Corpo de jovem morta com 11 tiros em Alexânia será enterrado hoje

Raphaella Noviski morreu aos 16 anos, com uma saraivada de tiros, a maioria no rosto, dentro da sala de aula, por evitar um relacionamento com um vizinho.

Em uma tentativa de justificar a barbárie, Misael Pereira Olair, três anos mais velho, recorreu à rejeição. Aos investigadores disse, sem remorso, que o amor se transformou em ódio. Nutrido de tal sentimento, passou um ano planejando o fim da adolescente. Juntou R$ 2,3 mil, o suficiente para comprar um revólver calibre .32 e a munição. Decidiu agir na manhã de ontem.

Pouco depois das 7h, Misael pulou o muro de 1,5 metro de altura do Colégio Estadual 13 de Maio, onde havia estudado. Localizado em um bairro de classe média, com 400 alunos, é a segunda maior instituição de ensino de Alexânia, cidade goiana do Entorno distante 91km de Brasília. Uma escola sem histórico de violência em um município, até então, sem registros de casos graves em ambiente escolar.
Com a máscara toda branca no rosto, a arma na cintura e à procura de Raphaella, estudante do 9º ano do ensino fundamental, Misael invadiu a sala do 9º ano B, a primeira do corredor. A professora o expulsou. Sem reconhecer o jovem mascarado, ela pensou se tratar de uma brincadeira. Misael entrou na segunda sala, a do 9º ano A, quando a professora de geografia fazia a chamada e todos os estudantes estavam sentados.
Ao verem o jovem armado, cerca de 30 alunos saíram correndo. Sentada na última fila, Raphaella ficou acuada. Ao vê-la, Misael, já com a arma na mão direita, se aproximou. Sem nada dizer, a cerca de meio metro da estudante, deu seis tiros à queima-roupa, com o cano do revólver apontado para o rosto da menina. Recarregou a arma e fez mais cinco disparos, quando Raphaella agonizava. O atirador correu para os fundos da escola e pulou o muro novamente.
Do lado de fora, havia um Ford Escort à espera dele. Ao volante, um amigo, o comerciante Davi José de Souza, 49 anos. Mas ambos só conseguiram andar por 300 metros. Acionados assim que Misael foi visto armado no colégio, policiais militares cercaram a instituição. Eles abordaram e prenderam a dupla em flagrante. Não houve reação. No caminho para a delegacia, sem demonstrar remorso, Misael falou aos militares sobre a motivação do crime. Repetiu a versão em depoimento filmado à delegada Rafaela Azzi.

Velório e enterro

 O exame realizado no IML de Anápolis, para onde o corpo foi levado após perícia na escola, apontou 11 perfurações “de entrada” em Raphaella, sendo a maioria na cabeça, além de uma no tórax. Também havia marcas no antebraço e nas duas mãos da vítima, o que, segundo os legistas, caracterizava que ela tentou cobrir o rosto para se defender.

No entanto, não foi possível afirmar que a adolescente levou 11 disparos. Os responsáveis pela necropsia explicaram que um ou mais projéteis podem ter atingido mais de duas partes do corpo da menina. O laudo diz que a causa da morte foram lesões e hemorragias encefálicas, provocadas pelos tiros.

O velório de Raphaella começou às 18h30 de ontem, na igreja Assembleia de Deus Madureira, no centro de Alexânia. O enterro vai ser realizado hoje, às 10h, no Cemitério Municipal Campo da Saudade.
Ricardo Faria – Especial para o Correio
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