Apesar das críticas de Bolsonaro, Renda Brasil será ajustado segundo as determinações do presidente

Guedes queria extinguir benefícios como o abono salarial para abrir caminho no Orçamento a um benefício de maior valor para a população mais carente

Com a tarefa de entregar um novo desenho do programa Renda Brasil até a próxima sexta-feira, 28, a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, buscou colocar panos quentes nas duras críticas feitas na última quarta-feira, 26, pelo presidente Jair Bolsonaro à proposta inicial de reformulação dos gastos sociais.

Guedes queria extinguir benefícios como o abono salarial para abrir caminho no Orçamento a um benefício de maior valor para a população mais carente, mas Bolsonaro avisou que não vai “tirar de pobres para dar a paupérrimos” e exigiu um novo plano.

Entre técnicos da área econômica, a ordem agora é focar nas alternativas de revisão de gastos para bancar o novo programa, que será a marca social do governo, sem alimentar os rumores de desembarque de Guedes que tomaram conta do mercado financeiro na última quarta após a fala do presidente e que precisaram ser desmentidos pela assessoria de imprensa do Ministério da Economia.

O ministro, segundo seus auxiliares, tocou normalmente a sua agenda mesmo depois da estocada pública de Bolsonaro. Mas, no mesmo dia dos boatos sobre sua saída, não deixou de brincar com um suposto “complô” para retirá-lo do cargo.

Ao comentar que teria uma reunião com secretários estaduais de Fazenda seguida de uma reunião com prefeitos, Guedes riu e, de acordo com duas pessoas que acompanharam o encontro, disse: “Tem um complô pra me derrubar em Brasília”.

Auxiliares do ministro dizem que o barulho em torno das declarações de Bolsonaro na última quarta é “espuma” e que uma nova proposta será apresentada, ajustada às determinações do presidente.

Dentro da equipe, a percepção é que o presidente “não é o mais gentil com as palavras”, mas que o tempo será um aliado na discussão do desenho final do Renda Brasil. Na equipe econômica, a visão é que, sem mexer no abono salarial, não há tanto espaço para ampliar o valor do novo benefício, que substituirá o Bolsa Família. Uma ala já admite que não haverá como ampliar muito o alcance e o valor do programa, dada a necessidade de respeitar o teto de gastos, que limita o avanço das despesas à inflação.

O maior impasse é o fato de Bolsonaro querer o Renda Brasil para turbinar sua popularidade e pavimentar o caminho para sua reeleição em 2022, ao mesmo tempo em que rejeita qualquer ônus político de mexer em gastos sociais considerados ineficientes. O custo político do plano da Economia é considerado alto para quem quer ser popular.

O temor na área econômica é que a discussão sobre o Renda Brasil se torne uma ameaça ao teto de gastos, que tem sido a âncora de confiança dos investidores num momento de forte elevação de despesas e um rombo histórico nas contas públicas.

Dentro do próprio governo, integrantes da Casa Civil, ministros e auxiliares diretos do presidente já reclamaram da “visão fiscalista” do Ministério da Economia e da falta de um contraponto econômico dentro do governo, como havia antes da criação do superministério sob a alçada de Guedes.

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