Vista grossa em inspeção de micro-ônibus movimentou ao menos R$ 200 mil, dizem investigadores

Vista grossa em inspeção de micro-ônibus movimentou ao menos R$ 200 mil, dizem investigadores

Operação ‘Checklist’ apura pagamento de propina para autorizar circulação de veículos sem condição de rodar. Entre problemas, investigadores citam pneus carecas e freios com defeito.

O esquema que envolvia liberação de micro-ônibus em condições irregulares na Rodoviária do Gama movimentou pelo menos R$ 200 mil em um ano, estimam a Polícia Civil e o Ministério Público do Distrito Federal. O montante teria servido para pagar dois fiscais, mas pode ser ainda maior, uma vez que os investigadores buscam a participação de mais envolvidos.

Na segunda fase da operação “Checklist”, realizada nesta quinta-feira (5), foram presas quatro pessoas: dois são fiscais da Secretaria de Mobilidade, uma é presidente de cooperativa e outro é funcionário de cooperativa, apontado como operador do esquema. Veja quem são ao final desta reportagem (confira).

Segundo o delegado Virgílio Ozelami, os fiscais faziam vista grossa e acabavam liberando veículos que não tinham condição de rodar. Entre os problemas, havia automóveis velhos demais, freios defeituosos, rampas para deficiente quebradas e pneus carecas. “Tudo isso coloca em risco os passageiros.”

 Apesar das irregularidades, os veículos recebiam autorização para circular, uma vez que aceitavam pagar propina, que custava até R$ 35 por micro-ônibus – sendo que cada cooperativa operava com cerca de 20 carros.

De acordo com o promotor Fábio Nascimento, o esquema era enraizado, havendo retaliação para quem não aceitasse participar: a fiscalização ficava mais pesada.

 “Para as cooperativas, era também muito interessante manter o maior número de carros rodando, porque aí é maior a contrapartida que elas recebem do governo”, declarou Nascimento. “Deixar o carro na oficina consertando significa menos carro rodando.”

Segundo os investigadores, os veículos que forem considerados sem condição para circular serão apreendidos. Se consideradas culpadas, as cooperativas podem perder o direito de operar no transporte público do DF.

A Secretaria de Mobilidade informou que “tem atuado no sentido de moralizar e combater todo e qualquer tipo de ilegalidade no sistema de transporte” e que, após receber denúncias sobre possíveis irregularidades, comunicou à Polícia Civil.

Gabriel Luiz, G1 DF

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