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Em entrevista, Eduardo Costa não resiste e dá tapinhas no ‘derriere’ da nossa apresentadora!

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Em entrevista, Eduardo Costa não resiste e dá tapinhas no 'derriere' da nossa apresentadora!

Pâmella Oliveira, bateu um papo super “quente” e descontraído com Eduardo Costa e Leonardo.

Na entrevista exclusiva antes da apresentação do Show Cabaré, os astros conversaram sobre sexualidade, mulheres, bebida e muito mais.

Confira a entrevista completa!

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Destaque

Em Brasília, grupo apoia adolescentes com dificuldades relacionadas à sexualidade e gênero

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Encontros do Grupo da Diversidade ocorrem quinzenalmente, sempre às quartas-feiras à tarde, com duas horas de duração

Lágrimas se misturam a sorrisos. Relatos tristes que são logo afagados por um abraço amigo. Histórias com contextos diferentes, mas com enredos que se assemelham. Assim é a atmosfera do Grupo da Diversidade, que ajuda adolescentes de 12 a 18 anos com dificuldades relacionadas à sexualidade e à identidade de gênero. A atividade é um dos braços do atendimento oferecido a esse público dentro do Adolescentro.

Os encontros ocorrem quinzenalmente, às quartas-feiras à tarde, com duas horas de duração. A reunião é aberta, ou seja, não é preciso marcar consulta ou encaminhamento para participar. Para muitos jovens, é um refúgio para os problemas enfrentados em casa, na escola, na sociedade. Para os profissionais, um método que ajuda a salvar vidas.

Ninguém vem para o Adolescentro porque quer ser homossexual ou transgênero. Mas vem porque, em razão disso, passa por um sofrimento que pode levar à depressão, ideação suicida e automutilação”, observa a psicóloga da unidade, Paula Stein de Melo Sousa.

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No encontro do Grupo da Diversidade, não é difícil encontrar adolescentes com marcas profundas próximas ao pulso e histórias de tentativa de suicídio. “Minha mãe ora aceita minha opção sexual, ora não. Ela me trata diferente, não diz que me ama, me fala palavras duras e isso me machuca muito. Um dia, ela me tratou mal. Para completar, meu irmão veio e me bateu. Saí de casa com a roupa do corpo, descalça, com destino a uma passarela, de onde eu achei que me jogaria. Mas, no caminho, encontrei uma amiga da família que me deu um abraço e me levou para casa”, contou uma das meninas mais falantes do grupo.

Mediação

Além dos adolescentes, participam do grupo uma psicóloga, um médico e uma assistente social, que vão estimulando os jovens a fazerem relatos de suas experiências e avanços no processo de assumir a sexualidade ou a transição de gênero para a família e a sociedade.

O grupo tornou-se o centro deste atendimento, que conta, ainda, com consulta individuais e a participação da família. “A terapêutica a ser usada é avaliada caso a caso, e o adolescente tem participação na escolha do que será feito. Podemos começar conversando só com o adolescente, ou chamar primeiro a família, ou ir direto para o grupo”, destaca Paula Stein.

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Entender o processo e enfrentar tudo sozinho pode ser mais complicado. “É difícil entender o que se passa dentro da gente e mais difícil ainda explicar isso para alguém. À minha volta, as pessoas acham que estou bem, mas eu sei que não estou”, disse um dos participantes, pela primeira vez no grupo.

A resposta da assistente social Ana Miriam, foi enfática: “É possível melhorar sempre e resolver a situação. Procure ajuda. A gente quer trazer a família para conversar, contextualizar. E vocês precisam entender que, para os parentes mais próximos, essas mudanças também não são fáceis e ela precisa entender, assimilar”.

Família

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A compreensão da família, porém, nem sempre é fácil. Que o diga Clarisse (nome fictício), 17 anos, uma menina trans que achava que era gay, mas que, no ano passado, descobriu que gostava mesmo era de usar vestido, salto alto e maquiagem. O pai aceitou numa boa. Já a mãe… “Ela insiste em dizer que sou um menino, me chama pelo meu nome de registro. De tanto ficar mal quando estava com ela, acabei indo morar com meu pai”, conta.

A posição da menina é firme. “Lutei para trocar meu nome civil pelo nome social na escola e fazer com que os professores me chamassem de Clarisse e se referissem a mim como uma menina mesmo. E consegui, inclusive, mudar o comportamento dos meus colegas de sala, que me apoiam e me defendem”, conta a jovem, que pretende estudar artes cênicas e teatro.

