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Propina garante micro-ônibus sem condições nas ruas do DF

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Segundo investigações da Polícia Civil e do Ministério Público do DF, o esquema criminoso envolve dois servidores públicos, presos nessa quinta-feira (05), que lucraram pelo menos R$ 200 mil em um ano somente em um terminal.

A quantidade de micro-ônibus nas ruas com problemas que podem oferecer risco aos passageiros é desconhecida. Casos de irregularidades no freio, vazamento de óleo, pneus carecas e falhas no sistema de velocidade eram ignorados por fiscais após pagamento de propina.

“A propina é tão enraizada no setor dos transportes que as cooperativas já separavam dinheiro todo mês para fazer esses pagamentos”, revelou o delegado-adjunto da Divisão Especial de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap), Virgílio Ozelami. Segundo as investigações, os ônibus tinham que pagar duas vezes para que circulassem irregularmente.

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A primeira cobrança era feita para conseguir o selo de vistoria, situação que foi investigada e esclarecida pela primeira fase da Operação Cheklist, em setembro, e que levou ao afastamento de quatro servidores. Embora não haja relatos de continuação desse esquema, as apurações descobriram uma nova taxa cobrada nos terminais, de forma independente da anterior, que continuou mesmo após deflagração da investigação.

Há pelo menos um ano, cooperados de cada um dos 20 carros da Cootarde e da Coopatag pagavam mensalmente de R$ 35 a R$ 50 para que os problemas fossem novamente ignorados pelos despachantes nos terminais.

Antes pagar do que deixar de circular

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A propina era paga todas as sextas-feiras e repassada a Pedro Jorge Brasil e Cláudio Marcelo Pinheiro, servidores ligados à Semob que trabalhavam no Gama. Os dois foram presos temporariamente na manhã de ontem (05) e Pedro chegou a dizer à imprensa que sofre perseguição política.

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“Os cooperados falaram que não aguentavam mais pagar tanta propina. Eles chegavam a barganhar para diminuir as taxas cobradas pelos auditores”, disse o promotor Fábio Nascimento, da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep).

Apesar disso, seria mais interessante às cooperativas manter maior número de carros rodando. “Um ônibus que fica por uma semana na oficina faz com que a empresa arrecade menos. Gera prejuízo”, explicou. Quem não aceitava participar do esquema passava por vistorias rigorosas.

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De acordo com o delegado Virgílio Ozelami, os veículos que forem considerados sem condições para circular serão apreendidos e, se consideradas culpadas, as cooperativas podem perder o direito de operar. “É um serviço que não pode ser interrompido de uma hora para outra porque a população é dependente”, ponderou.

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Os investigadores não descartam que haja esquemas similares envolvendo outras empresas e servidores. Indícios apontam que a corrupção pode envolver fiscalização de transporte pirata.

VERSÃO OFICIAL

“Para garantir a segurança aos usuários, os veículos citados na investigação estão sendo objeto de ação fiscal por equipes da Subsecretaria de Fiscalização, Auditoria e Controle (Sufisa)”, garante a Secretaria de Mobilidade. De acordo com a pasta, será aberto um processo administrativo disciplinar para apurar as responsabilidades dos envolvidos, o que pode gerar de advertência a demissão. Novamente alvo de investigações, a Semob diz que “tem atuado no sentido de moralizar e combater todo e qualquer tipo de ilegalidade no sistema de transporte” e que colabora com as apurações.

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Jéssica Antunes
Jornal de Brasília

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