Anderson Silva insinua favorecimento a Bisping em combates na Inglaterra

Lutador brasileiro assegura que só aceitaria enfrentar atual campeão dos médios “em lugar neutro”, e diz que luta contra Derek Brunson no UFC 208 vale pelo “desafio”

O anúncio do último dia 13 de janeiro, que Anderson Silva enfrentaria o americano Derek Brunson no UFC 208, em 11 de fevereiro, pegou o mundo de surpresa. Apesar de Brunson estar logo atrás do brasileiro no ranking dos pesos-médios no UFC, a expectativa era que Spider encarasse um grande nome do MMA, possivelmente o próprio campeão da categoria, Michael Bisping, com quem tem uma história “mal resolvida” desde que foi derrotado pelo inglês em Londres, em 27 de fevereiro de 2016. Mesmo com Brunson no caminho, a rivalidade entre Anderson e Bisping foi um dos principais assuntos de uma entrevista coletiva de 25 minutos concedida pelo paulista na academia XGym, no Rio de Janeiro, na quinta-feira. Quando indagado sobre se gostaria de pegar o campeão em maio caso derrotasse seu próximo adversário, Spider cutucou o rival e insinuou que ele foi favorecido não só em sua luta, mas também em sua primeira defesa de cinturão, contra Dan Henderson, também disputada na Inglaterra.

– Estou pronto para lutar, independente de quem seja. Seria perfeito lutar com o Bisping, porque ficou algo no ar. Não só comigo, mas também (na luta) com Dan Henderson lá em Londres (Nota do editor: o combate entre Bisping e Henderson foi disputado, na verdade, em Manchester). Se fosse num lugar neutro, aceitaria com certeza. Independente de cinturão ou qualquer coisa, lutar com Bisping seria interessante – afirmou Anderson, que foi veemente ao negar que aceitaria uma revanche contra o inglês em seu país de origem.

– Claro que não. Sem dúvida nenhuma, não. (Se a luta fosse em outro país) Acredito que sim (teria vencido). Houve uma sucessão de erros na luta. Mas isso é passado.

Anderson Silva acredita que teria vencido Bisping se luta tivesse sido em local neutro (Foto: Adriano Albuquerque)

O tópico Bisping é “encardido” na XGym, já que o inglês também é o adversário desejado por Ronaldo Jacaré, companheiro de equipe de Anderson e com quem o ex-campeão dos médios fez um treino de exibição para os jornalistas nesta quinta – a dupla também treinou com jovens alunos de um projeto social da Legião da Boa Vontade, apadrinhado pelo preparador físico Rogério Camões. Spider voltou a afirmar que não se privaria de enfrentar Bisping se recebesse o chamado antes do amigo, mas reconheceu o merecimento do atual terceiro colocado do ranking.

– Pensando no esporte, o Jacaré é o cara que tinha que disputar o cinturão. Pensando no show, acho que a melhor coisa seria Anderson e Bisping de novo. Mas é aquilo: se lutasse com o Bisping e ele ainda estivesse com o cinturão, e Deus me desse a oportunidade de vencê-lo, abandonaria o cinturão da categoria e lutaria em outra categoria, ou lutaria até mesmo na categoria mas não mais pelo cinturão.

Anderson Silva ainda tocou em diversos assuntos nos seus 25 minutos de entrevista, incluindo seu desejo de enfrentar Conor McGregor, a renovação do MMA brasileiro e o desafio contra Derek Brunson. Confira abaixo:

POUCO TEMPO DE TREINO

– Estou bem. Tive um pouco mais de tempo, o treino está ótimo, estou muito feliz de lutar de novo, é o que eu amo fazer. Espero que o resultado seja positivo, estamos treinando muito, os treinos estão ótimos. O tempo de preparação que a gente teve foi mais no lastro de treinamento, tudo que já treinei e já desenvolvi não tem muito (a acrescentar), é o só o lastro mesmo. A gente teve um mês e dez dias para fazer a coisa acontecer e está dando tudo certo até aqui.

DIFERENÇA PARA LUTA CONTRA DANIEL CORMIER

– São categorias diferentes. É uma luta com muito mais movimentação, muito mais jogo de acerta e erra. Por ser uma categoria diferente, essa vai ser uma luta bem movimentada.

Anderson Silva e Ronaldo Jacaré brincaram com praticantes de jiu-jítsu no treino de quinta (Foto: Leonardo Fabri)

O QUE A LUTA CONTRA DEREK BRUNSON TRAZ

– Agora só quero me divertir e fazer o que amo. Não tenho pressão nenhuma. Já passei por todas as fases desse esporte, já venci, já perdi, já me lesionei, então agora é fazer o que amo e fazer com a minha verdade, sem me preocupar com o que as pessoas vão dizer ou coisa parecida.

ENTREVISTAS E ESTILO POLÊMICOS

– Polêmico? Porque sou polêmico? Nas entrevistas nunca fui muito de provocar ninguém. Ficaram algumas coisas no ar… Aproveitar que a mídia toda está aqui…Teve uma situação que o repórter disse: “Mas você não gosta de falar com a mídia brasileira!”. Não é que não goste de falar, mas tem algumas respostas que só importam se a pergunta for inteligente. Ficou aquilo no ar. Não é porque sou marrento, não é porque gosto de zoar o meu adversário, é o meu estilo de lutar. A partir do momento que não puder fazer o que amo com a minha verdade, não sou eu. Sempre fiz como a minha verdade. Algumas pessoas interpretaram isso como marra, outras interpretaram de outra forma, mas sempre fiz com a minha verdade, sempre feliz.

