Lutando sério, Spider vence Derek Brunson e se emociona no UFC 208

Anderson Silva

Anderson Silva controla o combate desde o início, e conquista sua primeira vitória oficial desde o triunfo sobre Stephan Bonnar, no Rio de Janeiro, em 2012

Uma sucessão de derrotas e questionamentos sobre o seu futuro foram situações que Anderson Silva precisou aprender a lidar. Acostumado a enfileirar adversários, Spider não vencia uma luta desde 2012. Sem o cinturão do Ultimate, passou a semana dizendo que luta por prazer. E, aos 41 anos de idade, fez sua técnica e sua experiência se sobreporem à juventude e ao porte físico de Derek Brunson, dando ainda lampejos dos seus grandes momentos no octógono. Os dois se enfrentaram na co-luta principal do UFC 208, no Brooklyn, em Nova York, e Anderson se sagrou vencedor na decisão unânime (29-28, 29-28 e 30-27). A chama está acesa, o cinturão ainda reluz e a fome é a mesma de quem ainda acredita ter novos capítulos para escrever em sua biografia.

Anderson pareceu se divertir no octógono e, antes mesmo de ouvir seu nome ser anunciado como vencedor, sentou-se ao lado do adversário na lona do octógono e o abraçou. Quando Bruce Buffer anunciou o resultado final, o brasileiro caiu em lágrimas, como se tivesse aliviado. Abraçou os treinadores e mal conseguia falar ao ver a arena inteira o aplaudindo de pé.

– Primeiro de tudo, obrigado por virem aqui hoje. Muito obrigado ao UFC e aos meus amigos, minha família e meus filhos. Primeiro de tudo, Deus. Eu trabalhei muito durante muito tempo para lutar aqui. Coloco sempre meu coração. Às vezes tenho uma dor nas pernas, nas costas, às vezes procuro minha família e digo que vou treinar por três ou quatro meses, e agora quando venho para uma luta, venho para proporcionar isso a todos e dar o meu melhor. Desculpem, pois sei que estou muito velho para lutar, todo mundo aqui é mais novo, mais forte, mas eu fiz isso aqui com o meu coração. Quando eu venho aqui dentro do octógono, coloco toda a minha vida aqui dentro. Respeito todo mundo aqui, respeito os fãs e venho aqui para lutar feliz, pois amo o meu trabalho, amo o UFC, meus fãs no mundo e, por muito tempo sonhei em lutar em Nova York, eu nem acredito que isso aconteceu. Obrigado! – declarou o brasileiro, ainda dentro do octógono.

O ex-campeão dos médios adentrou a arena de uma forma diferente. A música que anunciava a sua chegada ao octógono já não era a icônica “Ain’t no Sunshine”, do rapper DMX, que o acompanhou pelas 17 últimas lutas que fez na carreira. Talvez por isso, a emoção parecia mais intensa, e a arena do Barclays Center explodiu com bandeiras do Brasil e aplausos enquanto Spider caminhava ao som da canção “Doom” (Sina na tradução literal), composta por seu filho Kalyl, que o acompanhou até a entrada da arena ao lado do irmão Gabriel.

A luta

Quando o duelo finalmente começou, os lutadores passaram a se estudar bastante. Foi mais de um minuto até Derek arriscar o primeiro golpe, que passou no vazio. No centro do octógono, Anderson esperava para trabalhar no contra-ataque. Ele arriscou o primeiro jab, começou a trabalhar a movimentação, e os golpes de Brunson passaram a entrar, mas sem oferecer perigo. Os dois chegaram a clinchar e a trocarem golpes duros, mas com a segurança e a experiência de uma carreira repleta de recordes, Anderson  ía, ora absorvendo, ora revidando, mostrando também alguns lampejos de seus momentos áureos dentro do octógono.

No segundo round, a torcida empurrava Spider: “Vamos lá Silva!”. O brasileiro passou a se soltar mais, abaixando a guarda e provocando o adversário com seu jogo mental. Mesmo com vantagem física, Brunson não conseguia impor a pressão necessária para superar o brasileiro. Em vários momentos, ele buscou as pernas de Spider, que se defendeu. Anderson absorveu bem um jab na têmpora e passou a caçar o adversário, acertando um chute rodado seguido de um chute de esquerda. Ele levou a luta para o chão, mas o americano inverteu posição e levou a luta para o clinch. Em determinado momento, o brasileiro fez um giro de capoeira e acertou a perna esquerda na cabeça do adversário. A torcida explodiu, mas o árbitro anunciou o fim do round em seguida.

No terceiro assalto, mais do mesmo. Brunson tentou reagir. Buscou o single leg, conseguiu a queda, mas Spider se levantou imediatamente. Numa nova tentativa de quedar o ex-campeão dos médios, Spider fez o sprawl e pegou o pescoço do adversário, ameaçando uma guilhotina. A luta voltou em pé, com Anderson desferindo um chute na linha de cintura e voltando a perseguir o adversário no octógono. O brasileiro ainda absorveu uma boa joelhada e voltou a trocar golpes no clinch. Brunson tentou até o final, mas parecia respeitar demais Spider que, após um chute rodado baixo, quase acertou as partes baixas do adversário, mas estendeu a mão em sinal de desculpas logo em seguida. Sentindo a proximidade do fim do round, Brunson pressionou na grade, levou a luta para o chão, e caiu por cima. Mas já era tarde. Mesmo com Spider por baixo, já não havia mais tempo para conquistar o round.

Com o resultado de hoje, Spider chega a 34 vitórias, oito derrotas e uma luta sem resultado na carreira repleta de recordes. Ex-campeão da divisão, fez dez defesas de cinturão bem-sucedidas na carreira e é o lutador que mais faturou bônus na história do UFC (13).

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