Firmeza, aliás, é algo que esses jovens precisam ter. “Depois de muito sofrer, decidi que quero ser feliz e viver”, disse Lucas Miguel Epaminondas, que logo que completou 18 anos, já trocou seus documentos e começou a fazer a transição com tratamento hormonal. “Quatro meses de hormônio e não sou mais confundido com uma mulher e isso é muito bom”, comemora o jovem trans, que já aponta um bigode desejado por outros meninos trans participantes do grupo.

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Chegar à conquista não tem sido fácil. “Meus pais não aceitam. E o pior é que preciso morar com eles. Passo a noite em claro, sofrendo com isso. Mas estou batalhando para mudar. Havia parado de estudar e agora voltei e quero fazer um curso técnico de enfermagem”, conta.

Para ele, a verdadeira família é o Grupo da Diversidade. “Entrei aqui aos 16 anos, quando não entendia a minha vida. Fiquei dois anos sem estudar porque estava em depressão. Aqui consigo me expressar melhor e receber apoio”, conta Lucas. O jovem trans relata que sempre se sentiu diferente das meninas da sua idade, mas a família era conservadora e ele não tinha liberdade para conversar.

“A puberdade foi chegando e eu me olhava no espelho e não me reconhecia. Aos 11 anos eu já sabia o que eu não queria ser”, relembra Lucas.

Atendimento

O Grupo da Diversidade nasceu em 2015. De lá para cá, mais de 200 adolescentes já foram atendidos, sendo 26 em transição de gênero. “

Desde o ano passado, aumentou a procura. No DF, somos o único serviço de saúde que oferece esse atendimento”, conta a psicóloga.

No último encontro, realizado em 13 de março, cerca de 25 jovens participaram da reunião, muitos deles pela primeira vez e convidados por adolescentes que já participam. “Aqui não incentivamos ninguém a mudar a orientação sexual ou de gênero. Oferecemos atendimento profissional, com um grupo formado por médico de família, assistente social e psicólogo. Damos apoio a toda a rede envolvida com a pessoa, como pais e escola”, explica o médico do grupo, Luiz Fernando Marques.

Serviço:

Para ser atendido, o adolescente pode ir, sozinho ou acompanhado por um responsável, ao Adolescentro, de segunda a sexta-feira (exceto terça pela manhã), para acolhimento. É neste acolhimento que será dado o encaminhamento para a melhor terapêutica a ser utilizada.

São atendidos na unidade jovens entre 12 e 17 anos de idade. Ao completar 18 anos, ele é encaminhado ao Ambulatório Trans, localizado no Hospital Dia.

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Anticoncepcional masculino passa em testes iniciais

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A nova pílula foi criada para ser consumida uma vez ao dia, como alguns medicamentos femininos

Cientistas americanos anunciaram nesta terça-feira, 26, que um anticoncepcional masculino passou nos testes iniciais de segurança humana.

A notícia foi divulgada durante o Endocrine 2019, encontro anual médico realizado em Nova Orleans, nos EUA. Pesquisadores da Universidade de Washington e da La BioMed estão liderando os estudos.

Atualmente, as únicas opções contraceptivas para os homens são preservativo ou vasectomia. A nova pílula foi criada para ser consumida uma vez ao dia, como alguns medicamentos femininos, e contém hormônios desenvolvidos para impedir a produção de espermatozoides.

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Apesar do avanço, o anticoncepcional pode demorar mais de uma década para chegar ao mercado, isso se continuar sempre aprovado nos testes
laboratoriais.

A pílula feminina surgiu em 1960 e foi considerada uma revolução no controle de natalidade. Para os homens, o grande desafio dos cientistas é garantir que a diminuição na produção dos espermatozoides não diminua o desejo sexual ou comprometa a ereção.

Mesmo assim, os cientistas de Washington estão muito otimistas de que conseguirão concluir um contraceptivo eficiente, pois 40 homens participaram dessa primeira etapa e os resultados foram promissores.

“Nossos resultados sugerem que esta pílula, que combina duas atividades hormonais em uma, diminuirá a produção de espermatozoides preservando a libido”, afirma Christina Wang, uma das médicas pesquisadoras envolvidas com os estudos.

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Vítimas de feminicídio poupam companheiros e não registram BO

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Estudo da Secretaria de Segurança Pública traça raio-X da violência contra a mulher no DF

A maioria das vítimas de feminicídio no Distrito Federal nunca registrou um Boletim de Ocorrência sobre a violência que sofrida por parte de seus companheiros ou ex-companheiros antes de serem assassinadas.

Apesar dos índices crescentes de violência contra a mulher em todo o Brasil, os autores são poupados e casos de agressões não chegam a ser levados às autoridades policiais.

