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Apesar da chuva, alerta para a crise hídrica no DF continua

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A estiagem prolongada em 2016 afeta principalmente os mananciais menores, responsáveis pelo abastecimento de cidades como Sobradinho e Planaltina. Ontem, houve precipitações em Taguatinga, no Guará, em Águas Claras e no Plano Piloto

Otávio Augusto , Rafael Campos , Flávia Maia

Sobraram uma poça rasa de lama, algumas folhas secas e as marcas da água na pilastra da Bacia de Captação de Pipiripau, em Planaltina. A estiagem compromete o abastecimento de 200 mil pessoas na região, distante 55km do Plano Piloto. Na Bacia de Captação do Corguinho, em Sobradinho, a régua de marcação mede 90cm, onde deveria marcar 2,5 metros. A seca dificulta a agricultura e, apesar da chuva registrada ontem, especialistas alertam que a crise hídrica no Distrito Federal está longe do fim. A previsão para o restabelecimento do nível da Barragem do Descoberto — responsável pelo abastecimento de dois terços da capital — e de Santa Maria deve ocorrer somente em março de 2017, isso se ocorrerem as chuvas esperadas. O desafio é equilibrar a oferta e o consumo.

Barro vermelho, restos de galhos e muitas pedras ocupam o local em que corriam os mananciais de abastecimento de Planaltina e Sobradinho. O curso da água secou totalmente em alguns pontos. “Todos os pequenos mananciais são mais sensíveis. Eles são fonte de água para a agricultura e para o abastecimento das cidades. Com a falta de chuva, eles estão se recuperando pouco e estão abaixo do nível normal”, explica Fábio Albernaz, diretor de Suporte da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb). “A estiagem se prolongou mais do que esperávamos, e a disponibilidade de água diminui”, completa.

Os mais de 23 mil hectares da Bacia do Pipiripau abastecem 591 áreas rurais. Os produtores que irrigam as lavouras com as águas do Ribeirão Pipiripau e do Corguinho enfrentam dificuldades. Wanderley Zimmermann, 62 anos, cortou pela metade a plantação de uva. A safra de tomate caiu de 25 mil pés para 10 mil. “Sem água, a agricultura não sobrevive. Estou em Brasília desde 1982 e nunca vi uma seca dessas”, lamenta. Ele perfurou um poço artesiano, mas, ainda assim, a oferta está escassa

O desequilíbrio é sentido na Barragem do Descoberto. O reservatório abastece 70% dos domicílios da capital do país e está em níveis alarmantes. Em 20 de setembro de 2015, a altura do reservatório era de 2,04 metros superior à mesma data deste ano. Com menor volume no aquífero, é possível ver objetos que o leito costuma esconder, como bombas irregulares para captação e uma ponte, que, no passado, ligava Goiás ao DF. O militar Edson Filho, 44, mora em uma chácara próxima à barragem há 15 anos. Esta é a primeira vez que ele vê o reservatório tão vazio. “A chuva diminuiu e o consumo aumentou, o resultado está aí. Até o poço da chácara está com menos água”, conta.

Chuvas
Gráficos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram a tendência de carestia de chuvas em 2016. O desvio de precipitação trimestral de janeiro, fevereiro e março é negativo em 20mm, ou seja, faltou chuva no período. Entre abril e junho, o índice é de menos 100mm. Em agosto, houve deficit de 50mm. Há seis meses, o DF não alcança o acumulado mensal normal de chuva. O cálculo do instituto leva em consideração os registros de 1961 até 1990. Ontem, houve precipitação fraca em Taguatinga, no Guará, em Águas Claras e no Plano Piloto.

A tendência para os próximos quatro meses é que as intempéries aumentem, mas não há certeza se serão suficientes. “Esperamos chuvas intensas em outubro. Os mananciais menores se recuperam mais rápido. Os grandes reservatórios, só em março de 2017, isso se houver as chuvas previstas”, diz Fábio Albernaz, diretor de Suporte da Caesb.

O abastecimento continua interrompido em cinco regiões do DF: São Sebastião, Planaltina, Sobradinho, Sobradinho 2 e Jardim Botânico. A Caesb cancelou o corte na Asa Norte. O fornecimento seria interrompido amanhã. Das quadras 408 à 416 Norte e da 208 à 216 Norte, o Setor de Grandes Áreas Norte (611) e a Estação de Tratamento de Esgoto Norte ficariam sem água. “As medidas de racionamento da empresa passam a se concentrar, na maioria dos casos, em regiões administrativas mais distantes e mais pobres”, informou a empresa.

 

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