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David Luiz: renascido como pilar da defesa do Chelsea

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Brasileiro contraria o ceticismo da chegada e se firma como peça-chave da melhor zaga inglesa

Como faz todo zagueiro consciente depois de um baque, David Luiz procura jogar de cabeça erguida e para frente. Em uma progressiva volta por cima na carreira após a maior derrota do Brasil em Copas do Mundo, no 7 a 1 para a Alemanha, o brasileiro de Diadema é titular absoluto e um dos pilares do esquema queridinho da vez, com três zagueiros, armado pelo italiano Antonio Conte no Chelsea. Hoje, às 18h, contra o Liverpool, em Anfield, ele chegará ao 100º jogo na Premier League sem nunca ter levado cartão vermelho. A ESPN+ transmite.

— Eu jamais poderia imaginar que chegaria ao jogo de número 100 em Premier, uma competição que é considerada uma das mais importantes e uma das mais competitivas do mundo — disse David, em entrevista ao GLOBO, por e-mail.

Delineada em fases, a carreira do zagueiro de 29 anos, nascido na data de descobrimento do Brasil, passa por um renascimento na volta à Inglaterra. Popular ao extremo no período pré-Copa de 2014, quando foi vendido do Chelsea para o Paris Saint-Germain por quase R$ 190 milhões, David Luiz rivalizava com Neymar em número de curtidas e seguidores em rede. Deixou o campo do Mineirão como um dos vilões, um dos símbolos daquele fiasco. Remanescente em sua cabeça como os cachos marcantes, a ideia de disputar outro Mundial não morreu, mas, agora, ele evitar falar sobre seleção, apesar de ter a consciência de estar sendo observado por Tite.

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Afinal, quem não olha para o Chelsea hoje? De fãs ao redor do mundo, passando por jogadores e técnicos de futebol brasileiros, o time de Conte atrai admiradores e imitadores. Ao replicar como esquema da moda um 3-4-3 que apareceu pela primeira vez no Mundial de 1962, no Chile, Conte conseguiu justificar a contratação de David em 2016, vista com certo ceticismo depois que o zagueiro deixou o time inglês ao perder espaço com o português José Mourinho.

Com mais liberdade no esquema que seus companheiros de zaga, César Azpilicueta e Gary Cahill, David Luiz tem recebido elogios da antes desconfiada imprensa inglesa e alcançado números incontestáveis a cada rodada da Premier League, da qual o Chelsea é líder, com melhor defesa (15 gols sofridos). O diário “The Telegraph” elegeu o brasileiro como o melhor zagueiro da Liga até o momento nesta temporada, em um ranking de 20 defensores, do qual também fazem parte Azpilicueta (3º) e Cahill (19º).

GULLIT ELOGIA

Em uma coluna na “BBC”, o ex-craque holandês Ruud Gullit, ex-dirigente do time de Londres, lembrou que a contratação de David foi muito questionada, mas “provou ser o ajuste perfeito para o sistema 3-4-3”. Uma sequência de boas atuações e excelentes e respeitadas críticas, como a de Gullit, levaram David a ser apontado como o pilar do esquema, fato que ele refuta. Para embasar a sua tese de que o sucesso do esquema depende do coletivo e não de uma peça, ele explica o sistema.

— Eu me considero apenas parte da engrenagem. Todos possuem méritos. O Conte sempre fala da importância que os homens de frente têm na marcação, quando o adversário sobe com a bola pelas laterais ou nos lançamentos longos. Muitas vezes, as interceptações começam lá na frente. Não existe alguém que se destaque mais que o outro. No plano de jogo do time, todos são peças importantes — disse David.

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Ao passar a bola, David não olha para os próprios números. Sob o comando de Conte, fez 20 jogos como titular e levou 15 gols, média de 0,75%. No clube inglês, foi somente com outro italiano, o técnico Carlo Ancelotti, que ele atingiu média igual, na temporada 2010/2011. Em recente sequência de 13 vitórias, na qual David atuou como titular, a defesa levou quatro gols. Considerado um perfeccionista, Conte, assim como David, já perdeu uma Copa como jogador, a de 1994, e deu a volta por cima com títulos no Juventus. Esta persistência ele aplica nos treinos.

— O Conte é um treinador extremamente detalhista, desde o momento em que ele passa vídeos falando dos adversários aos treinamentos. Ele executa no treino aquilo que quer nos jogos, pois ele tenta passar exatamente o que vai acontecer durante os 90 minutos. Não dá pra ficar na zona de conforto, e isso é bom, pois titulares e reservas, se sentem prestigiados e motivados — declarou David, para quem o sucesso é soma da teoria com a prática:

— Ele estuda minuciosamente os adversários e passa isso de uma maneira bastante didática, com as conversas de vestiário, e na intensidade do treino, que é a mesma de um jogo.

Escalar três zagueiros costuma ser “tabu” entre técnicos brasileiros. Abel Braga, em entrevista ao Globo, disse que quem jogar assim no Brasil é “dado como ultrapassado”.

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— Na Europa, sempre foi comum. O sucesso depende do estilo de jogo, da postura como o treinador monta a equipe e do plantel do clube. No caso do Chelsea, casou com perfeição — disse David Luiz.

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