Divulgado na noite desta segunda-feira (25), um estudo feito pela Câmara Técnica de Monitoramento de Homicídios e Feminicídios da Secretaria de Segurança Pública do DF traça um raio-X da violência doméstica na capital do país.

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De 1º de janeiro a 18 de março deste ano, foram registrados 68 casos de feminicídios consumados. Outros cinco casos estão sendo investigados pela Polícia Civil do DF. O medo de prestar queixa contra o companheiro ainda é um obstáculo para a maioria das mulheres que sofrem violência doméstica. Até perderem a vida, 72,1% dessas assassinadas nunca haviam denunciado seus companheiros por maus-tratos, verbais ou psicológicos.

Sobre os agressores, 54,4% tinham antecedentes criminais. Em 58,8%, havia entre a vítima e o agressor um casamento ou uma união estável, ainda que em 51% das mortes não tenham constado informações de agressões recorrentes. As agressões não registradas em boletins de ocorrência superam o percentual de casos que chegam às delegacias: 60% das mulheres sofrem a violência caladas e se mantêm longe das autoridades policiais.

O feminicídio é um termo de crime de ódio baseado no gênero, ou seja, a perseguição e morte intencional de pessoas do sexo feminino simplesmente por serem mulheres. Alguns estudos afirmam que a expressão é originária de genocídio, que significa o assassinato massivo de um determinado tipo de grupo étnico, racial ou religioso. O assassinato de mulheres é classificado no Brasil como crime hediondo.

Ceilândia

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medida protetiva

Região administrativa mais populosa do Distrito Federal, Ceilândia lidera o número de casos de violência doméstica e assassinato de mulheres: foram 7.448 registrados da primeira modalidade e nove, da segunda. Samambaia, com 3.912 agressões e sete feminicídios, e Planaltina, com 3.549 ocorrências e três mortes, vêm em seguida.

É dentro de casa que a violência contra a mulher mais acontece: 91,2% das agressões tiveram a própria residência da vítima como palco da violência. Brigas conjugais e ciúmes são as causas de 58,8% das agressões fatais a mulheres. Armas brancas, como facas, foram as mais utilizadas contra as vítimas e aparecem como responsáveis por 48,5% dos homicídios, enquanto as armas de fogo são determinantes de 26,5% dos casos.

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Perfil

Donas de casa, com ensino médio completo, pardas e entre 19 e 29 anos de idade, são a maioria das vítimas. A idade média de mulheres assassinadas por homens com quem tinham ou tiveram um relacionamento é de 36 anos. Não há registro de menores de idade mortas por companheiros. A vítima mais velha tinha 61 anos.

Apesar dos sinais de agressões ocorridos durante as relações, 79,4% das mulheres assassinadas pelos companheiros não se encontravam sob medida protetiva. A maioria, 54,7%, também não estava em processo de separação.

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É entre sábado e a madrugada de segunda-feira o período de maior incidência de homicídios: 47% dos casos registrados pela Secretaria de Segurança Pública acontecem nos finais de semana. O anoitecer dá mais coragem ao agressor: é das 18h às 6h da manhã seguinte que são registrados 63,3% dos homicídios contra a mulher.

 

Ciúmes e crime

A assistente social K (nome fictício), de 41 anos, moradora do Guará, tinha o que considerava um “casamento perfeito”. No início da relação, o companheiro, pai e marido exemplar, proporcionava à família uma vida confortável e feliz. Até que ela decidiu estudar e trabalhar fora. As crises veladas de ciúme começam a surgir, bem como perseguições e comparações salariais. A relação durou 16 anos, até que, em 20 de abril de 2017, após uma discussão, o marido, embriagado, a feriu com vários golpes de faca na frente de dois dos quatro filhos.

“Eu não tive um quadro de violência durante meu casamento”, relata K. “Construímos muitas coisas juntos, nunca nos agredimos fisicamente. Tudo aconteceu depois que voltei a estudar. Por ciúmes, ele me vigiava na porta da faculdade e eu não sabia”.

Ela conta que não entendia como agressões as perseguições e os pedidos do marido para largar os estudos. “Eu fiquei desacreditada até que caiu a ficha de que ele estava querendo me matar na frente dos meus filhos”, afirma. “Muitas vezes eles falam que houve agressão porque estava bêbado, não sabia o que estava fazendo, e não é isso. Ele tinha total consciência de tudo que fazia”, lembra.

Mesmo ferida, K. conseguiu se trancar no quarto. A filha saiu para pedir ajuda, e logo os vizinhos vieram em seu socorro. O agressor foi preso em flagrante e ficou detido por oito meses. Atualmente, responde ao processo em liberdade. Apesar de ter contato com todos os filhos, ele é proibido de se aproximar da ex-mulher.

