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Aterro sai do papel, mas fim do Lixão da Estrutural fica para o ano que vem

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O encerramento das atividades no Lixão da Estrutural foi empurrado, mais uma vez, para o ano que vem, quando os sete centros de triagem deverão ser entregues.

O Aterro Sanitário de Brasília, enfim, saiu do papel. Depois de décadas de atraso, a obra deve ser inaugurada nesta manhã e promete ser referência no serviço. Apesar disso, o problema não mudou de endereço.

O diretor técnico do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Paulo Celso dos Reis, reconhece que uma inversão na inauguração das obras anteciparia o fechamento. Segundo ele, dessa forma, os dois mil catadores seriam deslocados para os centros antes da instalação do aterro, o que não aconteceu por questões burocráticas e administrativas.

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Saiba mais

  • O Aterro de Brasília será o primeiro do País a receber apenas rejeitos. Ou seja, antes de chegar, o material já terá passado por tratamento nas cooperativas.
  • No total, serão 900 toneladas por dia, cerca de um terço do lixo produzido diariamente no DF. O restante continuará sendo depositado no Lixão da Estrutural até que fiquem prontas as centrais de triagem.
  • Com 720 mil metros quadrados, a obra está localizada há pelo menos dois quilômetros dos primeiros núcleos populacionais e a mais de 500 metros da primeira residência, superando as exigências técnicas para esse tipo de construção.
  • Segundo o SLU, até o momento, 900 catadores receberão a quantia de R$ 300 mensais até o fim das obras nos centros de triagem, em 2018. O benefício é uma forma de amenizar a insegurança dos profissionais diante da mudança.

“Hoje, temos um número grande de catadores que dependem dessa renda para sustentar suas famílias. Não podemos desativar o lixão sem ter um local adequado para encaminhá-los. Essa migração será feita aos poucos”, explicou.

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De acordo com Reis, quatro centros de triagem já serão inaugurados no segundo semestre deste ano. O restante está previsto para o início de 2018. Ele garantiu ainda que “haverá posto de trabalho para todo mundo se houver vontade de continuar na profissão. Entendo a insegurança dos catadores, mas, agora, cabe ao governo manter sua palavra”.

Construção civil

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Outro ponto que impede o lixão de ser desativado este ano são os resíduos de construção civil. “Esse é um material particular e que ainda não tem destinação nem previsão. Em média, são cerca de cinco mil toneladas desse tipo de lixo por dia, mas só recebemos o domiciliar, que chega a três mil toneladas diárias”, acrescentou o diretor.

Com 20 anos de profissão, Edimilson Costa, 42, está preocupado com o futuro do lixão. “Estão nos tirando daqui aos poucos. Estou com medo de ficar desempregado. Tenho uma filha para sustentar”, relatou o catador de sacos plásticos e lonas. Morador da Estrutural, ele também destaca a localização do lixão. “Trabalhar perto de casa é uma facilidade. Ninguém quer sair daqui”, completou.

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Edimilson, no entanto, não esconde as dificuldades de sua rotina. “Sofro muito preconceito. Estou aqui por pura necessidade. Muita gente pode ficar sem renda se o lixão acabar. O número de catadores já diminuiu, assim como a quantidade de material”, contou.

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Por outro lado, os moradores da cidade seguem aguardando o encerramento das atividades no local. Mãe de quatro filhos, a gari Jéssica Daiana da Costa, 29 anos, faz questão de listar os transtornos enfrentados pela comunidade. “O mau cheiro é insuportável, sem contar as moscas. Além disso, as idas e vindas dos caminhões, inclusive de madrugada, impedem que as crianças brinquem na rua. Meu bebê não consegue dormir direito. Já a mais velha vive no médico por causa da poeira. Na última vez, o doutor até perguntou se ela fumava”, reclamou.

Vizinha de Jéssica, a dona de casa Luzia da Silva, 52 anos, também torce pela saída do lixão. “O barulho dos caminhões é ensurdecedor. Minha casa fica o tempo todo fechada por causa dos bichos e da poeira que as carretas levantam. Tenho que limpar várias vezes ao dia”, acrescentou. Ela ressalta, porém, que entende o lado dos catadores. “Não queremos o desemprego, mas, dessa forma, não consigo mais viver. As crianças e os idosos vivem doentes. ”, finalizou.

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Prazos que se arrastam

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Legislação nacional de 2010 previa o fechamento dos lixões em 2014. Em julho de 2015, porém, o Senado aprovou projeto que prorroga o prazo para as cidades se adequarem às regras da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). As capitais e municípios, agora, têm até o dia 31 de julho do próximo ano para acabar com os lixões.

Em 2014, o Ministério Público do DF já havia instaurado um inquérito para apurar o processo de fechamento e o estudo de recuperação ambiental do Lixão da Estrutural. A determinação para o fechamento imediato, recuperação e destinação adequada dos dejetos, porém, é de abril de 2005.

Mesmo com todas as especulações, nada de concreto ocorreu até hoje. Ainda em 2000, foi realizada uma contratação para execução do encerramento, que, como mostra o Tribunal de Contas do DF (TCDF), não foi realizado.

Somente o Aterro Sanitário de Brasília levou mais de uma década para ser entregue à população. Os centros de triagem já completaram mais de três anos de atraso.

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