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Economia

Venda de livros despenca no DF

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O mercado de livros enfrenta um momento de dificuldade. Em 2016, as livrarias tiveram queda de 9,2% no faturamento.

As explicações para esse movimento vão desde a crise financeira até a maior disponibilidade de ebooks para os usuários. O diagnóstico do mercado é que as livrarias deverão estar presente em mais locais e não necessariamente com grandes cadeias de lojas, como ocorre atualmente.

O momento ruim é ilustrado pelo anúncio de que a francesa Fnac pretende conseguir um parceiro para as operações no Brasil. A primeira impressão era de que a empresa tinha intenção de encerrar atividades, mas a informação foi desmentida por um comunicado que a operação seria apenas a viabilização de uma parceria para aumentar volume e liquidez.

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O recuo na economia não foi exclusividade dos livros. A recessão anunciada na segunda-feira pelo IBGE foi de 3,6% em 2016. Foi a segunda queda seguida no Produto Interno Bruto (PIB), que em 2015 teve decréscimo de 3,8%. Em apenas uma ocasião, foi registrada recessão de dois anos seguidos, entre 1930 e 1931, quando a bolsa de valores de Nova York despencou.

Na comparação entre os anos de 2015 e 2016, o mercado de livros registrou uma redução de R$ 49 milhões no faturamento. Apesar da queda de 3,1%, a inflação fez os rendimentos do setor terem uma redução real de 9,2%. O volume de publicações vendidas caiu 10,8%. O preço médio dos exemplares subiu de R$ 34,86 para R$ 37,26.

O presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Marcos Pereira da Veiga, acredita que as grandes empresas do setor devem se mobilizar este ano em torno de campanhas publicitárias, para incentivar o consumo a curto prazo. No entanto, a reformulação dos modelos de negócios terá efeito mais duradouro nos resultados do setor. “As grandes cadeias estão repensando seus modelos. Tivemos notícias recentes sobre as dificuldades da Livraria Cultura em manter as lojas em São Paulo e a triste notícia da Fnac.

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Os livreiros nacionais estão enfrentando problemas com o formato de atuação”, afirmou.
Pereira cita exemplos de outros países para ilustrar a possibilidade de conquistar novamente a fatia perdida para os livros digitais. “Nos Estados Unidos e na Inglaterra, tivemos movimentos parecidos em relação a e-books, mas esse movimento se inverteu. Livraria tem que ser experiência de convivência. É algo que já vem sendo feito com cafés, valorizar o convívio. Os leitores precisam se sentir confortáveis e olhar seus pares”, analisou.

Para o presidente da Câmara Brasileira do Livro, Luís Antonio Torelli, além das dificuldades no empreendedorismo no Brasil, a concentração do mercado nas mãos de lojas de grande porte acaba trazendo consequências para o mercado. “Empresas maiores têm maior dificuldade de se adequar às práticas de vendas. As menores conseguem se adequar por serem mais ágeis. Mas também é preciso levar em conta que temos poucos leitores, poucas livrarias, com forte concentração no Sul e no Sudeste”, afirmou.

Melhora na volta às aulas

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Os primeiros meses do ano são tradicionalmente prósperos para o mercado de livros, por causa da volta às aulas. Ainda assim, o setor comemora ligeira melhora nos resultados em relação ao ano passado. Houve aumento de 2,63% no faturamento na comparação entre os meses de janeiro de 2016 e 2017.
Essa melhora, porém, não mexe em questões estruturais, como a expansão das vendas de livros digitais.

Para o publicitário Washington Ribeiro, 26 anos, as edições digitais representam praticidade e variedade. A possibilidade de ter milhares de títulos à disposição coloca os ebooks à frente da das edições físicas.

“Eu moro em um espaço pequeno, o que significa que tenho sempre de pensar em otimização das minhas paredes. Livros, por mais que sejam bonitos, ocupam muito espaço. Nos últimos anos, me desfiz de várias caixas de livros. A não ser que seja algum livro do qual eu seja muito fã ou compre por causa das imagens, das fotos, o kindle me supre em 100% das minhas necessidades”, opinou.

Apesar de também usar o kindle, o jornalista Felipe Vieira Carvalho ainda compra livros. Ele acredita que vale a pena ter exemplares físicos se houver atrativos. “Ainda considero comprar. Se for uma edição especial, com diferencial e bom preço, compensa bastante”, disse. Mesmo considerando os livros digitais mais confortáveis de ler, Felipe acredita que haverá oferta de edições físicas se a demanda crescer. “Os leitores digitais ainda são caros e não atingem todas as camadas da população”, completou.

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Em uma reunião com o ministro da Cultura, Roberto Freire, o presidente da Câmara Brasileira do Livro teve a sinalização de que haverá programas de incentivo ao setor nos próximos meses.

A capacitação para empresários que se interessem em entrar no mercado de livrarias será uma das prioridades e deve chegar ao Sebrae por meio das ações planejadas entre o setor e o Governo Federal.

Daniel Cardozo
Jornal de Brasília

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