*Colaborou Daniela Brito

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STJ ordena que presa trans seja transferida para presídio feminino

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Decisão é inédita no tribunal superior

O ministro Rogério Schietti, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou hoje (13) a transferência de uma detenta transexual para a ala feminina de um presídio no Rio Grande do Sul, condizente com sua identidade de gênero. A decisão é inédita no tribunal superior.

O pedido havia sido negado duas vezes pela justiça gaúcha, mas foi revertida pelo ministro do STJ após a defesa alegar tratar-se de “indivíduo extremamente vulnerável, o qual está sendo submetido, ao ser mantido junto ao alojamento masculino, a evidente violência psíquica, moral, física e, quiçá, sexual”.

“A paciente está submetida, por falta de espaço próprio, a permanecer no período noturno em alojamento ocupado por presos do sexo masculino, em ambiente, portanto, notória e absolutamente impróprio para quem se identifica e se comporta como transexual feminina”, concordou Schietti.

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O ministro reconheceu não haver espaço específico para abrigar a presa, identificada como Dagmar, em ambiente compatível com sua identidade de gênero, mas ponderou ser preferível que ela seja colocada na ala feminina e “em nenhuma hipótese” na masculina, por ser ambiente “notória e absolutamente impróprio para quem se identifica e se comporta como transexual feminina”.

Ele acrescentou serem evidentes os riscos aos quais a presa trans está exposta, “dada a característica ainda patriarcal e preconceituosa de boa parte de nossa sociedade, agravada pela promiscuidade que caracteriza ambientes carcerários masculinos”.

Rogério Schietti citou o recente voto do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), em que ele se manifestou a favor da criminalização do comportamento homofóbico.

O ministro do STJ também suscitou uma resolução conjunta, de 2014, do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária e do Conselho Nacional de Combate à Discriminação, segundo a qual devem ser oferecidos espaços de vivência específicos às travestis e aos gays privados de liberdade.

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No mês passado, o ministro Luís Roberto Barroso concedeu pedido semelhante feito por outras duas travestis, determinando que fossem transferidas para uma unidade prisional compatível com o gênero com o qual se identificam.

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Mulher de 44 anos tem AVC durante sexo oral

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Ela estava perto de atingir o orgasmo

Uma mulher de 44 anos precisou ser levada às pressas ao hospital após sofrer um derrame cerebral quando chegava perto de atingir o orgasmo durante sexo oral. O caso ocorreu em Isleworth, na Inglaterra.

Os médicos ainda não sabem o que exatamente provocou o acidente vascular cerebral (AVC). No entanto, exames de imagem mostram que um vaso sanguíneo estourou no crânio da mulher.

O parceiro (ou parceira – o sexo não foi revelado) da mulher disse ter percebido quando o corpo dela ficou rígido repentinamente durante o sexo oral. Pouco depois, ela perdeu a consciência.

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A mulher teve alta do hospital após duas semanas internada e não sofreu sequelas.

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Pesquisa aponta que transporte público é ambiente favorável ao assédio

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Foram ouvidas mais de 400 mulheres na cidade de São Paulo

De cada dez mulheres, quatro (40%) avaliam o transporte público como o lugar onde elas mais correm risco de sofrer algum tipo de assédio. Outras 25% já sofreram assédio no transporte coletivo. É o que mostra a Pesquisa Mulher- Viver na Cidade, da Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ibope, divulgada hoje (12), na capital paulista. Para 23% das mulheres, a rua é um local de risco, e 11% temem o assédio em bares e casas noturnas.

A pesquisa entrevistou 416 mulheres de 16 anos ou mais, na cidade de São Paulo, entre os dias 4 a 21 de dezembro de 2018, e constatou que pelo menos 13% já passaram por alguma abordagem desrespeitosa – foi agarrada, beijada ou outra situação sem seu consentimento.

Para o coordenador geral da Rede Nossa São Paulo, Jorge Abrahão, o assédio no transporte público é um problema que está espalhado na sociedade e é importante perceber isso para enfrentar o problema, caso o objetivo seja desenvolver campanhas educativas, ter mais fiscalização, treinar os cobradores e motoristas de ônibus, para ter maior velocidade nesse enfrentamento.

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“O transporte coletivo é o espaço que o assédio mais ocorre porque não temos feito nada para mudar essa situação. Não temos tido nenhuma discussão na sociedade, campanha. A pesquisa mostra que o assédio no transporte público está aumentando, mas acreditamos que está havendo uma consciência maior das mulheres. Podemos supor que esse é um problema grande, que já existe, e cada vez mais, com encorajamento maior, apareça mais isso”, disse.

