CCBB recebe mostra Sou África – O Cinema Africano do Presente

Sou África

Seleção de longas e curtas marca a pré-estreia do Lobo Fest 2018 e acontece de 2 a 7 de outubro

A décima edição do Lobo Fest – Festival Internacional de Filmes realiza sua pré-estreia no Centro Cultural Banco do Brasil, entre os dias 2 e 7 de outubro, com a mostra Sou África – O Cinema Africano do Presente.

Serão exibidos 16 filmes, longas e curtas-metragens recentes produzidos em vários países da África Subsaariana. A programação inclui ainda sessão infanto-juvenil e uma homenagem ao cineasta de Burkina Faso, Idrissa Ouedraogo, um dos mais reconhecidos ícones do cinema africano, falecido em fevereiro deste ano.  Serão exibidos dois dos mais famosos títulos de sua filmografia: Samba Traoré e Tilai – Questão de Honra.

Arbre sans fruit. Les films du balibari
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Os filmes selecionados revelam os mais diversos aspectos desses países, desde sua musicalidade, suas cores, sua natureza, seus problemas sociais, a beleza do povo, seu humor e suas tradições. Também destacam a luta e a força da mulher africana, traduzidas nos documentários  Soltar a voz (Ouvrir la voix) , sobre  mulheres negras dentro do processo colonial europeu na África e nas Antilhas, e A árvore sem frutos,  que mostra o sofrimento oculto das mulheres que não podem gerar filhos, bem como a quebra de certos tabus.

Cena do Filme Ouvir la Voix

Além desses, destacam-se os premiados Wallay, bela história de um menino criado em Paris e que vai conviver com seus parentes em Burkina Faso, e o premiadíssimo Felicité, do conceituado diretor senegalês Alain Gomis.  Sou África traz ainda dois filmes voltados ao público infanto-juvenil: Sábado Cinema, premiado curta-metragem do Senegal, e Minga e a colher quebrada, a primeira animação realizada nos Camarões, que conta a divertida e musical aventura de uma brava garota.

Cena do filme Felicité

“A ideia é trazer um panorama audiovisual da África contemporânea que dialogue mais diretamente com o Brasil por questões históricas bastante óbvias. Por isso priorizamos a África Subsaariana. É preciso que o público tenha contato com esses filmes, até porque o Cinema Africano já tem vida própria e uma história plena de grandes referências como Ousmane Sembène, senegalês, considerado o pai do cinema africano, ou Idrissa Ouedraogo, de Burkina Faso, nosso homenageado da mostra”, explica o curador Ulisses de Freitas.

Na noite de abertura (2), haverá uma sessão especial com apresentação do filme Tilai – Questão de Honra, feita pelo professor, crítico de pesquisador de cinema e quadrinhos, Ciro Marcondes. Ele é doutor em comunicação e mestre em literatura pela UnB, com passagem pela Paris IV – Sorbonne.

Na quarta-feira (3), noite de autógrafos do livro de contos ”Espelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção”, da escritora Cristiane Sobral. Professora, diretora de teatro e atriz, Mestre em Teatro e ganhadora do Prêmio FAC 2017 Culturas Afro-Brasileiras. Dirige a Cia de Arte Negra Cabeça Feita, (Teatro) há 20 anos. A poética de Cristiane busca nitidamente inspirar as mulheres leitoras a se conhecerem (ou se reconhecerem), se aceitarem e se posicionarem diante do preconceito e do racismo.  Seus textos mesclam crítica e suavidade com uma linguagem atual, ousada e motivadora, transgredindo as representações estereotipadas, privilegiando os afetos, a subjetividade, a cultura e a intelectualidade das mulheres negras.

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Também estão previstas atividades paralelas para o sábado e domingo, como feira de produtos afros e oficinas temáticas para crianças. Nos finais de tarde, foodtrucks, foodbikes e DJs para desfrutar entre uma sessão e outra do Sou África.

A mostra Sou África é parte da temática do CCBB para o período, evidenciando a riqueza cultural do continente africano. Além da mostra de cinema, está em cartaz no centro cultural a exposição Ex África, uma coletânea de 90 obras, entre esculturas, fotografias, instalações, performances, pinturas e vídeos assinados por 20 artistas, que estarão expostas no CCBB com entrada gratuita até 21 de outubro.

