Os servidores públicos e o endividamento

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Você é servidor(a) público(a) e se vê nesta situação? É muito mais comum do que imaginamos e passar em concurso nem sempre é motivo de estabilidade financeira! Leia o fabuloso artigo do amigo (e servidor público) Jônatas Bueno e reflita sobre os seus hábitos financeiros! O dia do salário é pra ser comemorado. Não viva para pagar contas! Trace suas metas, entre em ação e alcance seus objetivos!
Abração,
Rafael Rico
Encontre-me no Instagram: @valorizeseusonho

OS SERVIDORES PÚBLICOS E O ENDIVIDAMENTO

É fato conhecido que a maior parte das famílias brasileiras possui algum tipo de prestação ou financiamento, seja para comprar bens duráveis, como smartphones, móveis e eletrodomésticos, para realizar o sonho da casa própria ou do carro do ano ou para fazer a sonhada viagem de férias. O hábito de parcelar compras está enraizado na cultura dos brasileiros. No entanto, a verdade é que quem tem parcelas possui dívidas, mesmo que estas parcelas estejam sendo pagas em dia.

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Dados de pesquisas da CNC (Confederação Nacional do Comércio, Serviços e Turismo) referentes a abril de 2018, mostram que 60,2% das famílias brasileiras estão endividadas, sendo que 25% possuem dívidas em atraso e 10,3% não terão condições de pagar seus compromissos, o que é chamado de superendividamento ou inadimplência.

Ao contrário do que a maioria das pessoas imagina, os servidores públicos também são bastante suscetíveis ao endividamento pois, devido à estabilidade nos cargos e o salário inicial mais alto que na iniciativa privada, acabam por contrair empréstimos sem se preocuparem com as consequências negativas das parcelas assumidas.

Causas e consequências das dívidas

Existe um comportamento comum entre os servidores públicos e que, em geral, possui as seguintes características:

Desde os primeiros dias de trabalho, a pressão social e o crédito facilmente acessível seduzem os servidores pelas “baixas” taxas de juros do crédito pessoal e consignado.

A margem consignável fica completamente comprometida.

Uma vez esgotada a possibilidade de renovação dos consignados, os servidores passam a se endividar por meio de empréstimos pessoais e no cartão de crédito.

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Muitas vezes ocorre o ciclo inverso, no qual ocorre endividamento por meio do cartão de crédito e depois se recorre aos empréstimos pessoais e consignados.

Com todas as fontes de recursos extras esgotadas, em alguns casos sobra muito pouco da renda para os gastos com sua subsistência.

Ao longo da carreira, o padrão de vida e de consumo do servidor acaba se elevando sem que ocorra, necessariamente, aumento de salários, fato agravado pela corrosão do poder de compra devido à inflação. Nesse cenário, os empréstimos assumidos em anos anteriores pressionam o orçamento familiar, fazendo com que novos empréstimos sejam necessários para cobrir a conta corrente no vermelho e a fatura do cartão de crédito.

As consequências desse ciclo são bem conhecidas: desmotivação, baixa produtividade no trabalho, problemas familiares devido à falta de dinheiro, ansiedade, depressão, etc.

É fato que os governos têm sua parcela de culpa na situação econômica do Brasil no atual cenário, mas não é correto transferir ao governo a responsabilidade pelo fracasso na vida financeira pessoal e familiar. Em vez disso, é preciso entender os reais motivos que causaram o endividamento.

A falta de conhecimentos sobre a gestão do dinheiro e sobre as escolhas financeiras ao longo da vida são reflexos de uma cultura moldada por décadas de alta inflação e o baixo incentivo à poupança. A ausência de educação financeira na maior parte das escolas também contribui para os resultados ruins do boletim da vida adulta. Assim, desde que recebem os primeiros salários, as pessoas acabam gastando todos os seus recursos apenas com as despesas do mês e as prestações já assumidas.

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Os bens de maior valor passam a ser adquiridos em 12 vezes “sem” juros, o que possibilita que todos possam comprar praticamente qualquer produto de consumo disponível sem se preocupar com o impacto de todas as prestações assumidas, pensando apenas se a nova prestação “cabe no bolso”. A verdade é que a maioria das famílias sequer faz ideia de quanto gasta por mês, fazendo com que a decisão de compra seja pouco racional em relação à suas condições financeiras.

Tal permissividade em relação às compras parceladas esconde a realidade de que a pessoa pode já não ter condições de comprar o produto desejado naquele momento e ainda deixa de lado a reflexão se a compra é realmente necessária. No caso de produtos relevantes e necessários de maior valor, poderia ter sido feita uma pequena poupança mensal para que a aquisição fosse feita à vista, e com desconto.

O uso indiscriminado do cartão de crédito e do cheque especial faz com que estes produtos financeiros se tornem uma extensão do salário e, quando o valor das faturas já não cabe mais no orçamento, recorre-se aos empréstimos. O resultado desse ciclo mensal é um estilo de vida totalmente incompatível com a própria realidade financeira.

Outro agravante é a ausência de reserva de emergência, que é um valor de cerca de três a seis meses dos gastos mensais da família e que deve ser formada a partir da poupança mensal.  A reserva de emergência seria a fonte de recursos no caso de uma doença de família, reparos não previstos no carro ou na casa e também para bons imprevistos, como ser convidado para ser padrinho de casamento.

O fato é que a maior parte dos servidores públicos possuem o orçamento familiar completamente engessado, sem qualquer margem de manobra em face dos imprevistos.

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Como boa parte da remuneração acaba sendo destinado para pagar juros dos empréstimos e parcelamentos, é praticamente inviável sequer pensar em realizar grandes objetivos e sonhos.

Estes péssimos hábitos resultam em uma vida cujo objetivo maior é pagar as contas e garantir o mínimo para a sobrevivência.

Quebrando o ciclo

Para combater o ciclo do endividamento é necessária uma verdadeira faxina financeira, fazendo um diagnóstico de sua situação atual, identificando despesas desnecessárias e supérfluas e abandonando velhos hábitos em nome de realizar objetivos mais relevantes.

Além de considerar “prestações” e “consignados” palavras proibidas no seu novo vocabulário, é importante substituir a velha forma de resolver problemas por meio do endividamento por uma nova prática: poupar antes de realizar!

Pode parecer clichê dizer que é preciso poupar antes de sair gastando, mas, em geral, as pessoas desconhecem o poder de escolha que adquirem ao possuir o valor total para comprar os bens tão desejados à vista, e com desconto! Isso também significa dizer não a várias promoções, liquidações e ofertas de crédito “irresistíveis”.

A satisfação de não ter dívidas e controlar o próprio orçamento é imensurável pois, ao valorizar o dinheiro que passa pelas suas mãos todos os meses, as escolhas se tornam muito mais conscientes, evitando gastos por impulso e possibilitando margem de manobra em caso de imprevistos.

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Se o dia a dia em “piloto automático” está te levando a tomar escolhas financeiras ruins, é preciso o aprendizado de novos hábitos e uma nova maneira de encarar suas finanças.

É necessário abandonar ou, pelo menos, evitar a todo custo prestações e empréstimos. Que tal adotar a partir de hoje o lema “tolerância zero para as dívidas”?

Jônatas Bueno é Educador e Terapeuta Financeiro pela Metodologia DSOP, membro da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (ABEFIN), Educador Financeiro voluntário do Programa de Prevenção e Tratamento ao Superendividamento do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios – TJDFT e Servidor Público Federal desde 2013. Atua principalmente por meio da Terapia Financeira individual e familiar, com ênfase no atendimento a servidores públicos em situação de endividamento. E-mail: [email protected]

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