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Economia

Sem emprego e devendo crediários, consumidores deixam de pagar água e luz

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Sem o consumo como força motriz para tirar o país da crise, a recuperação da atividade ficará para o próximo ano.

A economia brasileira ainda vai pagar um alto preço pelo endividamento das famílias. Com o desemprego batendo todos os dias à porta de lares, reduzindo o rendimento disponível para pagar débitos, a vida de muitas pessoas deve piorar  ainda mais.
O olhar preocupado de Dalber Motta Nunes, 38 anos, para uma conta de água e outra de luz, ambas em atraso, não deixam dúvidas de que, para ele, o ano não promete grandes mudanças. “Eu não espero melhora alguma. Vou continuar levando uma vida regrada e torcendo para que, ao menos, esses serviços básicos não sejam cortados”, torce, consternado. Há uma justificativa para a apreensão: a falta de emprego. Desde que perdeu o posto de vendedor em uma loja de colchões, em fevereiro de 2014, ele tenta ganhar a vida fazendo bicos como ajudante de pedreiro. Por mês, tira até R$ 1,5 mil. “Isso quando tem muito trabalho”, ressalta. O valor é menos da metade do que recebia há três anos.
Em 2013, estimulado pela oferta de crédito na economia, ele comprou geladeira, sofá e guarda-roupa, tudo dividido para ser pago ao longo de um ano. Afinal, havia se casado e os planos eram os melhores possíveis. “Havíamos feito as contas, e conseguiríamos acomodar as parcelas no orçamento”, afirma Dalber. O baque da perda do emprego, entretanto, jogou pelo ralo a esperança de manter uma vida financeira minimamente estável. Foram pagas somente três prestações dos móveis e eletrodomésticos. As outras nove estão até hoje atrasadas.

Bola de neve

Além das contas de água e luz e das parcelas do carnê em atraso, Dalber também calcula dívidas de R$ 2 mil com cartão de crédito de uma financeira, de outros R$ 600, referentes a um cartão de crédito de um supermercado. Há mais R$ 250 da linha de celular cancelada — dificuldade extra para conseguir trabalho. “As dívidas já fazem parte do drama com que tenho que conviver”, lamenta.
O caso de Dalber exemplifica a realidade da maioria dos lares do país. Em dezembro de 2016, 58,3 milhões de brasileiros estavam na lista de inadimplentes, de acordo com dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Em janeiro, eram 57,6 milhões. Chamam a atenção, sobretudo, os tipos de dívidas em atraso. Não são apenas os débitos com cartão de crédito, cheque especial, carnês e outros tipos de crédito a terem o pagamento preterido pelas famílias. As contas básicas também estão sendo deixadas de lado. No acumulado em 12 meses terminados em dezembro do ano passado, os atrasos das faturas de água e luz subiram 13,62%, aponta o SPC Brasil. No mesmo período de 2015, os calotes subiram 4,79%.

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