Escassez de pediatras obriga pais a enfrentar peregrinação por hospitais

A crise na pediatria degringolou de tal forma que crianças esperam mais de oito horas para se encontrar com o médico.

O choro ininterrupto é possível ser ouvido de longe. Na porta da emergência pediátrica do Hospital Materno Infantil de Brasília (HmiB), dezenas de pais se amontoam em busca de atendimento para seus pequenos. Vários deles peregrinaram por outras unidades de saúde da rede pública e voltaram para casa sem atendimento.
A escassez de profissionais faz com que pais andem horas a  finco sem ter certeza do atendimento. Até a classificação de risco é difícil. Ontem, o Correio acompanhou o funcionamento pediátrico no HmiB e no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). A reportagem flagrou que de fato o atendimento não está acontecendo. Uma placa improvisada no HmiB alerta: “Os pacientes classificados nas cores azul e verde (casos de baixo risco) não serão atendidos”.
Médicos, enfermeiros e vigilantes confirmam que a situação não está boa. Sob a condição de não ter a identidade publicada, eles detalham o calvário da pediatria. “Tem sido recorrente pacientes graves serem mandados para casa. Uma criança chegou a convulsionar enquanto esperava atendimento”, detalha uma profissional do HmiB. Na emergência infantil do Hran, a história se repete. “Às vezes fico sem saber o que fazer”, resuma a médica.
A Secretaria de Saúde diz que os problemas estão relacionados ao deficit de pediatras. Atualmente, a rede pública conta com 579 profissionais. “De 2015 a 2017, foram admitidos 90 profissionais. Nesta semana, foi publicado edital de concurso para cargos efetivos com 72 vagas de ampla concorrência e outras 18 para pessoas com deficiência”, explica, em nota.
Otávio Oliveira
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