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UTI do HMIB fecha por risco de contaminação após mortes de bebês

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Mães e pais levaram um susto no Hospital Materno-Infantil (Hmib).

Ontem, a Secretaria de Saúde anunciou que a UTI Neonatal seria fechada momentaneamente devido à morte de um bebê por suspeita de infecção de uma bactéria multirresistente. Além desse caso, há a possibilidade de que outros dois recém-nascidos tenham falecido pela bactéria nos últimos cinco dias. Os partos sem urgência estão suspensos e transferidos para outros hospitais da rede. Os atendimentos pediátricos ou de gestantes em estágio inicial estão ocorrendo normalmente.

João Vitor, 19, se surpreendeu com a situação. Ele, que estava animado em relação à paternidade, primeiro foi avisado de que não haveria médico para fazer o parto e que seria preciso ir a outro hospital. Depois, descobriu-se a possível contaminação da bactéria multirresistente – do gênero Serratia – e o fechamento da unidade.

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A esposa, Juliane, 18, foi transferida para o Hospital do Paranoá no meio da tarde de ontem. João afirma que a demora foi grande para que eles fossem avisados. O local estava cheio. Até o fechamento desta edição, o bebê de Victor não tinha nascido, apesar de a bolsa ter estourado na manhã de ontem.

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Já uma grávida de nove meses, que não quis se identificar, explicou que chegou ao hospital após a bolsa ter estourado, mas foi informada de que precisaria ir ao Paranoá para receber atendimento. Uma ambulância da secretaria a transportou depois das 16h. Ela procurou o Hmib pois fez tratamento neonatal ali e não sabia da situação da bactéria.

De acordo com a subsecretária de Atenção à Saúde, Martha Vieira, ainda não houve a confirmação se os óbitos ocorreram em decorrência da bactéria. O micro-organismo é agressivo para bebês e pessoas com deficiência imunológica, pois pode causar infecções graves.

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A bactéria Serratia foi encontrada no exame de um dos bebês falecidos, o que levou a secretaria a examinar a todos os que morreram. Cerca de 30 bebês que tiveram contato com os falecidos foram colocados em uma espécie de quarentena. Há uma equipe médica que ficará somente em contato com eles e que precisa, obrigatoriamente, utilizar capote, gorro e luvas. Esses aparatos precisam ser eliminados após o contato com o paciente.

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Além do isolamento, a secretaria cancelou os partos na unidade. Eles não ocorrem desde ontem. A transferência foi para os hospitais do Paranoá, da Asa Norte e de Samambaia, nos casos de baixo risco, e para o HUB e Hospital de Taguatinga em casos especiais. A secretaria não elimina a possibilidade de haver partos em situação grave ou internação de crianças que precisem de cirurgia com urgência e eventualmente usem a UTI.

Recém-nascidos isolados

A separação dos pacientes que tiveram contato com os mortos continua até que saiam os resultados do exame de colonização – feito por meio da pele para saber se a bactéria está presente –, o que deve ocorrer na segunda-feira. Também é feito um exame de sangue naqueles que apresentem a infecção.

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A subsecretária Martha Vieira explica que, mesmo que não haja a confirmação imediata, é necessário tratar os pacientes como se a doença existisse, para impedir, em caso positivo, a disseminação. Ela entende que os problemas que o Hmib teve nos últimos tempos, como a falta de caldeira, não tem relação com a contaminação.

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“A bactéria é gerada em hospitais. Esses eventos causam transtorno, mas o fato de trazer algo de fora não aumenta a presença das multirresistentes. Essa bactéria não veio de casa”, afirma.

Martha chama a atenção para o fato de que a bactéria multirresistente é diferente da popularmente chamada “superbactéria”. A primeira é resistente a alguns antibióticos, mas é possível combatê-la com os medicamentos e ações corretas. A segunda é mais agressiva e mais difícil de ser eliminada.

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A subsecretária garante que a pasta tem o medicamento necessário para o combate e que ele será usado para os bebês em isolamento, ou para aqueles que apresentarem algum tipo de infecção grave.

O Hmib manterá dois médicos de plantão para o atendimento de gestantes que precisem de cuidados. A presença dos pais será permitida mesmo para os bebês no isolamento, já que, segundo a secretaria, o contato com a mãe é importante para que a criança crie resistência a certas bactérias do ambiente hospitalar.

João Paulo Mariano
Especial para o Jornal de Brasília

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