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Economia

Após pior pregão do ano, Bolsa tem sessão instável; dólar vale R$ 3,093

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No exterior, mau humor da véspera continua predominando

RIO – Depois de ter sofrido sua maior queda em quase 4 meses na véspera, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tem pregão instável nesta quarta-feira. O índice Ibovespa inverteu o sinal diversas vezes pela manhã, chegando a cair a 0,76%. Agora, a Bolsa sobe 0,58%, aos 63.348 pontos. No exterior, o mau humor predomina nos mercados internacionais, que seguem em queda; internamente, a principal notícia é o recuo do governo na reforma da Previdência. No câmbio, o dólar comercial sobe 0,09% e vale R$ 3,093.

Na noite de terça-feira, em pronunciamento de última hora, o presidente Michel Temer disse que a reforma da Previdência abarcará apenas servidores federais. Caberá aos estados e municípios, segundo ele, a adequação de suas legislações e a realização de normas próprias em relação ao assunto para servidores estaduais e municipais.

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— Em um primeiro momento, parecia uma notícia negativa, mas a verdade é que o mercado já tinha botado a possibilidade de isso acontecer no preço na queda de ontem. Quem tem certa maturidade sabia que algum custo teria que se pago no Congresso. Só que, antes, havia uma grande incerteza sobre qual custo seria esse. Agora, sabe-se o custo. Ele não é irrelevante, mas é conhecido — afirmou Maurício Pedrosa, Pedrosa Consultoria.

Na terça-feira, a Bovespa registrou sua maior queda desde 1º de dezembro nesta terça-feira, despencando 2,93% e voltando a ficar abaixo dos 63 mil pontos (fechou em 62.980). Na mínima da sessão, ela chegou a despencar 3,22%. A Bolsa local acompanhou o mau humor dos mercados americanos, que têm a pior sessão desde a eleição de Donald Trump, em novembro do ano passado, e a desvalorização das commodities, sobretudo pelo tombo de mais de 4% do minério de ferro na China.

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— Quando a Bolsa cai tanto como caiu ontem, acima das perdas do mercado internacional, uma recuperação é natural. O recuo na Previdência foi importante e, claro, terá impacto negativo. Os estados estão vivendo uma situação crítica. Mas se essa for a condição necessária para fazer com que a reforma passe no Congresso sem outras deformações, é um preço que pode ser admitido. O problema é que agora todos esperam que a reforma passe sem que outras condições como essa sejam impostas — afirmou Solange Srour, economista da ARX Investimentos.

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Em nota, a agência de classificação de risco Moody’s afirmou que a mudança na proposta de reforma é negativa mas que há outros itens fundamentais que devem ser o foco.

“Embora a exclusão de estados e municípios da proposta de reforma de Previdência seja um evento negativo para o crédito, a Moody´s está focada na proposta que venha a ser aprovada e implementada”, afirmou a agência, em texto atribuído ao analista de ratings soberanos Samar Maziad. “Medidas como o estabelecimento de uma idade mínima mais elevada e uma nova metodologia para calcular os benefícios são fundamentais para apoiar os esforços de consolidação fiscal do governo.”.

Mas a Moody’s salientou que a exclusão de estados e municípios “é uma oportunidade perdida para facilitar as reformas estruturais dos sistemas previdenciários destas entidades, que são necessárias para reequilibrar os balanços fiscais dos mesmos”, em comentário atribuído ao analista de ratings sub-soberanos Pacco Debonnaire.

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FRIGORÍFICOS TÊM NOVA QUEDA

O destaque positivo do pregão é a Petrobras, cujas ações sobem 3,28% (ON, com voto, a R$ 14,15) e 2,61% (PN, sem voto, por R$ 13,34). Na noite de terça-feira, após o fechamento do mercado, a estatal informou que registrou prejuízo de R$ 14,82 bilhões em 2016, em linha com o esperado pelo mercado. Foi o terceiro ano consecutivo de perdas. Em 2015, o resultado foi negativo em R$ 34,8 bilhões. Mas a estatal apresentou melhoras operacionais em razão da redução dos investimentos e do corte de despesas.

No setor de frigoríficos, diretamente afetado pela operação Carne Fraca da Polícia Federal, as ações registram mais uma dia de queda. No pregão desta quarta, o movimento é mais intenso que o da véspera. A JBS recua 3,43% (R$ 10,39), enquanto a BRF perde 2,37% (R$ 35,00). A Marfrig registra perda de 2,21% (R$ 5,30). O papel do Minerva recua 1,17% (R$ 9,29).

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Hoje, a BRF deu férias coletivas para 1,7 mil funcionários da unidade de produção de suínos da cidade de Toledo, no Paraná. O período de paralisação das atividades será de 15 dias. A empresa informou que o objetivo das férias é modernizar a linha de produção e que a decisão não há qualquer relação com a operação Carne Fraca.

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A Vale, que foi a principal responsável pelo tombo da Bolsa na véspera, hoje sobe 1,20% (ON, a R$ 29,39) e 0,68% (PNA, a R$ 27,83).

Entre os bancos, as ações operam sem direção conjunta. O Banco do Brasil cai 0,81% (R$ 32,23), enquanto o Bradesco PN recua 0,25% (R$ 31,05). O Itaú Unibanco sobe 0,15% (R$ 37,83), e o Santander recua 0,61% (R$ 30,66).

A Cemig, empresa de transmissão e distribuição de energia de Minas Gerais, sofre a maior desvalorização do Ibovespa, caindo 8,94% (R$ 9,14). O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou liminar que ele mesmo havia concedido no final de 2015, permitindo na época que a Cemig continuasse como operadora da hidrelétrica de Jaguara nas condições oficiais do contrato de concessão da usina, encerrado em 2013.

BOLSAS EXTERNAS CAEM

As ações europeias caíram pelo segundo dia, estendendo a desvalorização iniciada na véspera em reação ao mau humor de Wall Street. O índice de referência Stoxx Europe 600 caiu 0,4%. Em Londres, o índice FTSE 100 registrou recuo de 0,73%, o maior desde o fim de janeiro, após o ataque ocorrido no centro de Londres que deixou pelo menos uma pessoa morta próximo ao Parlamento. Em Paris, a perda foi de 0,15%.

Em Wall Street, um depois de registrarem o pior pregão desde a eleição de Donald Trump, os índices Dow Jones e S&P 500 operam mais uma vez com viés de queda, mas em menor magnitude. O Dow Jones cai 0,25%, enquanto o S&P 500 opera estável (queda de 0,04%).

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