Consórcio fará corvetas por até US$ 2 bilhões

O valor da proposta é estimado entre US$ 1.6 bilhão e US$ 2 bilhões. A conta exata depende de ajustes ainda em discussão.

O consórcio Águas Azuis, liderado pelos grupos Thyssenkrupp Marine Systems GmbH, Embraer S.A. e ATECH Negócios em Tecnologias S.A., foi selecionado pela Marinha do Brasil para a construção de quatro novas corvetas lançadoras de mísseis da classe Tamandaré, dentro do programa estratégico de reequipamento da força naval. 

O produto final toma como referência a corveta alemã Meko A100, sobre a plataforma de especificações definida pelos especialistas da MB. Em relação ao perfil original, houve alterações. O deslocamento passou de 2,7 mil toneladas para 3,455 toneladas, o comprimento de 103,4 metros para 107,2 e a largura máxima ganhou cerca de 4 metros, cresceu até os 15,95 metros. O armamento continua abrangente – dois tipos de mísseis, torpedos pesados, canhão rápido e metralhadoras. Os sistemas digitais embarcados são avançados. O navio adota soluções de desenho e de revestimento para reduzir a forma como é detectado pelos radares e sensores de rastreamento – a classe Tamandaré terá capacidade “stealth”, destinada a dificultar a busca de um eventual inimigo.

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Participaram da fase final do processo de escolha quatro organizações internacionais integradas a ‘clusters’ de empresas brasileiras. A associação Águas Azuis tem três subcontratados: Atlas Elektronik, Estaleiro Aliança S.A. e L3 MAPPS. O contrato será assinado até o final do ano. A entrega do primeiro navio está prevista para 2024. A última corveta desse lote será recebida em 2028. A Marinha estuda a construção, a longo prazo, de até 12 unidades da série Tamandaré. Entretanto, nenhuma decisão a esse respeito sairá antes de 2023, disse ontem ao jornal O Estado de S. Paulo um integrante do Almirantado.

A decisão da Marinha foi levada ontem de manhã ao presidente Jair Bolsonaro pelo comandante da MB, almirante Ilques Barbosa Junior. O estaleiro Aliança, de onde sairão os navios, fica em Niterói, no Rio de Janeiro, e ocupa área de 61 mil m². A avaliação da Marinha é que o programa atual possa gerar 2 mil empregos diretos e até 6 mil indiretos. O índice de conteúdo local, ou seja, atendido no País por empresas nacionais, será de 31,6% no primeiro navio e acima de 41% nos outros três. Toda a tecnologia sensível será transferida, “mas da forma certa, com o pessoal trabalhando junto o tempo todo, e não do jeito errado, que é a entrega de toneladas de dados sem que se saiba o que fazer com aquela massa bonita que acaba virando vídeo game de engenheiro”, analisou um funcionário da área técnica da Embraer, a sócia brasileira da Thyssenkrupp.

O capital do complexo empresarial alemão tem um significativo lastro, o bom saldo do ciclo dos navios da família Meko, caracterizada pelo múltiplo emprego. O primeiro a entrar em operação, uma fragata, foi lançado há 37 anos. Atualmente, 82 exemplares de diferentes tipos integram esquadras de combate de 14 nações. Em nota, a empresa destaca que o conceito modular seguido implica redução no tempo da construção e dos riscos nos procedimentos de integração.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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