Enfrentamento

Segundo ele, a sociedade não está mostrando um contraponto com relação ao assédio e é preciso que o poder público enfrente a questão de maneira mais forte. “Esse tipo de postura e enfrentamento nós temos tido pouco. No fundo, isso restringe o direito de ir e vir das mulheres, porque há muitas que deixam de fazer algumas atividades em função desse medo”.

Quando se fala de discriminação e preconceito no ambiente de trabalho, 19% das entrevistadas afirmaram já ter sofrido esse tipo de assédio. Em 2018, esse percentual ficou em 16%. “Isso tem muito a ver ainda com um não reconhecimento da igualdade. Isso acaba aparecendo nos salários. Percebemos que há uma desvalorização e isso, junto com a sociedade machista que temos, acaba gerando essa discriminação e esse preconceito”.

De acordo com Abrahão, as situações que acontecem nos espaços públicos tendem a se reproduzir, nem sempre na mesma dimensão, nos espaços privados. “É evidente que nesses espaços privados as empresas podem atuar fortemente, tendo meios nos quais as pessoas possam denunciar para responsabilizar pessoas. Há caminhos para avançar nisso”, ressaltou.

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Entre as mulheres que sofreram algum tipo de assédio ou preconceito no trabalho, 57% veem o telefone em centrais de atendimento como o canal que mais se sentem a vontade para denunciar. As delegacias da mulher foram apontadas por 48%, aplicativos de celular por 40% e a internet por 26%.

Cuidado com os filhos

filhos

O levantamento também revelou que o percentual de mulheres que não dividem o cuidado dos filhos com outra pessoa aumentou de 27% em 2018 para 33% em 2019. Aquelas que declararam que ficam mais com o filho recuou de 43% para 36%.

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“O que conseguimos perceber é que, se somados esses dois números, temos 70% cuidando sozinhas ou a maioria do tempo dos filhos. Existe a questão de como enfrentar essa divisão de tarefas, que também é um papel que a sociedade pode enfrentar. Muitos países avançam muito na lei da Licença Paternidade. Isso por si só não resolve, mas é um encaminhamento importante em relação à questão cultural que temos que enfrentar”, observou Abrahão.

O pesquisador disse ainda que a pesquisa traz a percepção de que a cidade, que é planejada pelos homens, têm um conceito de urbanização que não considera os diferentes gêneros. “Temos uma cidade com a mobilidade planejada para os homens. O tipo de disponibilidade de transporte público é mais modelado para o ir e voltar do trabalho do que para atender quem necessita cuidar mais de filhos e precisa, por exemplo, de uma frequência maior dos ônibus. Os horários de atendimento dos equipamentos públicos também são planejados somente para quem tem mais flexibilidade”.

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Dia Internacional da Mulher tem marchas por todo o país

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Atos defendem fim da violência e respeito a direitos civis e sexuais

Em pelo menos 45 cidades brasileiras, incluindo 17 capitais, protestos marcam hoje (8) o Dia Internacional da Mulher. Os atos da Marcha Mundial das Mulheres defendem o fim da violência, o respeito aos direitos civis e direitos reprodutivos e sexuais.

As imigrantes e refugiadas, as mulheres com deficiência, a questão da representatividade política, além do respeito aos direitos do público LGBTQIA+ estão entre as bandeiras das manifestações que ocorrerão ao longo do dia. A vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), cujo assassinato completa um ano sem solução no dia 14, será homenageada.

A maior parte da agenda que motiva a mobilização no Brasil coincide com os pleitos que levam às ruas mulheres de outros países nesta data.

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Brasil

No caso brasileiro, o movimento também contesta a reforma da previdência. Ganha destaque ainda a luta pela democracia, pelos direitos dos povos indígenas e por uma educação não sexista, princípios defendidos, no final do mês passado, pela então representante da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), Nadine Gasman, pilares da igualdade de gênero.

Relatórios recentes, produzidos por diferentes fontes, mostram que, embora as bandeiras da marcha sejam idênticas de um ano para o outro, é necessário manter os temas em discussão. De acordo com levantamentos condensados no site Violência contra as Mulheres em Dados, pelo Instituto Patrícia Galvão, a cada minuto, nove mulheres foram vítimas de agressão, em 2018.

