Carnaval da inclusão: bloco garante mais espaço para adultos e crianças com deficiência

A inclusão também vai dar as caras no mês do Carnaval. A festa popular em Brasília terá mais um espaço para reunir pessoas de todas as idades e condições.

O Bloquinho Bom para Todos ocorre no Lago Norte no próximo sábado com a proposta de ser um lugar amigável para crianças, adolescentes e adultos com deficiência. Mas isso não significa que os demais não terão espaço.

O trabalho de acompanhamento com crianças e adolescentes fez com que os psicólogos Carolina Passos e Paolo Rietveld tivessem a ideia de criar uma festa preparada para as diferentes necessidades. Quem tem autismo e síndrome de Down, por exemplo, terá um ambiente com menos barulhos incômodos. Estão vetados cornetas, apitos e lança confetes por serem itens que podem causar irritabilidade. E quem ficar um pouco mais incomodado com o barulho terá um espaço afastado da banda.

Fora isso, a dinâmica será parecida com outros blocos destinados ao público infantil. Haverá decoração, brinquedos e atividades preparadas para as crianças. Essa é uma das maiores expectativas. “Esperamos que seja um espaço para integrar também crianças sem nenhum tipo de diagnóstico similar. Será uma forma de mostrar que a pessoa com deficiência é capaz de se divertir e se integrar à sociedade”, explicou Carolina Passos.

Para uma maior integração, os organizadores chamaram o público para participar da preparação. Eles se reuniram ontem para deixar tudo nos conformes para a festa. “Sem eles aqui inseridos nos preparativos, não seria uma inclusão completa. Gostaríamos que eles se sentissem parte da festa”, acrescentou Paolo Rietveld. Dito e feito: as famílias compareceram e as piñatas e as bandeirolas começaram a ser fabricadas.

A iniciativa de promover esse tipo de integração começou a partir da percepção dos psicólogos sobre os melhores resultados fora do consultório. “Ficou claro que eles tinham melhores resultados quando interagiam com outras pessoas”, disse Carolina. E a partir daí, a ideia foi proporcionar mais atividades onde houvesse contato com pessoas fora do círculo familiar.

Pais e filhos participam do trabalho

Com a contribuição das famílias e divulgação na internet, Carolina e Paolo conseguiram reunir interessados e a ideia saiu do papel. A servidora pública aposentada Loudes Lima recebeu o banner do evento pelo WhatsApp e aceitou o convite na hora. Ela e filha Lia, de 11 anos, que tem síndrome de Down, puseram a mão na massa e pretendem ir para o bloquinho.

“Temos muita dificuldade. As pessoas acham que a acessibilidade é só para cadeirantes ou surdos. Poucas pessoas e lugares estão preparados para lidar com crianças com síndrome de Down. É difícil que as pessoas com deficiência intelectual se integrem totalmente à sociedade, porque ainda há uma barreira”, avaliou Lourdes.

Ter um espaço que agregue pessoas diferentes é uma grande conquista, segundo Lourdes. “Vai ser um lugar onde não vai ter aquele olhar diferente, de gente procurando um defeito. Ninguém vai se importar como o outro está dançando. E o melhor de tudo, se divertindo junto com gente de todos os tipos. Isso sim é inclusão”, resumiu.

Daniel Cardozo
Especial para o Jornal de Brasília

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