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O Brasil descobre o Inhotim

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Maior museu a céu aberto da América do Sul, com um dos mais relevantes acervos de arte contemporânea do mundo, e parque botânico com coleção de espécies raras de todos os continentes, completa 11 anos com ares de maioridade

Uma estrada vicinal, de asfalto ruim e cheio de quebra-molas, corta a parte oeste da Serra do Espinhaço, única cordilheira do Brasil, e separa a parte urbana da pacata cidade de Brumadinho da zona rural do município mineiro. Distante cerca de 60 km do centro de Belo Horizonte, o caminho é típico de paisagem de interior, com pequenas vendas, fazendas e gados espalhados pelos pastos.
Depois de hora e meia de trânsito a partir de Belo Horizonte chega-se ao Instituto Inhotim, uma espécie de “Disneylandia” das obras de artes e da natureza.

O acesso ao instituto é atrapalhado pela falta de indicação nas estradas. Mas quem chega ao Inhotim está diante do maior museu de arte contemporânea a céu aberto da América do Sul.

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No Inhotim, a natureza em estado bruto está em completa interação com a arte. O terreno de 140 hectares de vegetação, equivalente a mais de cem campos de futebol, abriga também um jardim botânico que contabiliza cerca de 4.500 espécies de plantas do mundo inteiro e 28% das famílias botânicas conhecidas no planeta.

Destacam-se uma das maiores coleções de palmeiras do mundo, que soma mais de 800 espécies, além das extravagantes plantas carnívoras, de diversas espécies de orquídeas, plantas medicinais e aromáticas. “Aqui se misturam às perspectivas da beleza e da natureza com a ajuda da mão humana”, explica Bernardo Paz, fundador do espaço.

Seu projeto para a instituição é enfatizar o perfil de um local que celebra e discute a vida, articulando passado, presente e futuro. Empresário mineiro do setor de mineração, Bernardo Paz é um colecionador e apreciador de arte moderna que, em meados da década de 1980, após sofrer um AVC e ir viver na fazenda para se cuidar, começou a trocar sua coleção de arte convencional por obras de artistas contemporâneos. “Aqui é um lugar onde você chega angustiado, estressado e sai feliz”, afirma Paz.

História

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No período colonial, a região serviu como palco de disputas entre bandeirantes e portugueses em lutas fratricidas pelo ouro. A história também registra várias versões para o significado da palavra Inhotim.

Uma das citações mais conhecidas relaciona o nome a um minerador inglês, o “Sir Timothy”, que teria morado na área ocupada hoje pelo Instituto. Dizem os moradores da região que o pronome “Sir” foi traduzido para o português brasileiro como “senhor”, que na língua falada em Minas Gerais, em especial naquela região, que abrigou três grandes quilombos, ganhou o som “inhô”. Assim, “Sir Timothy” transformou-se em “inhô tim”, que virou Inhotim.

Histórias à parte, com apenas 11 anos de fundação, o Instituto vem ganhando cada vez mais espaço no coração dos brasileiros. “Partimos de 20 visitantes em 2002 para mais de 15 mil pessoas ao dia no último mês de julho”, afirma Lucas Sigefredo, diretor do jardim botânico.

O museu tem 23 galerias de artistas alinhadas com a natureza, sete jardins temáticos e quatro lagos artificiais. Muitos museus do mundo oferecem experiências sensoriais, mas poucos são os que conseguem isso com tanta perfeição como o Inhotim.

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Para ir de uma atração à outra é necessário percorrer um espaço repleto de paisagismo e mata nativa. O acervo de arte, distribuído de forma muita harmônica por cerca de um milhão de metros quadrados de mata atlântica, reúne mais de 1.300 obras – cerca de 700 estão expostas ao público – de artistas de renome nacional e internacional, como Adriana Varejão, Cildo Meireles, Chris Burden, Dan Graham, Doug Aitken, Edgard se Souza, Hélio Oiticica, Jarbas Lopes, Yayoi Kusama, Tunga, Waltério Caldas, Zhang Huan, entre outros. “Não é possível construir obras enormes e interativas em museus dentro de cidade. Intuitivamente, fui construindo os pavilhões, colocando as obras; trouxe artistas para escolherem onde queriam colocar as obras”, conta Bernardo Paz.

