Rollemberg diz que 14,5 mil botijões devem chegar ao DF nos próximos dias

Os efeitos da crise de abastecimento gerada pela greve dos caminhoneiros estão distantes do fim. Embora o governo local afirme que não há mais rodovias obstruídas por manifestantes no Distrito Federal, as incertezas pairam sobre os consumidores e fornecedores.

O Executivo optou por dar ponto facultativo aos funcionários. Apenas serviços de emergência, como hospitais e delegacias, funcionarão amanhã. A ideia é diminuir o fluxo de carros e evitar deslocamentos. “Com isso, reduzimos consumo na cidade, dando melhores condições para que possamos voltar à normalidade na segunda-feira”, afirmou o governador Rodrigo Rollemberg.
Na Central de Abastecimento do DF (Ceasa), as repercussões podem durar até a próxima safra. Nos hospitais, adaptações foram feitas para economizar materiais e caminhões com produtos essenciais foram escoltados às pressas. No comércio, o dano estimado é de R$ 92 milhões. Nos postos, falta álcool anidro — composto necessário para a mistura da gasolina. Na tarde de ontem, três carretas com 100 mil litros do produto chegaram vindas de usinas goianas. Rodrigo Rollemberg informou que, até o fim da semana, serão 2 milhões do ácool anidro entregues, o que vai ampliar a oferta de gasolina em 10 milhões de litros.
A situação mais sensível é a do gás de cozinha. O produto chegou a esgotar nas revendas e os preços foram às alturas. O botijão, que custava de R$ 65 a R$ 89, foi encontrado pelo Procon a R$ 150 e há relatos de consumidores de cobrança de R$ 200. Segundo Rollemberg. Nos próximos dias, chegarão 14,5 mil botijões ao DF. “Estamos em contato com os fornecedores para não faltar o produto”, disse o governador.

Entretanto, segundo análise do Sindicato das Empresas Transportadoras e Revendedoras de Gás LP no DF (Sindvargas), a quantidade é insuficiente para o abastecimento, uma vez que a demanda diária no DF e no Entorno é de 20 mil botijões. “Vai continuar caótico. Quatorze mil não supre um dia de demanda, quem dirá o atraso”, comenta Cyntia Moura Santo, diretora do Sindvargas. Ela ressalta ainda que, por falta de escolta, quatro das 13 carretas previstas para chegar nos últimos dias ficaram retidas.

Medo nas estradas

O gás que abastece Brasília vem de refinarias de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo Sérgio Costa, presidente do Sindvargas, carretas estão nas estradas que ligam o Distrito Federal aos estados do Sudeste para trazer o produto. No entanto, alguns motoristas enfrentam problemas no trajeto.
“Nos últimos dois dias, três veículos foram apedrejados nos municípios mineiros de Esmeraldas e Paracatu, mesmo com o comboio do Exército. Isso criou pânico aos motoristas, que estão inseguros em continuar o trajeto”, contou.

O presidente pediu mais ajuda às forças federais.
“Nós contribuímos diretamente com a alimentação da sociedade. Além disso, hospitais, asilos, presídios e centros comerciais estão com o abastecimento comprometido. É preciso que seja montada uma estratégia para trazer essas carretas o mais rápido possível”, afirmou Costa.

Josimar Oliveira, 56 anos, é proprietário de uma revenda de gás na Candangolândia. Desde a semana passada, a loja recebeu estoques de botijões apenas duas vezes. Os produtos acabaram em menos de uma hora. “Em cada um dos dias, entregaram apenas 10 botijões. Tive problemas para atender os clientes”, disse. Quando há estoque disponível, Josimar vende os botijões a R$ 75. Segundo ele, no último sábado, 171 pessoas ligaram atrás do produto. “A procura está fora do normal. A cada cinco minutos, alguém liga aqui. Eu poderia ter faturado mais de R$ 12 mil se tivesse esse estoque”, contou.

Quem precisa do botijão lamenta a falta do produto. Carlos França, 28, teve que fechar a lanchonete na manhã de ontem, pois o gás havia acabado. “Não está fácil, e o pior de tudo é que não sei quando vou conseguir comprar os botijões. O mês está no fim, e eu tenho que pagar os meus funcionários. Se o gás demorar a chegar, como vou conseguir dinheiro para isso?”, questionou.

O Procon-DF recomenda aos consumidores que não façam estoque de produtos para evitar alta dos preços e desabastecimento generalizado. Desde sábado, os fiscais dos órgão autuaram quatro revendedoras de gás de cozinha e seis postos de combustíveis. Um posto em Taguatinga foi multado em R$ 294 mil por estar com dupla precificação. Os demais devem explicar à autarquia o motivo dos preços praticados. No entendimento do instituto, valores de gasolina acima de R$ 5 por litro e botijões acima de R$ 100 devem ser justificados.

Para tentar amenizar os preços dos combustíveis, o GDF informou ainda que vai usar como referência de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), pelos próximos 15 dias, o valor do litro dos combustíveis praticado pelos postos antes da crise de abastecimento. Um grupo da Secretaria de Fazenda faz o levantamento de preço e calcula 28% de imposto sobre essa referência encontrada no mercado.
Flávia Maia e Augusto Fernandes
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