Hebe – A Estrela do Brasil aborda enfrentamento à censura

O Brasil havia acabado de sair da ditadura militar, mas não estava livre de episódios de censura

O longa “Hebe: A estrela do Brasil” (direção de Maurício Farias e roteiro de Carolina Kotscho), que estreia nesta semana nos cinemas, faz um recorte temporal sobre a história da apresentadora (interpretada por Andréa Beltrão) com seus 40 anos de carreira e os problemas que enfrentava principalmente nos anos 1980. O Brasil havia acabado de sair da ditadura militar, mas não estava livre de episódios de censura. Essa parte é retratada com detalhes durante a obra, além da forma como a artista lidava para poder realizar o que mais amava: se comunicar de maneira livre. A cinebiografia de um personagem controverso como Hebe mistura posições conservadoras, mas também libertárias da personagem.

Considerada a “Rainha” da Televisão Brasileira, Hebe, que utilizava a expressão “gracinha” para os entrevistados, começou a trabalhar aos 14 anos e de carteira assinada, como costumava dizer. Iniciou sua carreira na década de 40 como cantora de rádio e, nos anos 50, estreou “O Mundo é das Mulheres” sendo o primeiro programa feminino da TV Brasileira. 

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Hebe tinha uma personalidade forte e era uma mulher à frente de seu tempo. O longa apresenta como ela era repreendida por trazer pautas consideradas polêmicas, nos programas em que apresentou. No filme, a presença de Dercy Gonçalves (Stella Miranda) e Chacrinha (Otávio Augusto) representam alguns desses momentos. Mesmo após começar a trabalhar com Silvio Santos (Daniel Boaventura), fazia questão de continuar sendo a apresentadora que dava espaço e voz para as minorias excluídas da sociedade. Apesar de pertencer a uma classe social privilegiada, pensava no próximo e reforçava o respeito. Além disso, fazia severas críticas quando necessária sobre política, preconceitos e desigualdade.

No longa, conhecemos também seus relacionamentos, tanto amoroso, como de mãe, tia,  amiga e fã. Hebe foi casada duas vezes. O primeiro marido dela foi Décio Capuano (Gabriel Braga Nunes), pai de seu único filho Marcelo (Caio Horowicz). O segundo matrimônio foi com Lélio Ravagnani (Marco Ricca), em que ficou casada por 29 anos. Mesmo trabalhando muito, Hebe é representada como uma mãe carinhosa, amorosa e presente na vida do filho.

O relacionamento com Lélio é apresentado como conturbado, devido aos ataques de ciúmes doentio, no qual ele se o mostra como um homem abusivo pela forma agressiva e violenta. Como amiga, Hebe era presente. A relação que teve ao longo de 15 anos com seu cabeleireiro pessoal Carlucho (Ivo Müller) é emocionante. Devido à vida boêmia que tinha, adorava passar o tempo se divertindo ao lado de suas duas melhores amigas Nair Bello (Claudia Missura) e Lolita Rodrigues (Karine Teles) onde formavam o trio inseparável. Os momentos que retratavam a admiração que a apresentadora tinha pelo “rei” Roberto Carlos (Felipe Rocha), do qual era muito fã, são únicos também.

A atriz Andréa Beltrão incorpora a apresentadora de uma forma especial. Apesar de não ser visualmente parecida sua postura, o olhar e até mesmo o sotaque paulista de falar, mesmo sendo carioca, nos faz perceber o quanto Andréa se esforçou. No geral, o elenco do filme consegue convencer.  Mesmo fãs que assistiam ao programa poderá ter saudade e se surpreenderem com uma pessoa que não conheciam. 

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