Tráfico de drogas causa onda de crimes no Polo de Modas do Guará

Em 2017, o crime cresceu 109% na região administrativa. Adolescente foi morto na madrugada desta segunda (21).

Com alto índice de tráfico de drogas, o Polo de Modas do Guará tem uma mancha criminal que a difere do resto da cidade. Os moradores se dizem reféns da ação de criminosos, que conseguem aluguel barato e vendem entorpecentes e alucinógenos para se manter. Em 2017, o crime cresceu 109% na região administrativa e trouxe uma série de outros crimes. Na madrugada desta segunda-feira (21), um adolescente foi assassinado com facadas dos pés à cabeça em suposto acerto de contas.

Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social, 115 ocorrências de tráfico de drogas foram registradas no Guará no ano passado. Em 2016, foram 55. De acordo com Johnson Kenedy, delegado-chefe da 4ª Delegacia de Polícia, este é o maior problema do Polo de Modas, entre as quadras QEs 38 e 40. “Não podemos dizer que é a área mais violenta, mas tem uma violência que destoa do resto do Guará por conta do tráfico”, afirma.

Criado para ser um centro de desenvolvimento econômico, o espaço deveria abranger toda a cadeia industrial de vestuário, mas abriga residências e todos os segmentos do comércio. “É uma configuração diferente, com moradia muito barata. A pessoa mora, começa a traficar para se manter e arrasta uma série de outros crimes”, afirma o delegado. A delegacia é uma das líderes em prisões por tráfico e cerca de 90% dos casos resulta em condenações.

Delegado Johnson Kenedy, da 4ª DP, destaca o Polo de Modas como forte ponto de tráfico de drogas. Foto: Breno Esaki

Morte é apurada

O corpo do adolescente de 16 anos morto a facadas na Rua 11 da QE 40 amanheceu estendido no asfalto. Segundo testemunhas, uma briga teria começado a cerca de cem metros dali, e o jovem saiu cambaleando. Marcas de sangue em um carro estacionado indicam que ele tentou se apoiar antes de cair e morrer, próximo a um prédio residencial. Durante a manhã, moradores limparam as manchas com água, sabão, vassoura e rodo.

O menor era velho conhecido da polícia, somando nove passagens por atos infracionais análogos a crimes como roubo, receptação, porte de arma e tráfico de drogas. As circunstâncias e motivações do crime são apuradas. Imagens de câmeras de segurança nas redondezas podem ajudar a esclarecer o crime.

No entanto, a hipótese inicial é de que o adolescente tenha sido morto por acerto de contas por envolvimento com drogas. O local foi periciado, e o corpo, levado ao Instituto Médico Legal (IML).

Comunidade tem medo

A costureira Iracema Borges Leal, 55 anos, mora e trabalha na região há 17 anos e relata a insegurança constante de andar pela vizinhança. “Parece outro Guará. Eu não me sinto segura porque vejo que muitos crimes acontecem por aqui”, conta.

Ela reclama que há muitas distribuidoras de bebidas, bares e casas de shows na área, o que causaria muita confusão. O tráfico também é destaque: “Tem muita droga, gente vendendo e gente usando”.

Há menos de três meses, ela foi alvo de criminosos e entrou para as estatísticas. “Um homem entrou na minha loja e se passou por cliente. Ficou quase uma hora lá, até pediu água. Só saiu quando conseguiu levar meu celular”, relata a mulher.

A reclamação é colocada na conta da Polícia Militar do Distrito Federal. “Só chegam depois de acontecer o desastre”, adverte.

A costureira Iracema Borges Leal tem medo de andar nas ruas do Guará, onde vive há 17 anos. Foto: Breno Esaki/Jornal de Brasília

Manchas criminais

O policiamento ostensivo é feito pelo 4ª Batalhão de Polícia Militar do Guará. O trabalho se dá com radiopatrulhamento, Grupo Tático Operacional (Gtop), Grupamento Policial Militar GPM e complementado por militares que fazem serviço voluntário gratificado.

De acordo com major Vieira, comandante do batalhão, a corporação dribla a falta de efetivo com operações focadas em manchas criminais.

“No Polo de Modas, trabalhamos a Operação Ponto Quarenta com objetivo principal de coibir os maiores delitos, que são de roubos a transeuntes e furtos em veículos. As duas estão em queda na cidade”, assegura.

A produtividade é grande no quesito tráfico de drogas. “Os crimes violentos geralmente são atrelados ao tráfico. A QE 40 é a quadra que mais propícia, mas temos realizado prisões de vários traficantes”, garante.

As manchas criminais são identificadas graças às ocorrências criminais. Por isso, a orientação é sempre procurar a polícia para informar os casos. Além do disque-denúncia 190, o 4º BPM disponibiliza um contato de plantão ininterrupto à comunidade. O contato pode ser feito pelo número 3190-0400.

Saiba mais

Os casos de homicídio no DF reduziram 11,2% nos primeiros quatro meses do ano se comparado ao mesmo período de 2017. A queda foi de 179 para 159. No Guará, nenhum assassinato foi registrado de janeiro a abril do ano passado. Neste ano, houve ao menos uma morte nos quatro primeiros meses.

Jéssica Antunes
Jornal de Brasília

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