Vagas de temporários de fim de ano no comércio ainda são promessa

Perspectiva de movimento maior nas lojas não se traduzirá, num primeiro momento, em contratação de trabalhadores. Os empresários têm preferido suspender as demissões

Rodolfo Costa

Ao mesmo tempo em que começa a reforçar os estoques para o Natal, o varejo se prepara para dar início às contratações temporárias. Ninguém espera, porém, um número muito superior ao que se viu em 2015, quando 139 mil trabalhadores foram convocados pelos lojistas. De qualquer forma, os especialistas dizem que, se confirmado um saldo de vagas nesse nível, já será um alívio para o mercado de trabalho, que vive o pior momento desde 2012, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) passou a divulgar a Pnad Contínua.

“Por enquanto, os empresários estão reduzindo as demissões, o que é um ótimo sinal”, disse Roque Pellizzaro Júnior, presidente do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Segundo ele, a ordem é segurar a mão de obra já treinada para ter capacidade de passar bem o Natal. “Está difícil assimilar novos custos, porque o varejista perdeu em volume de vendas e em rentabilidade”, destacou. Para ele, o importante é que os bons ventos voltaram a soprar entre os lojistas e isso pode provocar boas surpresas na contratação de temporários.
No entender do presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun, o pessimismo trazido pela recessão, felizmente, está ficando para trás. “Tenho falado com vários empresários e muitos estão com expectativa bem mais positiva dentro de um cenário mais favorável”, disse. O clima positivo tende a se acentuar agora que se resolveu o impeachment de Dilma Rousseff e o país tem um governo efetivo.

“Acreditamos que, com um governo permanente e reconhecido por uma grande parte da população que exige mudanças, efetivamente passaremos a ter ações concretas para resolver problemas gravíssimos, como o deficit fiscal. Tudo indica que o Congresso aprovará reformas importantes, e isso vai se traduzir em retomada do crescimento”, afirmou Sahyoun. “Como muitos falam, chegamos ao fundo do poço. O que acontecerá a partir de agora é no sentido de retomada do crescimento, e isso passará por um movimento maior dos shoppings centers”, assinalou.

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