Quebra de jejum histórico do Inter gera emoção e “cara de Libertadores”

Colorado sai atrás e vive noite digna de final de campeonato para virar sobre Santos, acabar com série de 14 jogos sem vencer no Brasileiro e se afastar do Z-4

Por Eduardo Deconto

Porto Alegre

O árbitro apita o final da partida, e o Beira-Rio explode num grito uníssono de desabafo dos mais de 34 mil colorados em êxtase nas arquibancadas. Dentro de campo, os atletas reagem de maneira semelhante. Fabinho se ajoelha. Danilo Fernandes cai estirado e aliviado. A cena, digna de “clima de Libertadores”, é emblema do que representa para o Inter a vitória por 2 a 1 sobre o Santos, nesta quinta-feira, pela 23ª rodada do Brasileirão, por todos seus múltiplos significados.

Além de encerrar a série ingrata de 14 jogos sem vencer pela competição, o tão ansiado triunfo impede que a equipe iguale a maior marca da história dos pontos corridos. E mais do que isso. Afasta o Inter da zona do rebaixamento e o alavanca para a 15ª colocação na tabela – ainda que com a mesma pontuação do primeiro integrante do Z-4 – para dar um passo quase definitivo rumo ao resgate anímico em 2016.

Um  resgate iniciado ainda na última quarta-feira, com vitória por 3 a 0 sobre o Fortaleza. O alerta de que a situação é complicada ainda paira no ar. Mas o Colorado fita o futuro em meio a duas vitórias consecutivas – o que não ocorria desde quando a equipe era líder do Brasileirão – e à sequência de quatro jogos sem perder.

– Estamos comemorando apenas uma vitória. Não adianta pensar que resolvemos um problema que não foi resolvido. Já estamos há quatro jogos sem perder. Conseguimos sair dessa zona, que não é a nossa costumeira e quebrar uma sequência de derrotas com uma vitória como essa, contra uma equipe postulante ao título. Nos enche de satisfação, de orgulho. Mas temos que ter equilíbrio. Essa euforia momentânea tem que ser relevada. Domingo temos outro grande jogo – pondera o vice de futebol Fernando Carvalho.

Internacional x Santos Inter Beira-Rio Inte ruas de fogo (Foto: Ricardo Duarte/ Divulgação Inter)Colorados foram recebidos com as ruas de fogo, em “clima de Libertadores” (Foto: Ricardo Duarte/ Divulgação Inter)

O desabafo, portanto, é natural. Mas esqueça a situação delicada na tabela do Brasileirão. O enredo da noite vivenciada pelos comandados de Celso Roth é digno de uma festa à parte, desde a chegada ao Beira-Rio. Num clima típico de final de Libertadores, a delegação foi recepcionada com sinalizadores e cânticos de incentivo e cobrança, na tradicional Ruas de Fogo.

Era apenas uma primeira palinha. Motivados, os colorados iniciaram o jogo em cima do Santos, com marcação alta, posse de bola e até chances de gol. Foram traídos, porém, por uma falha grotesca de Geferson. O garoto errou ao tentar um passe em frente à área e deu um presente a Ricardo Oliveira, que não perdoou Danilo Fernandes. 1 a 0 Peixe, aos 27 do primeiro tempo.

Pensei: outra vez a mesma coisa. O Geferson depois do erro não ficou chateado. Fez um bom jogo.  É algo que vai ser muito importante. Não foi uma vitória por  2 a 0. Não foi só bom. Saímos atrás. É importante para o mental.
Seijas

O tento santista soou como um baque à confiança dos colorados tanto em campo quanto na arquibancada. O camisa 6 virou alvo de vaias a cada vez que tocava na bola – ainda que alguns torcedores insistissem em aplaudi-lo. Desestabilizada, a equipe denotava nervosismo e ansiedade, com muitos erros de passe e desatenções. Parecia que a sina de tropeços persistiria, mas a noite era diferente. O desespero e a tensão duraram apenas 14 minutos.

Aos 41, o mesmo Geferson do erro infantil serviu Seijas. O venezuelano chutou forte e contou com a sorte, num desvio na defesa, para empatar a partida. O elenco logo tratou de abraçar o lateral, em meio a uma explosão de festa e alívio da torcida. E o Beira-Rio fez o mesmo com o time, ainda mais após a expulsão de Lucas Lima, já aos 44.

– É ótimo ver o torcedor assim, nos alegrando, nos empurrando, passando energia. É excelente, magnífico. Me lembrou a Libertadores de 2010 – afirma o técnico Celso Roth, campeão da Libertadores pelo clube, seis anos atrás.

Internacional x Santos Inter Beira-Rio Inter gol Seijas Inter (Foto: Eduardo Deconto/GloboEsporte.com)Inter abraça Geferson após gol de Seijas (Foto: Eduardo Deconto/GloboEsporte.com)

Com os torcedores inflamados em sintonia plena, o Inter voltou do intervalo endiabrado, sufocando o Santos no campo de defesa. O gol surgiu da persistência e da sorte do iluminado Aylon, que completou de peito, após milagre de Vanderlei, em cabeçada de Valdívia, aos 16 do segundo tempo. Mas numa noite de clima de Libertadores, restava sofrer – e como – até o último minuto.

Os colorados acompanharam os instantes finais da partida em pé, quase sem respirar, envoltos numa sensação de tensão palpável. Danilo Fernandes salvou uma vez, e Aylon, quase em cima da linha, outra, já aos 44 do segundo tempo. A explosão de festa encerrou o sofrimento desta quinta-feira e dos outros 84 dias sem vitórias pelo Brasileirão. Na saída do estádio, um torcedor ainda gritou: “Vamos para a Goethe”, numa alusão à avenida costumeira das comemorações de títulos em Porto Alegre.

– Foi um dia de muito sofrimento. Eu sofri muito depois de tomar aquele gol. Nós temos que superar esses obstáculos. Vai ser assim e nós vamos lutar até o final. Sabemos que é assim – ressalta Carvalho.

Com os ânimos revigorados pela vitória, o Colorado sobe para a 15ª colocação na tabela, com 27 pontos. Mas com uma ressalva: a pontuação é a mesma do Figueirense, primeiro time da zona do rebaixamento. No domingo, às 16h, o Inter vai a Curitiba enfrentar o Atlético-PR, pela 24ª rodada.

Internacional x Santos Inter BEira-Rio Fabinho Inter (Foto: Eduardo Deconto/GloboEsporte.com)Fabinho se ajoelha após vitória do Inter (Foto: Eduardo Deconto/GloboEsporte.com)
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