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Morte em delegacia: depoimentos sobre “gravata” dada em motorista preso divergem

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As primeiras testemunhas do caso do motorista Luís Cláudio Rodrigues Figueiredo, encontrado morto dentro de uma delegacia há uma semana, começaram a ser ouvidas ontem, na Corregedoria da Polícia Civil. Entre elas, segundo a família de Luís, está um homem que confirmou ter visto um escrivão dar um golpe conhecido como “gravata” no detido.

De acordo com o advogado da família do motorista, Paulo César Machado Feitosa, a oitiva foi convocada com base em nomes que constam no boletim de ocorrência. Um dos interrogados é um parente de Luis, que se apresenta apenas como “compadre” dele, e não teve o nome revelado pela defesa.

Ainda de acordo com o advogado da família, no dia do incidente, a testemunha, logo após saber que Luis Cláudio teria se envolvido em uma confusão com um policial militar, foi à delegacia para ajudar o parente. “Ele foi à 35ª primeiro, por volta das 15h20, e lá informaram que não tinha nenhum Luis Cláudio. Aí ele foi correndo pra 13ª. Chegando lá, eles confirmaram que o Luis estava”, detalha.

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Ao chegar ao balcão da delegacia, a testemunha teria perguntado sobre Luís e se poderia vê-lo. Porém, os policiais não autorizaram. “[A testemunha] não conseguiu ver nem ouvir o Luís Cláudio”, relata Feitosa.

Trecho contestado

“Um fato importante que uma testemunha veio dizer é que ela viu o policial militar – que abordou o motorista – dizendo para a família que o escrivão da delegacia tinha dado uma ‘gravatada’ no Luís e jogado ele longe. O sargento disse ainda que o policial era alto e forte”, conta o advogado, que confirmou o porte físico do escrivão. Entretanto, na quarta-feira passada, o Jornal de Brasília entrou em contato com o militar em questão e ele negou participação no diálogo apontado.

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Além desse assunto, o policial da Rotam teria também conversado com os familiares alegando que a batida do carro foi pequena e que ele mesmo faria o conserto do veículo. Esse trecho, sim, o PM confirmou ao JBr..”A testemunha viu o sargento mostrando o carro para a família, que insistiu em pagar pelo dano”, diz Feitosa.

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Questionada sobre os depoimentos de ontem, a assessoria de comunicação da Polícia Civil não repassou nenhuma informação, alegando que todo o processo da Corregedoria corre em sigilo.

Saiba mais

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No dia 14 deste mês, Luís Cláudio Rodrigues foi encontrado morto dentro de uma cela na 13ª DP (Sobradinho). Ele havia sido detido horas antes, após ser flagrado dirigindo embriagado e se envolver em uma colisão na rua onde morava. Na ocasião, Luís encostou em um GM Cobalt preto, veículo que pertence a um sargento da Rotam. O militar, então, acionou uma equipe e encaminhou o motorista à delegacia. Horas depois, ele apareceu morto.

Preliminarmente, a Polícia Civil afirmou que os peritos não detectaram nenhuma lesão no corpo de Luís e afirmou que se tratava de um caso de suicídio. No entanto, imagens do motorista morto indicam a existência de hematomas.

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Manuela Rolim e Raphaella Sconetto
Jornal de Brasília

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