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Insatisfeitos, professores da rede pública ameaçam parar em fevereiro

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Falta de estrutura nas escolas e formação inicial defasada são alguns dos fatores que prejudicam o desempenho em sala de aula

A insatisfação dos professores com questões salariais e melhores condições de trabalho, que ficou latente em 2016, pode ressurgir com ainda mais força nos primeiros dias do ano letivo de 2017. A categoria organiza um movimento grevista para fevereiro, em razão da falta de um posicionamento do governo sobre a data do pagamento dos reajustes. Na última reportagem da série sobre as perspectivas da educação para 2017, o Correio mostra os desafios que os docentes, em especial na rede pública, devem enfrentar este ano.
Segundo Vilmara Pereira do Carmo, uma das diretoras do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), mesmo com a greve feita no ano passado, o GDF não cumpriu com a última etapa do pagamento do plano de carreira da categoria. “Alegaram que não tinham orçamento”, explica Vilmara. De acordo com a professora, esse plano de carreira não acompanhava nem a inflação de 2015, e, em 2016, não houve reajuste. “Com isso, há uma perda real dos nossos salários de 10% a 12%, o que compromete muito a receita dos professores. Houve uma queda do padrão de vida e a tendência é cair ainda mais”, critica.
Em setembro do ano passado, os professores ameaçaram deflagrar greve geral para reivindicar o pagamento do reajuste. A categoria ingressa ganhando quase R$ 5 mil para a jornada de 40 horas semanais e a média fica entre R$ 6 mil e R$ 7 mil devido aos benefícios. “Solicitamos uma pesquisa ao Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e, das 33 categorias do governo, estamos no 28º lugar. Comparado ao Brasil, pode parecer um salário bom, mas, para o DF, está muito aquém do que deveria”, afirma.
Quanto à estrutura que os docentes encontram nas instituições de ensino, Vilmara relata que varia muito de uma regional para outra. Naquelas com deficit de escolas, como a Estrutural, a situação é mais complicada, porque a demanda é grande e as salas de aula acabam superlotadas. Outro problema elencado por ela é o pagamento do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF). “O governo encaminha a verba todos os anos para a escola, destinada a pequenos reparos e a projetos pedagógicos. Esse recurso vem capenga desde 2013 e muitas vezes é usado para pagar dívidas. Isso compromete muito a qualidade da educação e o papel pedagógico”, afirma.
Por fim, Vilmara também destaca a falta de cuidado com a saúde dos profissionais da educação. “O GDF fala que os professores pegam muitos atestados, mas ignora a nossa realidade. As condições de trabalho, a estrutura, a sociedade que passa por um processo de violência, as famílias que têm abandonado os filhos na escola. O adoecimento é grande e não é uma opção”, justifica.

Isa Stacciarini , Roberta Pinheiro

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