DIFERENÇA ENTRE LUTAR CINCO ROUNDS E LUTAR TRÊS ROUNDS

– É um pouquinho mais fácil, ainda mais com a minha idade (risos). Mas o lastro de treino…continuo treinando cinco rounds de cinco minutos, que é o meu lastro de treino. Passei Natal e Ano Novo em Curitiba, depois passei um tempo lá ainda, e fui treinar com meu mestre Fábio Noguchi, mas o lastro a gente continua mantendo, sempre treinando cinco rounds de cinco minutos. Para essa luta a gente deu uma diminuída no camp de treino com o mestre Camões e toda a equipe, e a gente optou por fazer um treino mais tático e técnico em três minutos.

CONOR MCGREGOR

– Gostaria de me testar com o Conor porque ele é um artista marcial muito interessante. O jogo de luta em pé dele é um jogo de muita inteligência. Não pelo desafio porque ele é o campeão agora ou coisa parecida, mas é o desafio do artista marcial. Gostaria de ver como seria esse conjunto de técnicas tanto dele como minha para ver o que daria. Mas não para lutar por cinturão ou coisa parecida, mais o interesse daquela coisa de saber como seria.

CORTE PARA 77KG

– A gente começou esse trabalho, cheguei até 79kg, e aí achamos melhor não fazer mais esse tipo de teste. Não tinha nenhuma luta prevista, a gente bateu 79kg, e aí o mestre Camões falou: “Cara, não tem porque, volta para o seu peso, a gente já sabe que você bate 79kg”. Mas por conta da idade a gente optou, meu médico também, Dr. Márcio Tannure, por se manter na categoria.

LUTA EM NOVA YORK

– É um sonho poder lutar em Nova York depois de muito tempo, essa briga do UFC tentando legalizar o MMA lá, e agora a gente poder levar o esporte para lá é sensacional. Estou muito feliz.

LUTA DE MCGREGOR NO BOXE X SEU SONHO DE ENFRENTAR ROY JONES JR

– Acho que nem é diferença de tratamento. Acho que são épocas diferentes. São esportes diferentes. Não tinha intenção de lutar com Roy Jones por dinheiro, em hipótese alguma, era meu sonho lutar com o cara que sou ídolo (sic), para caramba. Ganhar é uma outra história. Mas só o fato de poder subir lá e poder lutar com o cara que sempre acompanhei desde muito pequeno, vendo o cara ganhando e dando um show, para mim seria fantástico. É uma das coisas que faltam dentro da minha carreira de lutar, realizar esse sonho.

DIFERENÇAS ENTRE ÉPOCAS NO MMA

– Hoje em dia ficou muito para trás o valor marcial, e ficou mais o valor comercial. Nada contra, é isso que tem que acontecer, é a evolução, mas a arte marcial ficou um pouco de lado. É o que sempre o mestre Helio e o mestre Carlson falavam: era o desafio, o grande desafio das artes marciais. Hoje em dia virou muito comercial e deixou de ser um esporte.

LÓGICA NA LUTA CONTRA DEREK BRUNSON

– O desafio. Oito anos mais novo, é um atleta que teve a derrota dele, mas vinha de vitórias, mas o desafio.

AFIRMAÇÃO DE GEGARD MOUSASI DE QUE TERIA NEGADO LUTA

– De maneira alguma, não chegou até a mim que o Mousasi queria lutar comigo. Mas é uma coisa que pode acontecer também. De forma alguma, respeito muito ele, o trabalho dele, e tem um nome muito grande. É um grande atleta, mas seu nome não chegou até mim.

SUA IMPORTÂNCIA NO MMA NACIONAL

– Quando você tem uma história, e essa história ela é feita com muita batalha, muita determinação, dedicação, fica difícil apagar. Tudo que já fiz no esporte, e pretendo fazer ainda, não tem como apagar. Claro que tudo tem seu tempo, tudo tem uma data de validade, por enquanto minha data de validade tá ali ainda. A hora que sentir que não dá mais vou parar mesmo, mas por enquanto estou feliz fazendo o que amo e o que gosto. E nada do que aconteceu, derrotas ou contratempos na minha carreira me atrapalharam a ter esse respeito e o carinho do público.

QUEM VAI ASSUMIR SEU POSTO NO MMA NACIONAL?

– Não é nem o posto, sempre tem a renovação. Vai ter alguém que vai chegar e vai se tornar um grande nome desse esporte aqui no país.

DOIS CINTURÕES AO MESMO TEMPO

– Todo mundo tem sua história. Conor McGregor tem que ser respeitado, ele fez história e vai fazer muita história ainda, espero que faça, é um grande atletas. Nas devidas proporções também fiz a minha, disputei na categoria de cima com Forrest Griffin, que é ex-campeão, foram três ou duas lutas na categoria de cima. E tudo tem seu tempo, seu momento. Ele teve o momento dele, tem que ser respeitado, é um grande atleta, e eu tive o meu. Na verdade, quando era campeão, sempre foquei no que fazia melhor, que era me manter na minha categoria sem se preocupar com outras categorias e outros adversários, sempre fui focado em ficar bem, na minha categoria e foi o que consegui fazer.

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