Ibaneis Rocha fala em nova política para concorrer ao governo do DF

Em busca de uma sigla que viabilize a candidatura dele ao Governo do DF, o advogado Ibaneis Rocha se coloca como uma figura sem vícios da “má política” e diz ter a intenção de “fazer uma frente em favor da cidade”.

Para isso, tem procurado políticos e partidos para propor uma aliança, com ideias plurais. Ele quer a garantia de que será o candidato da sigla que oferecer filiação e promete entrar e sair limpo de um mandato, caso consiga se eleger.

Mas, ele diz que se um dos grupos que já estão colocados conseguir construir um nome em que ele “enxergue a capacidade de administrar a cidade”, ele abre mão de concorrer. E cita Jofran Frejat e Joe Valle como possíveis bons candidatos.

Por que o senhor, advogado bem sucedido e ex-presidente da OAB-DF, decidiu agora se aventurar na política e concorrer ao Governo do DF?

Candidado ao Governo Ibaneis Rocha
Data: 19-10-2017
Foto: John Stan

Eu nasci em Brasília em 1971, morei um período no Nordeste, de onde minha família é, e voltei para cá para terminar os estudos e foi onde constituí família e tive meus dois filhos. E, em determinado momento, com determinada realização profissional, entendi que era hora de ser presidente da Ordem para dar minha contribuição à categoria e para a cidade, porque na Ordem se presta também um serviço público e tem um envolvimento com a sociedade. Isso despertou em mim uma vontade de acompanhar a cena política do Distrito Federal. Tenho notado que em Brasília não tem um debate em torno dos temas da cidade, nas eleições. Fica tudo polarizado entre grupos. A partir das duas últimas eleições, onde eu digo que elegemos o menos pior ou alguém sem debate, resolvi colocar meu nome à disposição, porque entendo que a cidade não pode continuar com essa sina. É preciso discutir os temas com a sociedade, de modo que se busque soluções para Brasília, que tem problemas seríssimos de infraestrutura, moradia, água, segurança, saúde…

O senhor não é filiado a partido político tem conversado com várias siglas e grupos. Já se decidiu por algum?

Se for do entendimento dos grupos que eu tenho conversado e é por isso que eu tenho conversado com muitos, eu quero promover uma aliança pela cidade, com condições de governabilidade. O atual governo não tem uma bancada na Câmara Legislativa, não tem bancada de deputados federais, nem no Senado, e tem dificuldades de conversar com os políticos da cidade justamente pela ausência de projetos. Eu quero construir os projetos com as pessoas que vivem aqui. Já procurei várias personalidades para entender como funciona a máquina e buscar espaço para poder colocar minhas ideias. Onde eu tiver espaço para discutir as ideias sem ter que atrelar a projetos do passado, vai ser o campo onde eu vou me instalar.

O senhor tem mantido conversas também com o ex-governador José Roberto Arruda?

Não, eu não tive ainda a oportunidade de me sentar com ele. Mas tenho conversado com algumas pessoas ligadas ao grupo dele.
O nome de Jofran Frejat está posto como principal dentro do PR. O senhor vê uma possibilidade de compor com ele?
Eu gostaria muito. É uma pessoa com uma experiência política muito válida. Com pouco mais de 80 anos, ele tem cinco mandatos de deputado federal e secretário de Saúde algumas vezes. Certamente, eu teria muito honra de estar ao lado dele numa campanha.

O senhor acha que ainda há tempo de se tornar conhecido no Distrito Federal?

Não vejo problema nisso. Temos uma vantagem muito grande aqui. Saindo do Plano Piloto, com 60 quilômetros, você está em qualquer lugar do Distrito Federal. E temos as mídias sociais, a televisão e um espaço muito grande para debater. Temos exemplos positivos nessa área. Em São Paulo, (João) Dória (PSDB) saiu com 3% nas pesquisas e ganhou em primeiro turno (a prefeitura da capital). Não estou querendo me comparar a ele, mas os instrumentos de mídia nos dão possibilidade de ficar conhecido em pouco tempo.

Aproveitando o exemplo do Dória, que ganhou a eleição com o discurso de que não era político. O senhor, que não é político profissional, pode usar bandeira semelhante a seu favor?

Dória se coloca como não político, mas passou a vida toda caminhando na política, mesmo como empresário. Então, ele é um fenômeno da política e não de fora. A população busca alguém de fora da política, que venha para as eleições com os vícios que a má política traz. A sociedade busca um nome limpo, que entre e saia limpo, que administre de forma limpa. E a isso estou me dispondo. Eu não preciso angariar recursos com a política, o que eu tenho de nome é o que eu tenho a prezar.

Nessa busca por uma sigla, tem algum critério que o senhor tem utilizado na escolha?

Tem algumas siglas que eu entendo que não conseguiram se renovar. E tem algumas que eu considero muito interessantes, a exemplo do PDT, PMDB. Agora tem partidos que estão muito atrelados ao passado e à velha política. Eu admiro alguns quadros do PT, mas estão voltados para uma política que não está dentro da modernidade que precisamos na administração, na gestão, na conversa com a população. Eu também não me filiaria ao DEM, que hoje tem características muito fortes de uma direita mais radicalizada, que não tem muita preocupação social.

O senhor considera que o apoio do Cristovam pode ser determinante para se eleger?

Cristovam, em que pese ter passado por algumas crises, continua sendo muito respeitada. Eu gostaria muito de vê-lo numa composição. Ele está numa discussão para se candidatar à Presidência da República e eu entendo que ele está numa situação de que não depende de um mandato. Ele é um idealista. E não duvido que venha a disputar a eleição à Presidência.

O grupo da direita, formado por PSDB, PR, PMDB, PTB, PP, DEM, tem ao menos quatro nomes que disputam o cargo de candidato a governador. Pode ser que o senhor seja o quinto a brigar no grupo?

Esse grupo de pessoas importantes para a política tem de avaliar o que a população busca e qual a possibilidade de uma composição mais ampla. Não tenho nada contra os nomes que já estão postos e acredito até que alguns têm mais condições de unir para buscar as soluções para a cidade. Mas eu acho que esse grupo tem de abrir um pouco mais esse leque para poder olhar para a cidade. Podem ser surpreendidos por uma candidatura que não saia desse grupo.

Como a sua por exemplo?

Tipo a minha. Acho que é possível construir com as ideias de todos eles. Mas eles têm de abrir um pouco a cabeça. Se não houver um entendimento de uma proposta para a cidade, reunindo as lideranças, corremos um grande risco de ter mais quatro anos de desastre no DF. Temos de formar uma chapa que tenha composição de ideias a favor de Brasília. Eu ouvi do Cristovam uma coisa bem interessante: não adianta pensar numa candidatura que não envolva pensamentos diversos. Temos de unir a cidade. É preciso ter a capacidade de entender que todos os partidos têm ideias boas e seja possível formular uma proposta diferente para Brasília. Não vai faltar partido para que a gente concorra. Partido não é o problema. Eu estou tentando fazer uma frente em favor da cidade.

O senhor acha que o governador Rodrigo Rollemberg tem chance de se reeleger?

Ele está isolado politicamente, tem grande rejeição, como mostram as pesquisas, comprou algumas brigas e tem pouco tempo para recompor e lançar obras. Está numa situação difícil e, daqui para a frente, vai começar a ter o contraponto, que não vem ocorrendo ainda. Eu tive uma conversa com o governador e disse que não estaria com ele em oportunidade nenhuma, exatamente por não ver nele capacidade de gerir os problemas que ele encontrou e que ele gerou.

Millena Lopes
Jornal de Brasília

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