Programação Cine Brasília de 16 de agosto a 22 de agosto de 2018

Cine Brasília

Filme exuberante dirigido por Marc Dugain Troca de Rainhas é uma das grandes estreias desta semana no Cine Brasília

O filme se vale da absurda situação da troca de pequenos herdeiros para sustentar acordos políticos entre as monarquias francesa e espanhola para construir uma narrativa densa. O foco do filme é a insustentável pressão que recai sobre as crianças. Se por um lado a intenção de selar a paz por meio de herdeiros era comum na época, hoje em dia é possível ter uma visão completamente diferente desta situação. Optando por dar destaque ao noivado de Louis XV, de 11 anos, com Anna Maria Victoria, de 4 anos (sim, você leu certo), Troca de Rainhas impacta e incomoda. É um retrato fiel de um longo período em que esta prática política movia a tudo e a todos pela Europa. O desgaste emocional e físico nas crianças é trabalhado com enorme cuidado e refinamento no filme. Troca de Rainhas não só sustenta toda a expectativa dada a qualquer filme do gênero histórico como também entrega um deslumbrante resultado estético. As trocas que as crianças presenciam não são apenas físicas, são trocas do que elas eram para o que lhes vai ser imposto. 

Aproveitando o fato de estarmos apresentando o documentário Hilda Hilst Pede Contato, o Cine Brasília lança também Unicórnio, baseado em texto da mesma autora.  Responsável pelo belo Sudoeste (2011), que traz uma atuação arrebatadora de Simone Spoladore, com este seu segundo filme o diretor Eduardo Nunes já pode ser considerado um dos nomes mais marcantes do novo cinema autoral brasileiro. Como poucos, caminha numa linha perigosa entre o hermético demais e o transcendente, mas nunca deixa de tentar algo diferente e especial. Em Unicórnio, ele se utiliza de dois contos de Hilda Hilst para nos oferecer algumas das mais belas cenas do cinema nacional nos últimos anos. O filme começa de maneira absolutamente deslumbrante, sendo difícil não se envolver com a fotografia, com suas cores fortes e com o trabalho de som de Roberto de Oliveira.  O longa-metragem se apresenta como uma experiência audiovisual onde as cores nos oferecem uma visão única, como se estivéssemos entrando numa pintura de Vincent van Gogh. Da mesma forma, o som se insere no universo dos personagens, dando-lhes um caráter etéreo e poético.

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Permanece em nossa programação Tesnota. É antes de tudo um filme sobre a dificuldade de manter comportamentos mais modernos e viver sua própria vida dentro de uma comunidade tradicional. Sem a atriz Darya Zhovner no papel protagonista, seria um filme menor. O que mais surpreende é que é o seu primeiro papel no cinema. Destaque absoluto para essa artista excepcional. Além disso, este é um daqueles filmes onde um protagonista é confrontado com uma decisão difícil e passa a agir como se fosse possível se desvencilhar de seus sonhos e projetos de vida. Mas é um filme com um final feliz. A Rússia é tida no ocidente como um dos países mais bélicos no cenário geopolítico mundial. Tesnota, que se passa em 1998, numa pequenina cidade da região do Cáucaso, reforça esta visão numa circunstância histórica bem específica. Neste microcosmo, a jovem Ila (Darya Zhovner) tenta viver a vida do jeito que quer, entre disputas de religião, étnicas e familiais. Todo se passa numa comunidade tradicional, na oficina do pai da protagonista e isso está intimamente ligado a questão da mulher neste mundo tão particular.

Fazendo ponte com Unicórnio, permanece no Cine Brasília o singularíssimo documentário sobre a grande escritora e poeta Hilda Hilst, principal homenageada da FLIP em 2018. Ao filmar Hilda Hilst Pede Contato, Gabriela Greeb diz que fez um pacto com o além para rodar na Casa do Sol, chácara em Campinas onde a escritora paulista morava. A diretora relatou uma quantidade enorme de coisas estranhas que aconteceram durante as filmagens como, por exemplo, “lustres que balançavam” sem mais nem menos. Tudo isso tinha tudo a ver com o tema: na década de 1970, a distinguida escritora da Festa Literária de Paraty gravou em fitas tentavas de falar com os mortos. Isso mesmo, você não entendeu mal! Hilda, ela mesma dizia, buscava uma forma de domar a “angústia da finitude”. Ao encontrar uma caixa cheia dessas fitas cassetes, Greeb acreditou ter conseguido ver o filme inteirinho. A realizadora então conclama antigos amigos a relembrar, entre sorvidas de vinho e garfadas de espaguete (único prato que Hilda sabia cozinhar), suas vivências com a escritora. Impossível de perder esta obra única.

O Orgulho igualmente prossegue na grade de programação do nosso cinema. Elogiadíssimo pelos espectadores, o filme aborda de forma super interessante e original certos clichês do que muitos poderiam chamar de “cinema educacional”. Mas o filme está muito longe disso. O diretor Yvan Attal enfrenta reflexivamente as questões sociais e políticas colocadas pelo filme, provocando debates e, sobretudo, inquietação entre os espectadores. Esta obra potente rendeu mais de 1 milhão de espectadores em seu país de origem! No papel de protagonista, como Neila Salah, Camélia Jordana levou o César de Melhor Atriz Revelação 2018, o Oscar do cinema francês. Várias razões contribuíram para isso. Em primeiro lugar, sua espontaneidade, depois o caráter popular do filme. Os efeitos cômicos desta obra demonstram que nem sempre a sisudez é o melhor caminho para a construção de narrativas com temas sérios e refinadamente elaboradas. Cabe destacar que Camélia Jordana, a jovem estrela de 25 anos, é cantora, com três álbuns lançados, tendo recebido da revista Vanity Fair o título de “Madonna do cinema francês”, por sua versatilidade e por sua personalidade contagiante e engajada.

Programação

Quinta-Feira (16/08)
  • 13h50 – Hilda Hilst Pede Contato
  • 15h10 – O Orgulho
  • 16h50 – Unicórnio
  • 18h50 – Troca de Rainhas
  • 20h40 – Tesnota
Sexta-Feira (17/08)
  • 13h50 – Hilda Hilst Pede Contato
  • 15h10 – O Orgulho
  • 16h50 – Unicórnio
  • 18h50 – Troca de Rainhas
  • 20h40 – Tesnota
Sábado (18/08)
  • 13h50 – Hilda Hilst Pede Contato
  • 15h10 – O Orgulho
  • 16h50 – Unicórnio
  • 18h50 – Troca de Rainhas
  • 20h40 – Tesnota
Domingo (19/08)
  • 13h50 – Hilda Hilst Pede Contato
  • 15h10 – O Orgulho
  • 16h50 – Unicórnio
  • 18h50 – Troca de Rainhas
  • 20h40 – Tesnota
Segunda-Feira (20/08)
  • 18h50 – Troca de Rainhas
  • 20h40 – Tesnota
Terça-Feira (21/08)

(NÃO HAVERÁ SESSÃO)

Quarta-Feira (22/08)
  • 13h50 – Hilda Hilst Pede Contato
  • 15h10 – O Orgulho
  • 16h50 – Unicórnio
  • 18h50 – Troca de Rainhas
  • 20h40 – Tesnota

SERVIÇO
Ingressos: R$ 12,00 (inteira)  R$ 6,00 (meia entrada)

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