Violência

De acordo com informações da segunda edição do estudo Visível e Invisível – A Vitimização de Mulheres no Brasil e do 12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2017, a cada nove minutos, uma mulher sofreu estupro. Além disso, diariamente, 606 casos de lesão corporal dolosa – quando é cometida intencionalmente – enquadraram-se na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006).

medida protetiva

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O elevado número de estupros envolve um outro crime multiplicado na sociedade brasileira: o assédio sexual. Dados de 2015 da organização não governamental (ONG) Think Olga, as brasileiras são sexualmente assediadas, pela primeira vez, aos 9,7 anos de idade, em média.

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Em 2013, a pesquisa Percepção da Sociedade sobre Violência e Assassinatos de Mulheres, elaborada pelo Data Popular Instituto Patrícia Galvão, revelou que quase metade dos homens (43%) acreditava que as agressões físicas contra uma mulher decorrem de provocações dela ao ofensor. A proporção foi menor entre as mulheres: 27%.

De janeiro de 2014 a outubro de 2015, informou a ONG Think Olga, as buscas por palavras como “feminismo” e “empoderamento feminino” cresceram 86,7% e 354,5%, respectivamente.

Mercado de trabalho

A aspiração à justiça econômica também garante a aderência de muitas mulheres às passeatas. De acordo com documento divulgado ontem (7), pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a diferença está presente nos contracheques. A entidade apontou que as mulheres ganham, em média, salário 20% menor que o dos homens.

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O Banco Mundial estimou que a desigualdade de gênero estendida ao ambiente profissional custa ao mundo US$ 160 trilhões. A quantia está relacionada à significativa participação feminina no mercado de trabalho, pois as mulheres representam, no mínimo, 40% da força laborativa em 80 países, de acordo com o Pew Research Center.

Dupla jornada

No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há mais mulheres entre os trabalhadores com ocupações por tempo parcial (até 30 horas semanais) do que homens. Elas são as principais responsáveis pelo cuidado de pessoas e afazeres domésticos, perfazendo, por semana, três horas a mais de trabalho do que os homens. A disparidade salarial chega a ser de 23,5% no país, outro desafio a ser enfrentado.

Para a terapeuta de ThetaHealing Rosana Almeida, deve-se ter cuidado com idealizações do que é ser mulher, sobretudo quando restringem as ambições da população feminina ou enaltecem a imagem da mulher que tudo resolve, porque reforçam estereótipos de gênero.

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“[Isso] é algo imposto a imagem da mulher maravilha, da guerreira: ‘Guerreira, você sustenta a casa. Guerreira, você cria seu filho sozinha.’ Isso é uma coisa que fica imposta, uma pressão que tá aqui ativa, de que você vai ter que lidar sozinha, lutar o tempo inteiro”, disse. “Não que esse processo de conquista seja uma coisa ruim, mas a luta em si o tempo inteiro, essa sobrecarga vai nos deslocando do principal, que é ser mulher”, acrescentou.

Para Rosana Almeida, as mulheres, em geral, têm questionado os papéis que foram historicamente associados a elas. Assim como os homens, que, na sua opinião, têm se mostrado mais propensos a viver de outras formas. “Isso é uma mudança. Há muita coisa ainda imposta, registrada como sendo papel a ser feito. Cada vez mais, as mulheres estão querendo romper com isso ou adoecem, e é inevitável querer mudar.”

Conscientização

Por intermédio de palestras, oficinas e reuniões programadas, as participantes da mobilização Marcha Mundial das Mulheres promoverão ao longo do dia e também durante o ano eventos para discussão. Debate incentivado pelo feminismo asiático põe em pauta a busca pela compreensão sobre mulheres racializadas.

Como esclarecem Caroline Ricca Lee, Gabriela Akemi Shimabuko e Laís Miwa Higa, no livro Explosão Feminista, em um capítulo dedicado ao tema, a vertente asiática do feminismo tem, entre suas pautas, a quebra da tradição do silêncio, tão disseminada nas culturas asiáticas e que contribui para a omissão da violência doméstica.

O objetivo é obter mais reconhecimento de identidades constituídas a partir de processos de divisão e dar mais visibilidade a trajetórias que têm como contexto a Diáspora, a guerra ou a colonização.

Compreender a própria linhagem feminina e o que simboliza essa sucessão pode ser uma experiência rica, na avaliação da terapeuta Kakal Alcântara, idealizadora do método Ciranda Sistêmica, que incorpora princípios da constelação familiar. Segundo ela, algumas participantes dividem a história de suas ascendentes e têm se libertado, como questões relacionadas ao patriarcado.

“É muito interessante perceber como as mulheres têm tido essa, eu até uso essa palavra ‘ousadia’ de olhar lá para atrás e salvar as mães, os relacionamentos das mães, as vidas financeiras das mães, entendendo, de um lugar muito profundo, o tamanho e o lugar de filha”, ressaltou Kakal Alcântara. “Quando elas se percebem nesse lugar, que podem receber e não se sentir endividadas, é como se elas fossem liberadas de poder viver todo o prazer do feminino.

