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Indústria têxtil aposta em roupa ‘high-tech’

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Nova tecnologia permite que peças mudem de cor, carreguem sensores e até substituam celular

SÃO PAULO – Peças de roupas que mudam de cor, fibras de algodão muito mais resistentes, camisetas que carregam sensores minúsculos capazes de monitorar os sinais vitais ou até substituir o aparelho de celular. Essas são algumas das possibilidades que a integração do grafeno (material derivado do grafite, altamente resistente, leve e condutor de eletricidade) com os tecidos poderão trazer à vida real daqui a alguns anos.

Tido como o material que revolucionará o o setor têxtil – e vários outros, desde os eletrônicos até o aeronáutico, passando pelo de tintas e de baterias -, indústria e universidades investem pesado ao redor do mundo para sair na frente nesta corrida.

No Brasil, a aplicação do grafeno em produtos está sendo liderada pela Universidade Mackenzie, que investiu R$ 20 milhões na construção de um laboratório voltado ao desenvolvimento do seu uso. Chamado MackGraphe, o laboratório que ocupa um dos nove andares do edifício da Universidade Mackenzie em São Paulo trabalha em formas de aplicação do material em peças de roupas na indústria têxtil.

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– O grafeno é um material altamente resistente, super flexível e mais leve que o carbono. Isso, incorporado a vários itens, como o têxtil, por exemplo, traz uma infinidade de possibilidades que nós estamos estudando – diz a cientista Camila Marchetti, uma das cem pesquisadoras que trabalham no MackGraphe.

Outros recursos justificam o otimismo em relação às possibilidades de ficar bem posicionado nesta corrida. O país tem a maior reserva de grafite (de onde se retira o grafeno) mundial e tem a quinta maior industria têxtil do mundo.

A Abit, associação que reúne as empresas do setor têxtil nacional, está engajada no desenvolvimento das inovações junto com o Mackenzie. Fernando Pimentel, presidente da entidade, conta que os cientistas, paralelamente às atividades no laboratório, têm ido conhecer confecções e plantações de algodão ao redor do país para aprofundarem seus conhecimentos.

– Sabemos que temos de inovar e, por isso, temos uma agenda intensa. Entre os temas que investimos está o grafeno, que é uma inovação disruptiva, que vai revolucionar o setor – disse Pimentel ao GLOBO.

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Em parceria com o Senai, a Abit está desenvolvendo também duas unidades de confecção 4.0, de última geração em termos de tecnologia (uma em São Paulo e outra no Rio), que devem entrar em operação ainda este ano e já capacitadas à introdução do grafeno na confecção de roupas.

Hoje, a instituição líder no desenvolvimento de produtos industriais utilizando grafeno é a Universidade de Manchester, na Inglaterra. Lá, estão os dois cientistas que descobriram o material, em 2004, e que ganharam o Nobel de Física em 2010 pelo feito: o holandês Andre Geim e o russo-britânico Konstantin Novoselov.

Em conversa com o GLOBO, James Baker, diretor de Negócios com Grafeno da Universidade de Manchester detalhou:

– O grafeno é 200 vezes mais forte que o aço, um milhão de vezes mais fino que um fio de cabelo, é o material com maior condutibilidade do planeta, é ao mesmo tempo transparente, flexível e impermeável.

No Mackenzie, os focos de pesquisas – encomendadas por grandes empresas, que por razões estratégicas pedem para não serem identificadas – além do segmento têxtil são projetos de embalagens, microeletrônica, sensores, comunicação ótica, energia e baterias. Camila Marchetti, do MackGraphe, destaca o alto potencial de condutibilidade e a baixíssima espessura do grafeno, o que lhe concede a flexibilidade.

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– Um exemplo que damos e que chama muito atenção é a possibilidade de se desenvolver um celular flexível. Ou então baterias que duram vários dias, e que são carregadas em segundos – diz Camila.

No início deste ano, a Universidade de Manchester, lançou na Inglaterra um vestido que muda de cor conforme o usuário inspira e expira. A função verdadeira do vestido é servir como um monitor da respiração de quem o veste, segundo Baker.

O laboratório inglês tem pesquisas nos mesmos setores do MackeGraphe e mais: estuda a inserção de grafeno em tintas, o que possibilitará altíssima resistência às casas, e também em materiais da indústria aeroespacial, podendo emprestar maior flexibilidade a peças como asas de aeronaves.

Agência O Globo

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