Caso de trans agredida em lanchonete de Taguatinga vira feminicídio

Esta é a primeira vez que a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes de Intolerância do DF vai tratar agressão contra uma transexual da mesma forma que um crime que tem uma mulher como vítima. Policiais identificaram quatro suspeitos

Polícia Civil do Distrito Federal apura as agressões contra uma mulher transexual em uma lanchonete, em Taguatinga. O crime ocorreu em 1º de março, mas só na terça-feira e tornou um inquérito. Essa é a primeira vez que um caso de agressão contra uma mulher trans será enquadrado como tentativa de feminicídio pela Delegacia Especial de Repressão aos crimes de Intolerância (Decrin) da capital.

A decisão de equiparar a agressão da estudante Jéssica de Oliveira, 28 anos, às das mulheres cis (que nasceram no corpo feminino) foi da delegada Gláucia Cristina, da Decrin. Segundo ela, é cabível dizer que Jéssica sofreu uma tentativa de feminicídio, pois os agressores se valeram da vulnerabilidade da vítima como mulher. “Ela apanhou na condição de mulher, inclusive falaram que ela deveria virar homem, então ali foi usada a peculiaridade de desvantagem de gênero”, explicou Gláucia.

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Registrado originalmente na 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Centro), o caso foi repassado à Decrin pelo caráter delicado do tema. Desde então, a equipe de investigadores da unidade especializada identificou e ouviu os quatro suspeitos da agressão. Um deles tem menos de 18 anos. Os três adultos acusados podem ser condenados a até 15 anos de prisão. O adolescente será autuado por ato infracional análogo a tentativa de feminicídio e terá o caso encaminhado à Vara da Infância e Juventude.

“Um deles disse que ia me bater até me matar. Depois eles foram para fora, mas dois voltaram e me acertaram cadeiradas”, lembra a vítima. Este não foi o primeiro episódio de violência sofrido pela estudante. Ela tem outros três registros por injúria e discriminação. Assustada com a agressão, Jéssica está com medo de sair de casa.

“A violência está ao nosso redor, ainda mais para transexuais e travestis. Estou aterrorizada. Pensei até na possibilidade de não sair mais de casa.”

As marcas das cadeiradas ainda estão visíveis pelo corpo, dois hematomas roxos e alguns arranhões nas pernas marcam o braço de Jéssica. Ainda se recuperando do susto, a estudante diz querer justiça.

“Tem muitas outras agressões que eu não registrei em boletim de ocorrência. São violências diárias, dentro de casa e na faculdade, por exemplo. Tenho medo de nunca acontecer nada com os agressores. Até a repercussão desse caso, eu já estava me acostumando a ser agredida”.

 

Hellen Leite
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