Programação Paralela

  • 02 (TERÇA)
    20h30 às 21h30  –  Quilombo da Liberdade (Maculelê e Dança do Fogo)
  • 03 (QUARTA)
    18h – Lançamento do livro ”Espelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção”, da escritora Cristiane Sobral
  • 04 (QUINTA)
    18 às 22h – Food and Bike Trucks
    18h30 às 19h30 – Oficina de Kuduro e Afrohouse
    19h45 às 20h15 – Aulão de Afrohouse
    20h30 às 21h – Apresentação de Dança Afro com o grupo Os Próprios
  • 05 (SEXTA)
    18 às 22h – Food and Bike Trucks
    De 18h30 às 21h30 – Coletivo de DJ’s com os Dj’s Afrika e Renas Mix
    20h – Apresentação de Semba e Kizomba com  Rodolfo e Thaiane
  • 06 (SÁBADO)
    14 às 22 h – Food and Bike Trucks
    15 às 17 h – Oficinas infantis de percussão e  tambores de papel com Juraci Pandeiro
    18h30 às 21h30 – Coletivo de Djs com os DJ’s Afrika e Renas Mix
  • 07 (DOMINGO)
    14 às 21 horas – Food and Bike Trucks
Cena do filme Wallay

FILMES DA MOSTRA SOU ÁFRICA – CINEMA AFRICANO DO PRESENTE

  • Félicité
    Direção: Alain Gomis (Senegal, França, Bélgica, Alemanha, Líbano, 2017, 123’)
    A cantora Félicité vive com seu filho Samu, adolescente numa área pobre de Kinshasa (Congo). Samu, sofre um acidente e Félicité precisa juntar um dinheiro para que o rapaz não tenha a perna amputada. Felicité parte numa jornada individual pela cidade para resolver a situação.
  • Wallay
    Direção: Berni Goldblat (França-Burkina Faso, 2017, 1h24)
    Andy,  de 13 anos é enviado de sua casa na França para morar com uma família que vive na área rural de Burkina Faso. O menino se depara com outros hábitos com os quais terá de se acostumar.
  • Soltar a voz (Ouvrir la voix) 
    Direção : Amandine Gay (França, 2017, 2h09)
    Documentário sobre mulheres negras dentro do processo colonial europeu na África e nas Antilhas. O filme enfoca a mulher negra e os clichês específicos relacionados a duas dimensões indissociáveis das identidades “mulher” e “negra”.
  • O olho do furacão (L’oeil du Cyclone)
    Direção: Sekou Traoré (Burkina Faso, 2015, 1h37)
    Emma, uma jovem advogada, é a filha de um antigo gerente de vendas de uma empresa de mineração. Ainda criança ela teve que se refugiar durante uma ocupação na área de mineração por um grupo de rebeldes. Um dia, um juiz pede a Emma para defender um rebelde capturado pelo exército.
  • Nos passos da rumba (Sur le chemin de la rumba)
    Direção: David Pierre Fila (Congo-Brazzaville, 2014, 1h38)
    Os passos da rumba nos leva através da costa do continente africano, na bacia do Congo, Cuba, Equador à Costa do Marfim numa viagem recheada de relatos familiares e olhares apaixonados pela mistura que gerou a essência dessa arte musical africana, composta por olhares e ritmos da bacia do Congo, que lhe deram a forma e alma.
  • O barco da esperança (La Pirogue)
    Direção: Moussa Touré (Senegal, 2011, 1h27)
    A história de um capitão de barco pesqueiro em Dakar, Senegal, chamado Baye Laye que é obrigado a levar trinta imigrantes ilegais para Espanha à bordo de uma piroga (uma pequena embarcação típica da África e Oceania). Muitos dos homens à bordo não consegem se entender e alguns sequer tinham visto o mar anteriormente.
  • Jimmy goes to Nollywood – doc
    Direção: Rachid Dhibou e Jimmy Jean-Louis (Nigéria, 2014, 52’)
    Pouco conhecido do público em geral, Nollywood (“N” de Nigéria) é uma das maiores produtoras de cinema, à frente de Hollywood e logo atrás de Bollywood. A Nigéria produz todos os anos mais de 2000 filmes. Neste documentário, que tem como fio condutor o Africa Movie Academy Awards, Jimmy Jean-Louis irá nos apresentar a este rico panorama mergulhando diretamente no coração de uma África desinibida.
  • L’arbre sans fruits
    Direção: Kidy Aïcha Macky (Niger, 2016, 56’)
    Casada e sem filhos, Aicha está em uma situação “fora do comum” em seu país por não poder gerar filhos.Com base em sua história pessoal, o filme explora delicadamente o sofrimento oculto das mulheres e quebra certos tabus.
