UFU integra estudo internacional sobre disseminação do coronavírus no Brasil

Pesquisa foi publicada na revista Science. Mestranda em Uberlândia contribuiu com parte experimental, realizada no Instituto de Medicina Tropical de São Paulo.

Um trabalho sobre o coronavírus feito por pesquisadores de 15 instituições brasileiras, entre elas, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), e britânicas, como a Universidade de Oxford, foi publicado na revista Science na última quinta-feira (23). A revista é uma das referências mundiais em artigos científicos.

Segundo os pesquisadores, se trata do maior estudo de vigilância genômica do SARS-CoV-2 na América Latina, que abordou fatores de transmissão e validou a importância do isolamento social.

A cientista da UFU que integra o estudo é a mestranda Giulia M. Ferreira (foto), vinculada ao Laboratório de Virologia e ao Programa de Pós-Graduação em Imunologia e Parasitologia Aplicadas, do Instituto de Ciências Biomédicas.Veja no fim da matéria as notícias sobre pesquisas da UFU na pandemia.

Conforme divulgou a Universidade em portal oficial, ela contribuiu diretamente com a parte experimental, que foi realizada no Instituto de Medicina Tropical de São Paulo.

Pesquisa

De acordo com o levantamento, o novo coronavírus (SARS-Cov-2) teve mais de 100 introduções diferentes no Brasil, que ocorreram principalmente em cidades que recebem voos internacionais, como Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP).

A maioria (76%) teve origem europeia e passou por uma mutação proteica associada à forma mais grave da Covid-19.

Genoma

Estas informações foram obtidas a partir do sequenciamento de 427 genomas do novo coronavírus, com amostras colhidas de “pacientes positivos” entre os meses de março e abril de 85 municípios brasileiros.

Transmissão

Ainda conforme a pesquisa, os cientistas combinaram dados genômicos, epidemiológicos e de mobilidade humana para investigar a transmissão em diferentes escalas e o impacto das medidas de intervenção não farmacêuticas no controle da epidemia no Brasil.

Isolamento social

Dentre pontos importantes, destaque para a questão do isolamento social e as justificativas científicas. O estudo revelou ele ajudou ajudou a diminuir as taxas de transmissão.

Antes, uma pessoa transmitia o vírus, em média, para outras três. Depois do isolamento, essa média caiu para 1 a 1,6. Porém, a redução não foi suficiente para conter a disseminação do vírus pelo país.

Brasil e Inglaterra

A pesquisa começou com uma atividade do Centro de Genômica e Epidemiologia de Arbovírus entre pesquisadores brasileiros e britânicos e se estendeu a outras instituições. O trabalho foi desenvolvido com o apoio da Fapesp, Fapemig, Faperj, MRC, Wellcome Trust, MCTIC, Finep, Capes, CNPq, INCT.

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