Siga o Jornal de Brasília

Grande Brasília

Cerca de 605 mil eleitores vão domingo às urna em 12 cidades do Entorno

Publicado

em

Depois de vivenciar campanhas conturbadas, com impugnações de candidaturas, dissidências entre siglas e denúncias de crimes, 605,8 mil eleitores vão amanhã às urna em 12 cidades do Entorno. Policiamento será reforçado

O domingo é o ato principal de um enredo tenso e movimentado pelo estresse das dissidências políticas. Amanhã, 605.882 eleitores vão às urnas para escolher os chefes do Executivo municipal e os vereadores das 12 cidades que fazem limite com a capital federal. Três partidos concentram 34,8% dos candidatos às prefeituras. A truculência que marcou as campanhas não passou despercebida e exigiu que as forças policiais mobilizassem quase 10 mil homens para a região, segundo a Secretaria de Segurança de Goiás. Pelo menos dois assassinatos e um desaparecimento, ocorrido há 14 dias, tiveram suposta motivação política, segundo investigações da Polícia Civil goiana. A pedido do Correio, dois analistas políticos avaliaram o cenário das eleições. Eles destacam o protagonismo de grupos de centro-direita e conservadores.
As legendas PSDB, com sete concorrentes, PMDB, com cinco, e PSOL, com três, são as que mais têm representantes no pleito de amanhã. Esta eleição ficou marcada pela tensão entre os candidatos, que trocaram acusações e denúncias na Justiça Eleitoral. Nos 12 municípios, houve 247 candidaturas cassadas, 46 renúncias e 146 questionamentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na disputa, são 43 candidatos a prefeito e 2.975 a vereador. As autoridades de segurança e os fiscais eleitorais estão alertas para atentados contra candidatos, realização de boca de urna e de transporte ilegal de eleitores, além de compra de voto. Faixas, panfletos e cestas básicas foram apreendidos nesta semana.
As eleições municipais costumam montar o cenário para as eleições gerais de dois anos depois. As dificuldades do PT e dos aliados abriram caminho para a influência maior dos partidos e coligações conservadoras — o Partido dos Trabalhadores e os ditos de esquerda indicaram apenas seis nomes. A defesa de bandeiras religiosas e da família tradicional, por exemplo, ganharam força. “Está muito diferente do panorama das eleições de 2012. Naquele ano, o PT, que ainda não estava em declínio, arrastava mais candidatos. Essa tendência está clara nas capitais e é o perfil que está se concretizando”, avalia o professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) David Verge Fleischer.
Oito partidos — alguns sob influência de políticos do DF — recrutaram dois candidatos cada para pleitear cargos na administração pública. Outros 12 indicaram um concorrente cada. A fragmentação é criticada pelo professor de ciência política da Universidade de Brasília (UnB) e consultor político Paulo Kramer: “O nosso sistema eleitoral é complicado e muito dividido, com um grande número de candidatos e de partidos. Isso deixa o eleitor desorientado. Diminuir o número de candidatos e de partidos seria bom”, pondera.
Impugnações
Dois nomes da política do Entorno abandonaram as campanhas na última semana. Padre Getúlio (PSB), que concorria à Prefeitura de Santo Antônio do Descoberto, e Ana Maria Enfermeira (PSDB), na disputa pelo Executivo de Alexânia, desistiram do pleito, mas indicaram nomes para a substituição na legenda. Concorrem agora Luiz Filho de Alencar (PHS) e Cida do Gelo (PSDB), respectivamente. “Com a falta de esperança do eleitor, é possível que o número de abstenções e votos nulos e brancos seja alto. Grande número de candidatos já está na política há anos. Se ele não está, o pai, o avô a mãe estiveram. O clã familiar vira clã político. Isso leva a um desgaste da representatividade”, arrisca Kramer.
Um dos problemas em Planaltina foi a dissidência entre siglas. O PR, o PCdoB e o PSDB fizeram diferentes coligações dentro do mesmo grupo partidário. O mesmo ocorreu em Formosa, distante 65km do Plano Piloto, onde houve o cancelamento de 40 candidaturas. Os diretórios estaduais do PEN e do PSC destituíram os comandos municipais e anularam a convenção que escolheu os candidatos. Nove concorrentes não conseguiram se recolocar no pleito de 2016. Ao todo, três coligações inteiras foram impugnadas no Entorno. “Essa eleição tem evidenciado a violência na disputa político-eleitoral. Pelo Brasil, ao menos 96 crimes ocorreram com supostas motivações políticas”, pondera Fleischer.

Continue lendo
Publicidade
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *