Construtoras médias focam no mercado para ganhar espaço das tradicionais

Nos últimos anos, as construtoras médias e focadas no segmento econômico abocanharam espaços das grandes tradicionais do mercado, que acabaram encolhendo.

De acordo com levantamento feito pela consultoria Neoway, 16 companhias respondiam por 25% das obras em andamento no país em 2011, e, hoje, e esse número dobrou, chegando a 32.

“No atual cenário, houve maior participação de pequenas e médias construtoras na metragem útil construída em detrimento de grandes empresas conhecidas do mercado. Além disso, nota-se um crescimento das que atuam nos mercados de médio e baixo padrão, além da diversificação do portfólio daquelas que se concentram em médio alto e em alto padrão”, afirma o estudo.

A consultoria destaca ainda que a mineira MRV Engenharia conseguiu se manter na liderança ao longo desse período, seguida pela Direcional e pela Tenda, incorporadoras voltadas para a baixa renda que ocuparam os lugares antes de Rossi Residencial e Cyrella.

Na avaliação de Cristina Della Penna, principal executiva de marketing (CMO, na sigla em inglês) da Neoway, a MRV vem “nadando de braçada” nos últimos anos por ter escolhido o segmento que conseguiu apresentar bons números: o focado em famílias de rendas média e baixa. “As incorporadoras que sentiram mais o impacto da crise foram as com atuação forte em rendas média alta e alta”, diz.

O presidente da MRV, Rafael Menin, explica que a empresa vem liderando o setor há pelo menos quatro anos e que o bom desempenho da companhia é fruto do posicionamento estratégico no mercado imobiliário, focado no segmento econômico e sempre de olho nas tendências do mercado. “A capacidade de compra desse segmento não foi alterada porque ele é mais resiliente à crise do que o de renda média alta”, explica. “O segmento econômico teve uma performance boa durante a crise. Com o emprego retornando e a renda do brasileiro voltando a subir, não há dúvidas de que o mercado vai se recuperar”, resume.

Recuo

O executivo reconhece que, desde 2014, a queda da confiança e o crédito mais escasso fizeram o mercado encolher de 70% a 80%. Segundo ele, para sobreviver à crise, a MRV balanceou os investimentos, focando, principalmente, cidades onde a economia dependia do agronegócio, como no Centro-Oeste do país. “A empresa incrementou os lançamentos onde a demanda era aquecida. E como tinha flexibilidade operacional, por atuar em 148 cidades, adiou investimento onde a demanda caiu, como foi o caso do litoral do Rio”, afirma.

Na visão de Menin, crise traz ônus e bônus. “A MRV continuou investindo em terrenos nos últimos três anos, enquanto a concorrência parou de comprar. Agora temos áreas suficientes para um potencial de venda de R$ 43 bilhões quando sairmos da crise. Vamos estar em uma posição mais confortável para surfar no novo cenário de crescimento”, aposta. A meta dele é lançar 500 mil moradias nos próximos 10 anos.

De acordo com Cristina, da Neoway, o mercado imobiliário está começando a se recuperar depois da confusão dos distratos, quando muitas pessoas acabaram devolvendo as unidades compradas no meio da recessão e, consequentemente, houve forte queda no volume de lançamentos. “O mercado chegou ao fundo do poço e, no próximo ano, voltará a registrar crescimento em torno de 28% após ficar praticamente estável em 2017”, avisa a executiva. “Hoje, a nossa percepção é que, com a crise, o mercado voltou ao patamar de 2004 e 2005. Mas algumas regiões já estão apresentando desenvolvimento. Esse início de recuperação está relacionado com a queda dos distratos e a estabilização do desemprego neste ano”, comenta.

Rosana Hessel e Anna Russi
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