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Quem você quer investigar? Profissão de detetive passa na CCJ do Senado Federal

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A aprovação, pelo Senado Federal, de um projeto regulamentando a profissão de detetive particular, no último dia 15, estimulou cariocas a colocarem para fora sua porção Sherlock Holmes.

Apesar de não terem a mesma habilidade que o personagem da literatura britânica, criado pelo escritor Arthur Conan Doyle, para desvendar mistérios, não faltam a estes investigadores amadores enigmas a serem solucionados.

— Se tivesse de investigar alguém, seria a minha namorada. Ela está em Blumenau há oito meses e diz que é a trabalho, mas eu desconfio de que tenha chifre na história. Vasculhando as redes sociais dela, descobri que passa as madrugadas online no WhatsApp, mas nunca tem tempo para falar comigo — desconfia o tradutor Adriano Rodrigues, de 32 anos, de Campo Grande.

A auxiliar de serviços gerais Nilceia Ferreira, de 44 anos, do Engenho Novo, direcionaria sua lupa para uma colega de trabalho, cujo nome prefere não revelar:

— Acredito que ela se esconda por trás de uma máscara, passe uma imagem que não corresponde à verdade.

A sogra, alvo preferencial da maioria dos genros, está na mira do taxista Paulo Roberto Soares, de 50 anos, morador de São Gonçalo.

— Nem o dinheiro que me empresta ela quer de volta! Acho que há uma segunda intenção por trás da bondade da minha sogra… Talvez seja para me ter nas mãos — acredita.

Atuação delimitada

Nem o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, escapou da mira dos Sherlocks cariocas. O grande mistério a ser ainda desvendado, para o gestor de mídias Thiago Nunes, de 34 anos, morador da Vila da Penha, é o sumiço do político durante a folia:

— Gostaria de saber o que Crivella estava fazendo, de verdade, no carnaval, para não aparecer no Sambódromo sequer para entregar a chave da cidade ao Rei Momo!

O projeto que regulamenta a profissão de detetive particular — que ainda depende da sanção presidencial para entrar em vigor — vai além da simples bisbilhotice da vida alheia pelos Sherlocks amadores. O texto delimita a atuação dos detetives particulares, estabelecendo requisitos para a atividade profissional.

— A regulamentação é importante porque disciplina a atividade e cria mecanismos para tornar a profissão mais séria, além de afastar os aventureiros — afirma Mauro Ricart,especialista na área de Segurança Pública e ex-diretor-geral da Polícia Técnica e Grafotécnica.

Pela proposta, aprovada no Congresso, o detetive particular poderá atuar em investigações de casos familiares, conjugais, de quebra de contrato, de desaparecimento e localização de pessoas ou animais. Ele também pode apurar questões de idoneidade de empregados e violação de obrigações trabalhistas. O limite da atuação se dará quando houver indício de crime, o que cabe à polícia investigar.

Investigação conjugal é a mais solicitada

Para se tornar um detetive particular, além de não poder ter condenação penal, será preciso ter concluído o nível médio e o curso de profissionalização em “atividade de coleta de dados e informações de interesse privado”, com carga de 600 horas. Conhecimentos de direito também devem integrar o currículo. Presidente da Associação Nacional dos Detetives e Investigadores Privados (Anadip), Luiz Gomes acredita que quem já é atuante no mercado sairá prejudicado:

— A regulamentação é importante para a categoria, mas não contempla um requisito de transição para quem já está estabelecido no mercado. Por isso, acho que vai ser vetada.

A Anadip representa 2.600 detetives particulares associados em todo o Brasil, dos quais 800 são do Rio. Mas Gomes estima que o número de profissionais atuantes seja bem maior e que, só em estados como Rio, São Paulo e Minas Gerais, haja mais de 50 mil detetives. Os casos de investigação conjugal representam 60% da demanda, seguidos por pedidos de localização de pessoas desaparecidas e questões familiares com filhos, de acordo com dados da Anadip.

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