HomeEntretenimentoLiteraturaRatanabá: Lenda, engodo ou Fantasia?

Ratanabá: Lenda, engodo ou Fantasia?

Segundo arqueólogos a hipótese de uma 'cidade perdida na Amazônia' não faz sentido, mas para os escritores de fantasia...faz muito sentido!
Ratanabá: Lenda, engodo ou Fantasia?

Ratanabá: Lenda, engodo ou Fantasia?

Por Gilberto Rios
Especial para o Brasília de Fato

A Lenda!

Diferentemente das várias teorias da conspiração existentes sobre o caso, os escritores de fantasia embarcaram nesta viagem, afinal o passaporte para o bilhete seria apenas “usar a sua imaginação”. Ninguém no mundo da fantasia esta interessado em explicar nada e este papo seria para os arqueólogos de plantão e a suposta descoberta de Ratanabá, uma civilização secreta no coração da Amazônia que vem dando panos para mangas e retalhos para capangas no “mundo cientifico”, tomou as rede sociais uma velocidade impressionante, tudo isto em tempos modernos das plataformas, só podia viralizar e aguçar os escritores de fantasia.

Segundo relato dos seus “descobridores” a cidade seria “maior que a Grande São Paulo”, e pasmem, “a capital do mundo” e que “esconde muita riqueza, como esculturas de ouro e tecnologias avançadas de nossos ancestrais”, um senhor prato para o imaginário popular.

Nesta discussão, surge um personagem do mundo real, o arqueólogo Eduardo Goés Neves, professor do Centro de Estudos Ameríndios da Universidade de São Paulo (USP), ele é o Coordenador do Laboratório de Arqueologia dos Trópicos do Museu de Arqueologia e Etnologia USP. Goés em matéria para BBC News para o jornalista André Biernath, classificou tudo isso como um “delírio”, e como um escritor de fantasia sou obrigado a discordar e vamos lá.

Na avaliação de Goés, o surgimento de histórias como a de Ratanabá, que não tem fundamento algum nas publicações científicas, presta um “desserviço à arqueologia”, pode até ser. Mas, ele esta se esquecendo que há mais de 20 anos, os arqueólogos que atuam na região defendiam a existência de cidades na Amazônia, mas isso era visto como coisa de maluco e, Ratanabá apimentou a discussão.

Com o passar do tempo, a perspectiva foi mudando e a comunidade acadêmica começou a aceitar que, sim, existem evidências de sítios de grande dimensão, estradas e aterros construídos há muito tempo. “Estas descobertas, não têm nada a ver com civilizações antigas ou tesouros ocultos”, concluiu Eduardo Goés para a matéria da BBC News, será?

Mapeamento a laser descobre construções medievais na Amazônia

O engodo!

A cidade perdida chama-se Ratanabá e vem tirando o sono dos internautas. Isso porque pesquisadores da Alemanha afirmaram que descobriram “cidades” na Amazônia que datam da era pré-colonial. O achado, inédito, foi descrito em um estudo publicado na revista “Nature”. “Esta é a primeira evidência clara de que havia sociedades urbanas nesta parte da Bacia Amazônica”, afirmou Jonas Gregorio de Souza, arqueólogo da Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona – Espanha, em entrevista à “Nature”, ele não participou do estudo. Para encontrar os novos assentamentos, os cientistas usaram uma tecnologia chamada “lidar”, um mapeamento a laser aéreo que funciona disparando feixes infravermelhos de um avião, helicóptero ou drone em direção à superfície e capturando os sinais refletidos.

Esse método usado, permite que a vegetação seja ‘removida’ virtualmente para visualizar a terra e a arqueologia abaixo das árvores. “Nossos resultados derrubam os argumentos de que a Amazônia ocidental era escassamente povoada em tempos pré-hispânicos”, dizem os autores no estudo.