  • La Sirene de Faso Fani
    Direção: Michel K. Zongo (Burkina Faso, 2015, 1h30)
    Michael K. Zongo reabre o caso da terceira maior fábrica têxtil em Koudougou, em Burkina Faso, que foi fechada em 2001 e largada pra apodrecer, provavelmente registrada como dano colateral no FMI. Na busca, ele encontra antigos empregados da fábrica, sendo que algumas mulheres passaram a tecer nos quintais das casas. O documentário é uma homenagem à resistência africana perante a globalização, uma mostra do que o progresso no local.
Cena do filme Caça à Bruxa (Witch Hunt)
Curtas-metragens
  • Visões (Visions)
    Direção : Abba T. Makama, C.J. Obasi, Michael Gouken Omonua (Nigéria, 2017, 19 min)
    Uma antologia de três curtas-metragens (Shaitan, Brood, Bruja) do coletivo de cinema da Nigéria chamado Surreal16, composto por Abba T. Makama, Michael Gouken Omonua e C.J. “Fiery” Obasi.
  • Não me esqueças (Forget me not)
    Direção : Shveta Naidoo (África do Sul, 2018, 10 minutos)
    O relacionamento de uma garota com uma cadeira vazia. Este filme é sobre uma jovem garota chamada Iris, cujo pai misteriosamente foi embora. Iris tenta lidar com a ausência de seu pai personificando sua antiga cadeira que ele deixou um de seus casacos.
  • Caça à Bruxa (Witch Hunt)
    Direção : Solomon Onita Jr (Nigéria/EUA, 2018, 22 min)
    Um conto folclórico ambientado em uma aldeia da África Ocidental. Uma adolescente persegue um rapaz corcunda e é forçada a decidir se deve ou não seguir uma antiga superstição.
Homenagem a Idrissa Ouedraogo 
  • Samba Traoré (Samba Traoré) (Burkina Faso, França, Suíça, 1992, 85 min)
    Samba foge para sua aldeia, depois de um assalto a um posto de gasolina. O amigo morre num tiroteio. Samba escapa com o dinheiro, mas perde a paz. Ele conhece Saratou. Os dois passam a viver juntos, dando apoio um ao outro, na tentativa de esquecer o passado.
  • Questão de honra (Tilai) (Burkina Faso, 1990, 81 min)
    Saga volta a aldeia depois de uma ausência de dois anos. Muitas coisas mudaram. Sua noiva Nogma é agora a segunda esposa de seu pai, mas Saga e Nogma ainda se amam. Transgredindo as leis, os dois jovens têm um caso.
Cena do filme Minga e a colher quebrada
África Infanto-juvenil
  • Sábado Cinema (Samedi Cinema)
    Direção: Mamadou Dia (Senegal, 2016, 12 min)
    Duas crianças escrevem cartas para conseguir dinheiro para ir ao cinema. Mas sábado é sua última chance de assistir ao filme, pois o único cinema da cidade vai exibir sua última sessão.
  • Minga e a colher quebrada
    Direção : Claye Edou (Camarões, 2017, 1h20)
    Minga é uma orfã que vive com sua madrasta Mami Kaba e sua meia-irmã Abena. Um dia, quando ela estava lavando pratos no rio, acidentalmente quebrou uma colher. A furiosa madrasta a expulsa de casa e exige que ela encontre a única colher idêntica escondida por sua falecida mãe. Começa a  jornada aventureira de Minga na floresta.

Sobre o Lobofest

O Lobo Fest chega a sua décima edição, de 23 a 30 de outubro, consolidado como um festival cujo principal desafio é apresentar ao público um abrangente panorama global do CINEMA DO PRESENTE com foco na pluralidade audiovisual – desde filmes curtíssimos até longas-metragens, passando por curtas e médias, atendendo, assim, à produção independente, às novas experimentações audiovisuais e abrindo janelas para cinematografias fora do circuito comercial, potencializando as novas linguagens.


Serviço:
“Sou África –  O Cinema Africano do Presente”
Cinema do CCBB (Setor de Clubes Sul, Trecho 2, Lote 22)
De 2 a 7 de outubro
Confira a programação e a classificação dos filmes no site: bb.com.br/cultura
Entrada franca mediante retirada de ingressos na bilheteria do CCBB
Endereço: SCES Trecho 2 – Brasília/DF  Tel.: 61 3108-7600
E-mail: [email protected]   Site: bb.com.br/cultura
Redes sociais: facebook.com/ccbb.brasilia e twitter.com/CCBB_DF

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