O sócio da TM Medical, Micael Bezerra Alves, fazia as vendas e pagava a propina

As três delações premiadas de funcionárias da empresa TM Medical evidenciam que os médicos participantes do esquema recebiam propinas entre 15% e 30% sobre o valor dos produtos vendidos.

No depoimento de Rosângela Silva de Sousa, por exemplo, ela afirma que “ouviu sim na empresa que os médicos recebiam porcentagem que variava de 15% a 30%.”. Ela contou também que na TM Medical os pagamentos ficavam centralizados no sócio Micael Bezerra Alves.

Ainda segundo a delação de Rosângela, quando o médico Juliano Almeida e Silva terminava uma cirurgia ela já olhava para ela e dizia: “Olha Rô, você já pode ligar para o Micael e falar para ele vir”. Rosângela participava das cirurgias como instrumentista. De acordo com ela, na documentação da TM Medical, a Mariza Aparecida Rezende Martins e o Micael são os sócios, entretanto, Johnny Wesley ficava sempre na empresa. “(…) ele informava que era o setor jurídico da empresa, mas os colaboradores observavam que era ele quem dava os comandos dentro da empresa”. Assim, era ele quem aprovava ou não a aquisição de materiais pela TM, bem como a utilização do material para os procedimentos cirúrgicos.

No depoimento de Rosângela, ela conta que Micael e Johnny Wesley trabalhavam lado a lado e que próximos a eles ficavam os cotadores. Esses representantes comerciais faziam os contatos com os planos de saúde e com os hospitais. Entretanto, as decisões sobre o valor do material, a quantia do final do contrato, a renegociação quando o plano de saúde não aceitava o valor repassado, cabiam ao Johnny. “(…) era abertamente auxiliado pelo Dr. Johnny ali naquele local mesmo, outras vezes iam lá fora para conversar, o fato é que as coisas aconteciam rápido e sem exposição de detalhes”.

No depoimento da funcionária Sammer Oliveira Santos, ela explica que existia uma hierarquia na operação da TM. Os médicos com maior demanda de compra de produtos ficavam aos cuidados de Micael. Era Micael que fazia o maior volume de vendas, em seguida, era ela.

A representante comercial da TM Danielle Beserra de Oliveira também narra como se dava o pagamento da propina. Segundo ela, alguns médicos como Henry Greidinger Campos gostavam de receber o dinheiro na hora que acabava o procedimento cirúrgico. Além disso,  sempre exigia a presença do Micael nas cirurgias. Segundo ela, essa exigência pode “estar relacionada com esse repasse de dinheiro”.

Delações

A Justiça do Distrito Federal homologou as delações premiadas de Sammer Oliveira Santos, Danielle Beserra de Oliveira e Rosângela Silva de Sousa no processo da Operação Mister Hyde, deflagrada em setembro do ano passado. As três trabalhavam na TM Medical – principal empresa envolvida no esquema criminoso – e são rés na denúncia oferecida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O acordo de colaboração premiada foi assinado no fim de janeiro desde ano e homologado esta semana pelo juiz responsável pelo caso, Paulo Marques da Silva.

Com base na primeira denúncia do MPDFT, 19 envolvidos foram indiciados, sendo oito médicos. Dos acusados, três continuam presos preventivamente: Johnny Wesley Gonçalves Martins, Micael Bezerra Alves e Antônio Márcio Catingueiro Cruz.

Por Flávia Maia e Paula Pires, especial para o Correio

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