto: Breno Esaki/Jornal de Brasília

Acordo

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A solução, segundo os comerciantes ouvidos pela reportagem, seria entrar em um acordo com o governo. “Quero pedir algo que vai ter benefício coletivo, que venha nos ajudar. Com minha oficina, eu dou emprego para três pessoas, então são três famílias que têm um sustento. Eu não sei como vai ser”, ressalta Juvenal Nogueira.

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De acordo com o líder comunitário João Dito, a proposta seria dispor os carros em cima de cavaletes e posicionados em até duas fileiras. “Com as ruas largas, todos vão conseguir passar na rua sem atrapalhar ninguém e sem que eles percam o trabalho”, indica. “O governo nunca veio aqui oferecer nada. Nunca nos ajudaram a estudar um lugar onde pudéssemos guardar os carros. Estão batendo injustamente no comerciante que gera emprego e renda”, acrescenta. Conforme Dito, eles já procuraram a Agefis para marcar uma reunião, “mas dizem que não têm agenda”.

Agefis notifica oficinas por utilização de área pública no Setor O. Comerciantes reclamam por não haver local para os carros. Foto: Breno Esaki/Jornal de Brasília

Versão oficial
Em nota, a Agefis afirmou que a demanda foi um pedido do Detran e do programa Cidades Limpas. “Foram notificadas todas as sucatas que estavam em área pública por ocupação irregular e obstrução de acessibilidade nas calçadas”, alegou.

A agência disse que está aberta a ouvir os comerciantes e garantiu que a ação não busca trazer prejuízos. “O objetivo não é inviabilizar negócio local, e sim garantir a acessibilidade a todos os cidadãos”, informou, em nota.

Raphaella Sconetto
Jornal de Brasília

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