O fundador entende que a experiência do Inhotim está em grande parte associada ao desenvolvimento de uma relação espacial entre arte e natureza, que possibilita aos artistas criarem e exibirem suas obras em condições únicas. O espectador é convidado a percorrer jardins, paisagens de florestas e ambientes rurais, perdendo-se entre lagos, trilhas, montanhas e vales, estabelecendo uma vivência ativa do espaço.

Planeje-se

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É preciso no mínimo um dia inteiro para visitar todo o complexo do Instituto Inhotim. Não existe restrição de idade. Apesar do Inhotim recomendar a visita a pé, se você não tem um bom condicionamento físico e não dispõe de mais dias para apreciar toda beleza do museu e jardim botânico, alterne as caminhadas com o transporte interno feitos por carrinhos elétricos, antecipadamente pagos na entrada (28 reais, por pessoa).

O ideal, para uma visita sossegada é dispor de dois dias inteiros, desde a abertura do complexo cultural, às 9h30min até seu encerramento, às 16h30min, em dias de semana. Nos finais de semana o encerramento se dá às 17h30min e nas segundas-feiras, como ocorre com muitos museus, o Inhotim fica fechado. Detalhe importante: na quarta-feira a entrada é gratuita, isso se o dia não cair em feriado.

Onde ficar

O município de Brumadinho tem uma grande variedade de hotéis, pousadas e até um hostel, com diárias que variam entre mais de mil reais (Pousada Estalagem do Mirante, com clima romântico, hidromassagem e vista para a serra), e R$ 50,00 no Hostel (70 por pessoa, com café da manhã.

Outra opção é ficar na capital, Belo Horizonte. Uma boa região para ficar é na Savassi, perto da Praça da Liberdade. Essa área tem várias opções de bares e restaurantes e vida noturna agitada. A Belvitur é a agência oficial do Inhotim. Nela os vistantes podem conhecer todos os serviços oferecidos para sua experiência no parque. No entanto, não é necessário já que tudo dá para fazer por conta própria.

Além do Inhotim

O Inhotim fica no Vale do Paraopeba, conhecido como o “vale do charme”. Uma de suas atrações é a Rota da Cachaça, passeio oferecido por operadoras de turismo que leva grupos para conhecer a produção de cachaça local e ainda aprender sobre a história da produção na região.

Aos admiradores de programas radicais, o museu e jardim botânico ficam entre as serras do Rola Moça, Calçada e Moeda. Lá é possível praticar mountain bike, voar de asa-delta, paraglider e em balões. A região é repleta de mirantes e trilhas para caminhada. Na cidade encontram-se vários guias que levam os turistas para essas experiências do além Inhotim.

Como chegar

Se você desembarcar no aeroporto de Confins (Belo Horizonte), pode optar por alugar um carro (por volta de R$ 130,00 a diária de modelos populares) ou pegar um transfer de empresas turísticas que levam diretamente para a cidade.

Sem carro, uma forma econômica é pegar um ônibus convencional no aeroporto para a rodoviária de Belo Horizonte (R$ 12,50) e de lá apanhar o ônibus da Saritur direto para o Inhotim (R$ 36,20). A dica é comprar com antecedência, pois há apenas uma saída diária, às 8h15. Há um serviço de vans que vão para o Instituto (R$ 66,00 ida e volta). Outra opção é pegar um ônibus direto para Brumadinho, que sai de três em três horas (R$ 20,30), e de lá pegar uma lotação até o museu (R$ 2,40).

Caso faça a opção de sair de carro do aeroporto de Confins, siga pela Fernão Dias (BR 381) no sentido São Paulo, via Betim. O mesmo trajeto vale para quem sai do centro de BH. É melhor usar um GPS, pois não existem sinalizações na estrada. A única placa na BR 381 que indica o Instituto, na rota de BH para Brumadinho, está depois da entrada na BR 381.

O acesso ao instituto é atrapalhado pela falta de indicação nas estradas. Mas quem chega ao Inhotim está diante do maior museu de arte contemporânea a céu aberto da América do Sul.

Alan Marques
IstoÉ

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