Festa MADNESS traz a Brasília Aretha Sadick, muiltiartista LGBT destaque na cena alternativa de São Paulo

Festa MADNESS

Ativista trans e negra, se apresenta ao vivo com a beatmaker Raiany Sinara (Coletivo BeatBrasilis-SP), e lança sua música-manifesto “Boneca Terrorista”

Na próxima sexta-feira (30), o Canteiro Central recebe a MADNESS em sua segunda edição, com o tema “Reexistência”. A festa tem a proposta de fomentar na capital federal uma nova cena inspirada no movimento Club Kid novaiorquino, forte influenciador da contracultura nas décadas de 1980 e 1990. Como atração principal, a produção traz de São Paulo a multiartista Aretha Sadick, nome forte da cena underground, responsável pela abertura da São Paulo Fashion Week no ano passado. Ela vem acompanhada da produtora musical e beatmaker Raiany Sinara, do coletivo BeatBrasilis. O line up conta ainda com a DJ Cxxju – idealizadora do selo SUJO – e os residentes e produtores Le Caracortada e Wilker Leal.

Artista e ativista, Aretha Sadick tem como plataformas a performance, a moda e a música eletrônica para potencializar sua voz enquanto uma pessoa trans e negra no Brasil. Em sua carreira, já participou de diversas residências artísticas – incluindo no Victoria & Albert Museum, de Londres -, além de frequentemente ser vista em filmes, desfiles, editoriais, debates e palestras.

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Em 2016, passou a integrar a coletividade.NÁMÌBIÀ, que promove a reconexão de artistas visuais e musicais negros com a música eletrônica. Iniciou produzindo um pocket show em que reinterpretava canções de Grace Jones, partindo na sequência para uma produção mais autoral. Se apresentou ainda em grandes eventos da agenda paulistana, como a Virada Cultural, SP na Rua, De|generadas (SESC Santana), os festivais MixBrasil, de Arte Contemporânea SESC_VideoBrasil, YAGA e nas renomadas festas Carlos Capslock e Mamba Negra, que hoje circulam por todo o país.

Ao lado dela estará a jovem artista lésbica Raiany Sinara, que faz parte do BeatBrasilis, coletivo que pesquisa samples a partir de discos de vinil e realiza performances de live beats. Ela também integra a primeira e única orquestra do gênero no mundo, a BeatBrasilis Orquestra, que estreou em 20 de outubro em um show com participações das cantoras Tulipa Ruis e Anelis Assumpção.

Uma prévia da apresentação pode ser conferida no videoclipe “Boneca Terrorista”, música lançada por Aretha em parceria com o DJ e produtor Adalu, como parte de um EP homônimo que questiona esteticamente o lugar da moda que, segundo a artista, é muito libertador mas, ao mesmo tempo, reforça padrões. “A boneca terrorista vai na contramão disso, valorizando esses outros corpos que temos visto na mídia e nas passarelas”.

Assista

“O importante é reexistir!”

O tema da festa tem como referência o pensamento de José Celso Martinez Corrêa, importante teatrólogo e fundador do Teatro Oficina (SP), contrário ao uso do termo “resistência” para situações de conflito político. “Quando o inimigo muda, é preciso mudar também. A mudança exige uma nova estratégia. Não adianta apenas resistir. O importante é reexistir!”, como costuma dizer em entrevistas.

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Pensando nisso, os produtores Le Caracortada e Wilker Leal propuseram criar uma festa que serve como canal para que a comunidade LGBT do DF canalize sua criatividade e irreverência a fim de reforçar sua autoestima e enfrentar esse momento de forte conservadorismo. “Nunca foi fácil ser travesti, transexual, sapatão e veado no Brasil, e não vai ser agora que vamos recuar. Vamos mostrar aos que estão no poder que nós sabemos e podemos ser ainda mais ‘bixas’ do que já somos”, conta Caracortada, nome artístico do jornalista e DJ paulista Leandro Rodrigues, que mora há cinco anos em Brasília e, antes disso, participava da organização da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo.

Para seu parceiro, Wilker Leal, a festa marca uma posição importante neste atual cenário e mostra como a arte, a cultura e a música podem servir como armas contra a opressão. “Se música é arte, somos apreciadores e produtores de arte. E como tal, nós e o público merecemos o direito de exercer nossa cultura e cidadania sem abaixar a cabeça para qualquer tipo de ameaça”, completa.

Ambos convidam os participantes a entrarem no clima da proposta e saírem de casa caprichando na “montação”. Caracortada explica que  “a ideia é criar um espaço para que todos possam ser aquilo que são e o que querem ser, se desconstruir e quebrar os estigmas normativos da sociedade”. É por isso que a MADNESS tem como referência o movimento Club Kid, criado pelo polêmico promoter norte-americano Michael Alig (eternizado no cinema por Macaulay Culkin no cult moderno “Party Monster”, de 2003). Grande influenciador da moda, da música e da linguagem urbana no auge da cena clubber, foi de onde nasceram nomes de artistas hoje reconhecidos do público LGBT, como RuPaul, Lady Bunny, Amanda Lepore e James St. James.

Além da montação e da performance, a festa reverencia diversos gêneros de música eletrônica, como techno, house e electro, fazendo uma mistura com ritmos sintetizados, a exemplo do new wave, a disco e o synthpop.

Urbana

A festa MADNESS está sendo realizada em parceria com o Instituto Cultura Arte Memória LGBT+, que promove do dia 30 de novembro até o dia 2 de dezembro o Urbana: o Corpo e a Criação da Liberdade, na Casa de Cultura da América Latina. Com o foco na potência dos corpos na ocupação do espaço urbano, oferece oficinas gratuitas de danças urbanas em uma jornada que encontra o vogue, o passinho, o twerking, o pagode e as danças sagradas afro-diaspóricas.

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O evento celebra ainda a inauguração do Ateliê de Dança “Carlinhos Machado”, espaço dedicado à memória e ao fomento das danças LGBT, que marca o início da ocupação do centro de Brasília como parte do projeto de extensão “SCS: território LGBT+”. O nome homenageia o dançarino e coreógrafo também conhecido como Lotinha, integrante do grupo de teatro musical carioca Dzi Croquettes, famoso no Brasil por ser o primeiro dar destaque para a arte transformista em plena ditadura militar. Carlinhos foi brutalmente assassinado em 1987, vítima de homofobia.

A festa conta ainda com apoio do coletivo No Setor, forte agitador cultural do Setor Comercial Sul, e da casa de espetáculos Canteiro Central.


SERVIÇO
MADNESS 2 :: яеэxisтêпсiа – Com Aretha Sadick e Raiany Sinara (SP)
Sexta, 30 de novembro, a partir das 23h
Canteiro Central – Setor Comercial Sul, Quadra 3, Bloco A, Asa Sul
Ingressos: R$ 20 antecipado pelo Sympla, R$ 30 na bilheteria
Proibida a entrada de menores de 18 anos
Mais informações: www.facebook.com/events/360017004558497

Urbana: o Corpo e a Criação da Liberdade
De sexta, 30 de novembro, a domingo, 2 de dezembro
Casa da Cultura da América Latina –  Setor Comercial Sul, Quadra 4, Ed. Anápolis, Asa Sul
Entrada gratuita
Mais informações: https://www.facebook.com/events/2130411247275491/

BDF na Rede

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