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Economia

Devry quer ensinar aos ricos

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A americana DeVry, que possui 110 mil alunos e faturamento no Brasil de R$ 1 bilhão em 2016, foi uma delas.

O número de brasileiros cursando faculdade deu saltos exponenciais nos últimos anos. De acordo com a consultoria Hoper Educação, a quantidade de matrículas no ensino superior aumentou 81% entre 2005 e 2015, alcançando seis milhões de alunos. Programas sociais, como o ProUni e o Fies, foram o grande motor para esses resultados. Não por acaso, diversas empresas de educação surfaram a onda dos incentivos governamentais e passaram a ter receitas bilionárias. A americana DeVry, que possui 110 mil alunos e faturamento no Brasil de R$ 1 bilhão em 2016, foi uma delas.

Mas com as recentes turbulências políticas e econômicas, a empresa decidiu depender cada vez menos do governo. Dona de 12 bandeiras, entre elas Fanor, Damásio, DeVry e Metrocamp, a meta da companhia é focar no aluno de alta renda e de cursos preparatórios, considerados mais resilientes às crises. “Educação não pode ser vista como commodity”, diz Carlos Alberto Degas, presidente da DeVry na América Latina e Ásia. “A nossa intenção é sermos diferenciados da concorrência.”

Outras empresas, como Kroton e Ser Educacional, amealharam milhares de estudantes, porém cobrando mensalidades mais baixas. Degas quer fazer diferente. Por isso, desde 2008, a empresa investiu R$ 1,2 bilhão em aquisições. Entre elas, comprou a Ibmec, focada em economia e administração, e a Damásio, de direito e de cursos preparatórios. Ambas são marcas conceituadas no mercado e com tíquete médio mais elevado. Uma mensalidade na Ibmec pode ultrapassar os R$ 3 mil. “A DeVry atua em um nicho de pessoas que veem educação como investimento e que não deixarão de fazer faculdade”, diz William Klein, presidente da consultoria Hoper, especializada em educação. “Marcas fortes também são mais resilientes.”

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As aquisições dessas bandeiras e a mudança de rumo resultaram em uma grande diminuição de exposição ao Fies. Em dois anos, o índice caiu de 44% para 22%. A meta é continuar reduzindo a exposição com a expansão, principalmente, das duas bandeiras premium. A Ibmec inaugurará seu primeiro campus em São Paulo em março, três meses após o fim do acordo de não competição com Claudio Haddad, antigo dono da instituição e que atua na capital paulista com o Insper. A DeVry também criará cursos de pós-graduação com a marca Ibmec em seus campi espalhados pelo País.

Já no caso da Damásio, a empresa prevê crescer a marca principalmente no ensino à distância e levar os resultados positivos dos seus cursos preparatórios para a internet. Segundo Degas, todos os anos, cerca de 35% dos advogados aprovados no exame da OAB são alunos da Damásio.“Também apresentamos uma alta taxa de aprovação em cursos concorridos, como para a Academia do Barro Branco”, diz Degas. “Depois de tantas aquisições, chegou a hora de nós expandirmos nossos negócios organicamente.”

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