A terapeuta ressaltou que os processos de conhecimento são distintos. “As alianças passam a acontecer não só pela dor, mas, desta vez, pelo pleno exercício de poder escolher fazer diferente e ainda ser abençoada pela ancestralidade, pra poder atuar de um modo diferente.”

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Gata de Fato

Belas da Cidade: Caroline Couto

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Digital influencer supera obesidade e realiza ensaio fotográfico sensual sem retoques

A estudante de direito, Caroline Couto, 25, realizou ensaio fotográfico no Hotel Fazenda Vila Velluti, para mostrar sua transformação, após a campanha de emagrecimento. “Eliminei 23kg em 4 meses, isso é fruto de muita disciplina e acompanhamento de bons profissionais”, conta. Com seus 1,70 de altura e 109 de quadril, Carol mostrou toda sua beleza natural, sem retoques fotográficos.

“Mesmo as estrias que tenho foram mantidas para que eu mostre a real beleza e que cada uma mulher possa se auto avaliar”, Diz Caroline.

Ela lidera grupo de centenas de mulheres que passam por dificuldade de autoestima. Os encontros frequentes entre as mulheres são propícios para trocar experiências e ajudar na luta contra a balança. “Meu objetivo é levar o grupo a nível nacional e internacional ajudando a mudar a vida das pessoas com a minha história e minha motivação”, completa Caroline, do Grupo Divas.

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Confira o ensaio

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Secretaria de Saúde distribui mais de 900 mil preservativos no Carnaval

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Público também teve acesso gratuito a testes rápidos para sífilis e HIV

Até a segunda-feira (4), a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) contabilizou 951.434 preservativos masculinos e femininos distribuídos durante o Carnaval. Além das equipes da própria pasta, ONGs, empresas e outras parcerias governamentais, foram responsáveis por essa grande distribuição. Também 112 mil unidades de gel lubrificante chegaram até às mãos dos foliões do Distrito Federal. Foram realizados 40 testes rápidos para sífilis e outros 40 para HIV no trailer que ficou no estacionamento do Estádio Nacional Mané Garrincha.

“Contamos com a equipe de saúde da Unidade mista do Hospital Dia da Asa Sul, Hospital Regional de Taguatinga e a equipe do Centro de Testagem e Aconselhamento – CTA”, informa ”, a gerente de Vigilância de Infecções Sexualmente Transmissíveis da Subsecretaria de Vigilância à Saúde (SVS) da Secretaria de Saúde, Rosângela Ribeiro. “Foram eles que executaram os testes e fizeram o atendimento dentro do trailer. Tivemos parceria também com os estudantes e residentes de algumas universidades do DF para as ações de campo com a entrega dos preservativos masculinos, femininos e géis lubrificantes”.

Testes gratuitos

Com resultados que ficam prontos em 30 minutos, os testes rápidos para diagnóstico de HIV, sífilis, hepatites B e C são oferecidos, gratuitamente, pela SES-DF. Os exames, que exigem a coleta de apenas uma gota de sangue, são realizados nas unidades básicas de saúde (UBS) e no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), que funciona na Rodoviária do Plano Piloto.

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Dados do último boletim epidemiológico da pasta, produzido em 2018, apontam que o coeficiente de detecção da sífilis adquirida aumentou de 46,7%, em 2016, quando foram registrados 1.389 casos, para 52,2%, em 2017, ano que fechou com 1.588 casos.

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Mesmo tardia, legislação de proteção à mulher no Brasil é avançada

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Especialista vê falhas em prevenção à violência por parte do Estado

Com um texto bem elaborado, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) permitiu que vários tipos de violência contra a mulher fossem denunciados, embora tenha vindo tardiamente, se comparada à legislação instituída em outros países, segundo a pesquisadora Wânia Pasinato. Uma das principais estudiosas do assunto, a socióloga afirmou que o atraso na publicação da lei foi uma espécie de trunfo para o Brasil.

“A Lei Maria da Penha demora, mas vem com uma vantagem: se inspirou no que há de melhor nas outras leis. Traz uma legislação que não é só do âmbito penal, mas que tem também um conjunto de diretrizes para orientar a política pública, que é a Política Nacional para Enfrentamento à Violência contra as Mulheres”, explica.

