Diretor da OMC alerta para riscos ‘sérios’ de escalada em guerra comercial

Uma escalada na disputa comercial entre Estados Unidos e China poderia atrapalhar a recuperação econômica global e “colocar muitos empregos em risco”, alertou o diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, nesta sexta-feira (20).

Um enfrentamento comercial aberto entre “atores principais pode tirar dos trilhos a recuperação que vimos nos últimos anos, ameaçando a atual expansão econômica e colocando muitos empregos em risco”, afirmou o brasileiro diante do Comitê Financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI).

“É impossível mapear corretamente os efeitos de uma escalada generalizada (de tensões comerciais), mas claramente serão muito sérias”, acrescentou o diplomata brasileiro.

Na opinião de Azevêdo, a maior ameaça ao desempenho da economia global está nas “crescentes tensões comerciais e a possibilidade de que entremos em uma sequência de medidas unilaterais e de represálias, que geram incerteza para o comércio mundial e o crescimento”.

A dura advertência de Azevêdo é a mais firme reação da OMC até agora à escalada de tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

A disputa começou no mês passado, quando Washington anunciou a decisão de impor tarifas sobre as importações de aço e alumínio. A decisão recebeu duras respostas da China e da União Europeia.

Contudo, os Estados Unidos foram além e anunciaram um pacote de taxas sobre produtos chineses de 50 bilhões de dólares.

Em resposta, a China adotou tarifas pesadas sobre a soja e o sorgo proveniente dos Estados Unidos, aproximando-se assim do coração do comércio bilateral, o sensível segmento dos produtos agrícolas.

Além disso, os dois países iniciaram painéis recíprocos no âmbito da OMC.

– Insistir na ‘cooperação’ –

Em sua apresentação nesta sexta, Azevêdo apontou que a “cooperação global será essencial” para conter as tensões comerciais, e reforçou que a OMC “desempenhará seu papel neste processo”.

“Inclusive, é possível dizer que, sem a OMC, uma onda de medidas protecionistas teriam sido estimuladas pela crise de 2008, agravando significativamente os efeitos econômicos daquele cenário”, apontou o brasileiro.

A preocupante escalada de tensões comerciais entre Washington e Pequim tornou-se o assunto predominante na reunião de primavera boreal entre o FMI e o Banco Mundial, em Washington.

Já na abertura do evento, na quinta-feira, a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, afirmou que a economia global atravessava um momento de “crescimento sólido”, mas alertou que há “nuvens no horizonte”, e que a mais preocupante delas era o risco de uma guerra comercial generalizada.

Nesta sexta, o secretário americano do Tesouro, Steven Mnuchin, apenas questionou as “práticas comerciais desleais”, uma acusação que Washington usa como justificativa para suas medidas contra a China.

“Acreditamos firmemente que as práticas desleais do comércio global impedem um crescimento mais forte dos Estados Unidos e a nível global, já que atuam como um lastro persistente à economia mundial”, indicou Mnuchin.

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