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Residência Oficial do Governador gasta volume de água equivalente a uma escola de grande porte

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Em tempos de racionamento na cidade, especialistas apontam a necessidade de mais transparência e mudança de estratégia do GDF.

O gasto de água na Residência Oficial do Governador, em Águas Claras, poderia abastecer uma escola de grande porte e mais 18 casas por pelo menos um ano. Como agravante, Rodrigo Rollemberg não mora no local e apenas 22 funcionários trabalham no terreno de 60 hectares, em frente à Estrada Parque Taguatinga (EPTG).

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  • Dos 22 funcionários da Residência Oficial, dois deles são militares, e os demais, civis.
  • Eles estão lotados na Residência, conforme publicação no Diário Oficial, mas, como a demanda naquela unidade é baixa, eles também se deslocam para o Palácio do Buriti.
  • Conforme a Casa Militar, as secretarias de Estado também utilizam as dependências da Residência para algumas reuniões.
  • Isso geraria economia, pois suprimiria a necessidade de locação de espaços e equipamentos eletrônicos.

A denúncia partiu da rádio CBN e o Jornal de Brasília apurou que a Residência Oficial consumiu quase 9 milhões de litros de água em 2016. Como comparação, o Centro de Ensino Elefante Branco (Cemeb), uma das maiores escolas públicas do DF, com 1,5 mil estudantes matriculados no último ano, gastou 2,2 milhões de litros a menos no mesmo período. A Caesb estima que uma família utilize cerca de 120 mil litros por ano – portanto, apenas com a diferença de consumo entre Residência e Cemeb, 18 casas poderiam ser abastecidas.

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O especialista em gestão pública José Matias-Pereira alerta que o posicionamento do Governo de Brasília quanto aos próprios gastos pode agravar a insatisfação da população. “Agora, é fundamental que haja uma ampla comunicação com a sociedade. O GDF precisa sinalizar que está disposto a enfrentar o problema, assumindo a responsabilidade e mostrando as contas. Não dá para colocar a culpa em São Pedro”, critica.

Redução

O chefe da Casa Militar do DF, coronel Ribas, explica que o gasto no lugar pouco frequentado se deve ao tamanho do terreno. “É uma área gigantesca, com muitas estruturas que precisam ser limpadas diariamente”, justifica. Ele garante, porém, que nos últimos dois anos o uso da água foi reduzido em 22%. “Nossa meta em 2017 é diminuir para 5 mil m³ (equivalente a 5 milhões de litros)”, assegura.

Segundo Ribas, em 2014 a Residência consumiu 18 milhões de litros e houve esforços para reduzir esse número. Em 2015, baixou para 11,5 milhões e, em 2016, 8,9 milhões. “Quando chegamos, lavava-se tudo todo dia. O lago era limpo sempre. Tiravam-se as carpas em baldes cheios d’água. Agora, passamos pano. O lago não se lava mais com tanta frequência, mas ainda está próprio para elas viverem ali”, exemplifica. Outras economias envolveram maior espaçamento na rega das plantas e na modernização do sistema de tubulação.

O coronel garante que fechar a o local não resolveria a questão. Portanto, a alternativa foi dar outra finalidade ao terreno, utilizado por Rollemberg apenas em algumas reuniões oficiais. “Abrimos as portas e as pessoas podem visitar e percorrer as instalações. Temos exposições de arte e outras coisas que as pessoas podem ver”, expõe ele, ressaltando ter sido uma solução pensada pela primeira-dama, Márcia Rollemberg.

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“Não há dúvidas de que o governo, seja ele local ou federal, precisa dar exemplo e ter mais transparência quanto aos gastos”, aponta Demetrios Christofidis, especialista em gestão ambiental e recursos hídricos da Universidade de Brasília (UnB). No entanto, para ele, a culpa da crise atual é compartilhada. “Não cultivamos a cultura da economia de água. Essa educação faz muita falta. Temos que apostar pesado em campanhas que chamem atenção para o tema”, pondera.

Ele também critica a solução adotada pela Caesb de fazer o racionamento em rodízio. “Quando o sistema perde pressão, águas de qualidade duvidosa podem se misturar com a que é distribuída. Com isso, o risco de disseminação de doenças é elevado”, explica. “Água parada também é um perigo. Ao encher os baldes, as pessoas estão gastando uma quantidade maior do que deveriam naquele dia”, acrescenta.

Eric Zambon e Manuela Rolim
Jornal de Brasília

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