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Defesa Civil conclui que circo funcionou sem autorização

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A Defesa Civil concluiu a vistoria nos destroços do circo Krhonos após desabamento durante um temporal. Constatou-se que a trupe não tinha autorização para receber ninguém antes do alvará, mas, na mesma tarde do incidente, cerca de 200 crianças participaram de comemorações sobre o Dia do Circo.

Um adolescente de 17 anos, funcionário do circo, morreu após ferragens caírem sobre ele quando a estrutura, que apresentava problemas, não suportou a força da tempestade.

“O circo não poderia fazer nada enquanto não tivesse alvará. Só se pode colocar gente ali quando houver segurança garantida. Se o vento forte tivesse ocorrido no momento em que as crianças estavam lá, a tragédia poderia ter sido maior”, alerta o subsecretário de Proteção e Defesa Civil, coronel Sérgio Bezerra. Ele destaca que os ventos foram fortes, entre 90km/h e 100km/h, mas nada teria ocorrido se a fixação estivesse correta.

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O órgão foi ao local duas vezes antes do incidente. A primeira na sexta-feira e a outra na segunda-feira, dia do incidente, por volta das 14h. O coronel afirma que nas duas situações foram encontrados problemas, e por isso não foi expedida a licença. Havia problemas na parte elétrica, pois o gerador tinha fios fora do lugar e não estava bem isolado. Além disso, a principal situação, e que pode ter levado à queda da estrutura, foi a falta de aterramento do esqueleto.

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Para a lona ter sustentação, é preciso que as colunas estejam bem fincadas a terra. Isso é feito pela sapata, que funciona como um pé, dando equilíbrio. As sapatas têm seis furos para que sejam colocados pinos que ajudam na fixação. Nas quatro colunas do circo, segundo a Defesa Civil, havia apenas dois pinos, o que prejudica a estabilidade. Assim, a estrutura não teve sustentação suficiente.

“Essas lonas são feitas para suportar ventos de aproximadamente 120 km/h. Houve quebra de galhos na proximidade. Assim, sabe- se que foi uma ação muito forte, mas a lona resistiu. Ela só rasgou quando a estrutura caiu. Por isso, o problema foi a falta de fixação”, complementa Bezerra.

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O local segue interditado e sem condições de ser utilizado. A estrutura precisa ser desmontada, pois foi permanentemente danificada.

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Trupe faria modificações até sexta

Weyne Bispo da Costa completaria 18 anos em maio e seguia o circo desde Anápolis (GO) trabalhando em serviços gerais. O Corpo de Bombeiros tentou reanimá-lo por mais de meia hora. A suspeita é de que tenha ocorrido trauma no pescoço devido à queda da estrutura de metal. Outro funcionário que estava no local saiu ileso. Como a família é de Goiânia, a vítima deve ser enterrada na capital goiana.

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Para o diretor do Circo Khronos, Luciano Rangel, a força dos ventos foi muito grande, o que é perceptível pelas árvores quebradas. Ele explica que a Defesa Civil pediu duas modificações antes do alvará: o conserto de uma mangueira de água e a fixação de dois pontos no aterramento. As providências seriam tomadas antes da estreia oficial, prevista para esta sexta-feira.

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Sobre o evento com as crianças no mesmo dia da tragédia, ele diz que “não tem costume de fazer isso”. “Só levam gente quando está tudo certo. Ontem (segunda), como era Dia do Circo, foi um dia atípico”. Rangel considera uma fatalidade, já que o circo nunca teve problemas em seis anos de existência. O Khronos já passou por diversas cidades do DF e, segundo ele, com essa mesma estrutura há pelo menos dois anos e meio.

Ele prestou depoimento à Polícia Civil, que vai continuar as investigações. A desmontagem ocorrerá após todas as vistorias. Rangel não fala em prejuízos e diz que a hora é dar apoio à família do rapaz.

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João Paulo Mariano
Jornal de Brasília

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