Corpo de ciclista da ONG Rodas da Paz é velado sob forte comoção

As últimas homenagens são prestadas entre lágrimas, aplausos e sorrisos arrancados pelas boas memórias.

A fila de bicicletas na porta da Capela 5 do Cemitério da Esperança dá tom à despedida deRaul Aragão, 23, entusiasta da bicicleta e voluntário da ONG Rodas da Paz que morreu no domingo (22) após ser atropelado na Asa Norte.

A vítima do acidente é velada com o chapéu preto e o nariz de palhaço que ele sempre usava. Entre os muitos amigos, ele é apontado como uma pessoa boa, bem humorada e que queria menos velocidade e mais ciclista nas ruas do Distrito Federal. Segundo a família, Raul deve ser cremado. Uma monja presta homenagens e conduz o ritual com incensos.

“O Raul é um ser luminoso que inspirou a todos. Não é a toa que toda essa meninada esteja aqui para homenageá-lo”, afirmou o pai, Helder Rocha. A despedida budista foi escolhida por ter um tom mais otimista. “Acho que ninguém quer morrer por causa nenhuma, mas se é nosso destino, que a vida sirva para isso”, detalhou.

“Ele estava sempre com a bicicleta a tira colo e brilhava, literalmente, com a roupa refletora que sempre utilizava”, conta Maria Juliana, estudante de 21 anos. Mas Raul não era apenas bike, ressalta Alice de Castro. A jovem, de 21 anos, estudante de Artes, o via com carinho. “Frequentava a minha casa toda semana. Apaixonado por jogo de tabuleiro, ficava bravo quando eu ganhava. Estava comigo nos momentos bons e ruins”, diz.

Após o velório, o corpo de Raul será levado a Valparaíso, na Região Metropolitana do DF, onde será cremado.

Protesto

A ONG Rodas da Paz marcou uma bicicletada nacional em homenagem a Raul Aragão. Além do DF, participantes de Recife, Salvador e Porto Alegre confirmaram presença. O local de concentração ainda será definido. Além disso, a ONG estuda colocar uma “ghost bike” no local do acidente.

Mortes no trânsito

De acordo com o Departamento de Trânsito (Detran-DF), Brasília vive um 2017 bem menos violento, em relação ao ano passado. Até setembro o órgão registrou 59 pedestres mortos, contra 130 de 2016.

A cidade também vive um momento melhor na quantidade de vítimas mortas em acidentes de trânsito. Segundo o departamento, colisões, capotamentos e afins levaram 188 pessoas a óbito até setembro deste ano, contra 296 em 2016, considerando o mesmo período.

Jessica Antunes
Jornal de Brasília

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