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Economia

Inovações revolucionam sistemas de pagamento em bancos

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Instituições investem no desenvolvimento de sistema digital que promete simplificar transações financeiras, eliminar intermediários e reduzir custos

Antonio Temóteo

Pense em um mundo sem cartórios, em que os contratos, registros de imóveis, de nascimento e de óbito são feitos pela internet. Agora, estenda essa possibilidade para os serviços financeiros. Transferências de recursos para outros países, por exemplo, serão realizadas em instantes, sem a necessidade de intermediários. No mercado financeiro, compra e venda de ações não dependerão de validações e registros de terceiros.

Discussões sobres todas essas possibilidades têm sido cada vez mais comuns em todo o mundo após a criação da tecnologia blockchain, cujo desenvolvimento é atribuído a Satoshi Nakamoto — um personagem desconhecido, provavelmente um pseudônimo criado por um grupo de pesquisadores anônimos. A técnica, que já deu origem à moeda virtual bitcoin, consiste em um banco de dados distribuído, ou seja, com acesso livre. Os usuários fazem operações uns com os outros sem a necessidade de intermediários. As transações são verificadas na rede por mineradores, como são conhecidos os computadores ou sistemas que validam as informações até elas serem registradas em um banco de dados de contabilidade pública.

Desenvolveres de sistemas, startups e diversas empresas viram na tecnologia a possibilidade de acabar com intermediários não só para transferência de recursos, mas para outras atividades. Por isso, têm dedicado tempo e recursos para criar sistemas seguros baseados em blockchain, explica Alex Vieira, vice-presidente da Capgemini, uma provedora internacional de tecnologia.

Vieira detalha que a base da tecnologia é a mesma do bitcoin, em que duas pessoas estão interessadas em firmar um contrato, registrar um bem ou transferir recursos. Em casos normais, as pessoas precisam ir a um banco ou cartório, e muitas não sabem que esses serviços dependem, em muitos casos, de empresas especializadas em registrar as operações. “Com o blockchain, as operações são validadas pelos mineradores, que verificam a autenticidade das informações e as encaminham para um livro razão, que é público”, comenta.

Investimentos

Dessa maneira, todas as operações feitas com base na tecnologia são públicas e podem ser consultadas. Tentativas de fraude são reportadas instantaneamente e, nesse caso, os blocos de dados não são armazenados. “Veremos alguns lançamentos de ferramentas baseadas em blockchain no próximo ano, bem antes do que muitos esperam”, disse ele, que trabalha em alguns projetos ainda sigilosos.

O interesse em usar a tecnologia levou fundos de capital de risco a aportarem US$ 1 bilhão em 2013 para que soluções baseadas em blockchain fossem desenvolvidas. Um grupo de 50 instituições financeiras globais criou um consórcio, chamado R3 CEV, para desenvolver o conceito de contabilidade distribuída para bancos. Fazem parte do grupo empresas como Santander, Bank of America, Citibank e J.P Morgan. Estimativas do Santander apontam que o uso do blockchain pode resultar em uma economia global para os bancos de até US$ 20 bilhões nos próximos seis anos — recursos que deixariam de ser gastos com itens como infraestrutura de pagamentos internacionais, segurança nas operações e tecnologias necessárias ao cumprimento de exigências de entes reguladores.

Modelos

No Brasil, o Banco Central (BC) criou um grupo de trabalho com o objetivo de elaborar estudos sobre inovações tecnológicas digitais relacionadas ao sistema financeiro. Os trabalhos ainda estão na fase inicial e ainda não produziram conclusões. Técnicos do BC participam também de discussões sobre o tema em organismos financeiros internacionais. Apesar de os estudos disponíveis indicarem que a tecnologia pode simplificar processos e reduzir custos em diversas transações, inclusive no mercado de capitais, a autoridade monetária observa que é preciso dar atenção a questões como segurança cibernética, riscos operacionais, escala em aplicações de varejo e privacidade de dados.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também criou um grupo para estudar o assunto. O gerente executivo da Diretoria de Tecnologia do Banco do Brasil, Roberto Zorron, revela que a instituição desenvolve pesquisas sobre o assunto há um ano e meio. Segundo ele, a contabilidade distribuída tem potencial para baratear serviços e melhorar a qualidade do atendimento prestado aos clientes.

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