Christopher T. Fisher, professor de antropologia na Universidade Estadual do Colorado, nos Estados Unidos, avaliou que os dados “apontam para populações densas”, paisagens geradas pelo homem, centros com arquitetura monumental e uma complexa hierarquia de assentamentos que podem ser indicativos de sociedades de “nível de Estado”, contradizendo percepções anteriores de que as populações da região eram pequenas e de desenvolvimento limitado. Fisher não participou do estudo, seria tudo isto então um engodo?

Urandir Fernandes de Oliveira

A Fantasia!

Pesquisadores apontam que o marco de Touros, fincado na Praia do Marco, hoje região do município de São Miguel do Gostoso no Rio Grande do Norte, seria o local exato do descobrimento do Brasil pelos portugueses por volta de 1498, e não em Porto Seguro na Bahia, como nos ensinam os livros de histórias.

Os estudiosos plantonistas nunca haviam atentado para a esta possibilidade de o Rio Grande do Norte, esquina do continente e com parte do seu litoral entrando, de forma proeminente, no oceano Atlântico, ter sido o local de desembarque da esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral. Existem algumas evidências que corroboram a tese do Descobrimento do Brasil ter ocorrido no território potiguar. Esta discussão vem junto com outros estudiosos que apontam Cabo de Santo Agostinho no Pernambuco com o desembarque de Cabral.

Pelo sim ou pelo não, Ratanabá vem no reboque de uma grande “descoberta” midiática ou não do nosso século. O nosso Cabral nos trás os ditames de um “assentamento urbano de baixa densidade” que alguns dizem pertenceram à cultura Casarabe, uma civilização que se desenvolveu no sudoeste da Amazônia boliviana no período de 500 a 1400 d.C. Antes da descoberta, havia evidências apenas de locais isolados, pois a vegetação densa dificultava o mapeamento das florestas tropicais.

Como não se apropriar desta fantasia se há mais de 20 anos, os arqueólogos que atuam na região defendem a existência de cidades na Amazônia? Histórias como a de Ratanabá, pode até parecer que não tem fundamento para a comunidade científica e pode até parecer que presta um “desserviço à arqueologia”. Mas, elas são recheadas de emoções no mundo da fantasia e mexe com a criatividade do imaginário popular, onde as descobertas de civilizações antigas ou tesouros ocultos fazem parte do universo da fantasia.

O primeiro detalhe que chama a atenção dos escritores sobre Ratanabá são as datas utilizadas, segundo os envolvidos nesta “descoberta”, está escrito que a civilização teria existido ali há 350, 450 ou até 600 milhões de anos, alguém se lembra de quando os dinossauros foram extintos?

Algumas evidências da possível nova cidade teriam sido encontradas por pesquisadores da Dakila Ecossistema, uma entidade, liderada pelo empresário e cientista Urandir Fernandes de Oliveira, com sede na cidade de Zigurats, região de Corguinho, a cerca de 95 quilômetros de Campo Grande/MS. Dentre os achados, estão artefatos de metal e cerâmica que teriam sido encontrados em galerias subterrâneas do Real Forte Príncipe da Beira, um forte localizado no município de Costa Marques, no estado de Rondônia. Ainda segundo a teoria, este forte seria uma das entradas para esta rota de túneis secretos.

Apesar da história sobre Ratanabá só ter ganhado destaque nos últimos dias, algumas notícias relacionadas à cidade já circulavam na internet há pelo menos dois anos sem este escarcéu todo. Em alguns blogs, o suposto descobrimento da civilização perdida soterrada na Amazônia já era debatido, com direito a fotos de excursões realizadas no Norte do país. Segundo a teoria, existe uma rota de túneis subterrâneos que se estenderiam por toda a América do Sul e se ligariam à cidade futurista, supostamente a mais desenvolvida e rica como jamais visto antes.

Então, como não se apropriar de uma história tão interessante na literatura. Gostou? Escreva a sua estória porque eu, já escrevi a minha e Ratanabá se encontra lá!

Tags
Send this to a friend