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Entusiasmo dos blocos de rua não chegou aos hotéis e ao comércio

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A empolgação do Carnaval de rua não contagiou o comércio e a hotelaria do Distrito Federal.

A reportagem do Jornal de Brasília ouviu dez hotéis brasilienses, dos quais oito tiveram a expectativa de hóspedes frustrada. A festa também não embalou as vendas na Feira da Torre nem o movimento em vários bares da capital.

Gestora de negócios do San Marco Hotel, Maria de Jesus esperava a ocupação de 40% dos 256 quartos disponíveis. Ao final da festa, teve 30 unidades preenchidas. “Brasília precisa de uma política pública rigorosa para chamar a atenção dos turistas”, sugere.

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Segundo ela, governo e setor produtivo devem fomentar campanhas de valorização de temas importantes do DF, a exemplos do turismo cívico e ambiental, sem praticar preços exorbitantes.

As duas unidades do Windsor Plaza, nas asas Sul e Norte, não registraram aumento nas hospedagens. O movimento desanimador também foi registrado no Aristus e no Bittar Inn. O Gran Mercure e o Mercure lançaram diárias promocionais, mas a estratégia não surtiu efeito. O Meliá Brasil 21 fez parceira com uma das maiores festas fechadas de Carnaval da cidade, oferecendo 60% de desconto nos ingressos para os hóspedes. Não deu certo. Segundo funcionários, menos de 20% dos 262 leitos foram preenchidos.

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Mas a folia animou outros hotéis. O Brasil 21 Convention Suítes registrou ocupação de 40% dos quartos nos primeiros dias do Carnaval. O movimento no Garvey também foi positivo. Conforme o relato de funcionários, grande parte dos hóspedes veio de Goiás.

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Caixa vazio

Para quem trabalha na Feira da Torre, a folia passou longe do caixa. “Tinha de haver um investimento das festas e eventos na Torre e aqui na feira mesmo, para atrair o público para cá no feriado”, propõe o estagiário Luan Victor.

A insegurança também é uma barreira. As vendedoras Suelma Ramos e Fátima Roque viram ontem duas mulheres correrem do local com medo de ladrões. “A polícia saiu atrás deles. Mas o policiamento não é toda hora”, contam.

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O movimento no bar Libanus, na 206 Sul, sofreu um pouco por causa das chuvas, mas registrou a vinda do público tradicional no decorrer do feriado. “Aqui a gente recebeu o público que já é nosso. Não percebi turistas. Quando não chove estamos indo bem”, relata a gerente do bar, Hevila Marinho.

O turismo cívico também deu o tom da folia. O coordenador de manutenção Luis Antônio Mendes, 41 anos, veio com a família de João Pinheiro (MG) para visitar os pontos turísticos da capital. “Nos estados só falam mal de Brasília. Já vim três vezes para cá e queria mostrar para minha família que não é bem assim. Brasília é o coração de tudo”, comenta Mendes. Encantados com a arquitetura do Senado, os filhos aprovaram a visita.

Morador de Soledade (RS), o músico Luiz Moraes, 68 anos, também quis desmistificar a capital para a filha Heloiza Moraes, 15. A viagem valeu a pena. Heloiza ficou maravilhada com a arquitetura, a cultura e o estilo de vida brasilienses. “ Sentimos falta da abertura de alguns monumentos. Queríamos entrar na Catedral e no Estádio Mané Garrincha”, confessam. Aberto ao público, o Congresso, por exemplo, recebeu mais de 3,5 mil visitantes entre sábado e a manhã de ontem.

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É esperar para ver

Segundo o secretário-adjunto de Turismo, Jaime Recena, a expectativa do GDF é fechar o Carnaval com 2 milhões de foliões, contra 1,5 milhão no ano passado. Sobre o número de turistas e o desempenho da hotelaria, os números oficiais só estarão consolidados amanhã. “Mas já temos relatos de hotéis com 50% de ocupação. Brasília está se consolidando como uma opção de viagens e depende de um trabalho crescente”, argumenta.

Neste ano, o GDF incentivou tarifas mais atrativas e fez propaganda desde janeiro nos principais municípios no raio de 700 quilômetros do DF. Com mais de 450 atendimentos, as Centrais de Atendimento ao Turista registraram moradores de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e da China.

Francisco Dutra

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