A Finlândia, por exemplo, desenvolve políticas de prevenção da violência contra a mulher desde 1998. Levantamento do país revelou que mais da metade (53%) das mulheres do país nórdico já foi vítima de violência física a partir dos 15 anos de idade. País onde o índice chega a um quinto (20%) das mulheres, a Áustria instituiu uma lei voltada a proteger as vítimas de violência doméstica em 1997.

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Assessora técnica da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), Wânia lembra que conceber melhoramentos às leis de proteção aos direitos das mulheres levou tempo no Brasil.

“As leis eram muito voltadas à proteção da família, não se tinha um olhar muito cuidadoso para a situação das mulheres, das meninas. Isso começa a mudar a partir dos anos 2000. Revisa-se a legislação e, com isso, passa-se a mostrar que a desigualdade é a causa estruturante dessa violência. Era preciso abranger também a situação das mulheres no ambiente doméstico e familiar”, afirmou.

Falhas

Rio de Janeiro - Protesto no Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher, pelo fim da violência contra as mulheres e contra o PL 5069/13, em frente à Câmara de Vereadores (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Protesto no Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher – Fernando Frazão/Arquivo Agência Brasil

Para a socióloga, as ações do Estado têm falhado, no que tange à prevenção da violência. “A gente aprova lei, muda discurso, mas a gente não consegue fazer com que estados e suas instituições se comprometam. Não consegue criar estruturas novas, fazer com que as instituições mudem seus padrões de comportamento e trabalhem em conjunto com a Justiça, em vez de fazer com que ela [a Justiça] aja sozinha, como se fosse a única entidade capaz de responder ao problema da violência”, disse.

A pesquisadora Ana Paula Portella, especialista há duas décadas na área de gênero, diz que se impressiona, até hoje, com a longevidade do ciclo de violência contra as mulheres.

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“Sempre me impressiono muito com a durabilidade desse ciclo e como, de fato, prende as mulheres. Fica em torno de um conjunto de valores. Quando ele [o companheiro] a agride, dizem que ela não tem motivo para reclamar, que aquilo é o preço que tem que pagar para ter uma família, cuidar dos filhos, ter um marido provedor.”

Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e do Instituto Datafolha mostrou que a violência perpetrada por um parceiro íntimo ainda persiste em todo o país.

De acordo com o estudo Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil, cônjuges cometeram 23,9% das agressões e ex-cônjuges, 15,2%. Também figuram como autores irmãos da vítima (4,9%), amigos (6,3%) e pais (7,2%).

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A vida de quem fica

“Até um tempo atrás, eu falava que o feminismo não me representava. Depois de algumas situações pelas quais eu mesma passei, comecei a abrir meus olhos para isso.” A afirmação é da contadora Bruna Spitzner, prima de Tatiane Spitzner, que foi encontrada morta no dia 22 de julho de 2018.

As suspeitas são de que o marido de Tatiane, o biólogo Luís Felipe Manvailer, a arremessou do 4º andar do prédio onde o casal morava, em Guarapuava, interior do estado. Os indícios são de que ele a arrastou, já sem vida, para dentro do apartamento, tendo fugido em seguida, pela BR-277, onde foi preso por policiais, após adormecer ao volante e perder o controle do carro que dirigia.

Em entrevista realizada no dia em que a ocorrência completava sete meses, Bruna contou, por telefone, como o fato a afetou. “Acho que ninguém precisa passar por isso. Foram registrados muitos casos [de violência contra mulheres]. Precisamos dar muito mais atenção a isso, fazer muito mais alarde. A gente tem que se ajudar, estender a mão uma para a outra. Quando vê uma mulher passando aperto na festa, na rua, tentar perder o medo de se meter, porque geralmente as pessoas não se metem, se calam, fecham os olhos.”

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Segundo a contadora, as reflexões sobre a violência contra mulher surgiram quando ela mesma se viu em uma situação de abuso. “Percebi que era abuso quando consegui sair do relacionamento, percebi que era inferiorizada. Tive depressão pós-parto e, com a ajuda da terapeuta, consegui ver que eu estava num relacionamento abusivo. É muito importante isso, porque, às vezes, a gente não enxerga”, disse a contadora.

As redes sociais, mencionou Bruna, acabaram se tornando um canal para que vítimas compartilhassem com ela suas experiências.

“As pessoas sentem um carinho e vêm comentar, conversar, relatar as coisas por que passaram. Não foi uma nem foram duas mulheres, foram dezenas que disseram que tentaram fazer a denúncia, registrar a ocorrência, que dizem que chegam à delegacia e os policiais falam: ‘Você tem certeza? Foi só um empurrão. Você quer acabar com a vida dele [do agressor]?’. As mulheres estão muito desacreditadas. Faltam profissionais que acolham. Eu penso que a pessoa já passou por um trauma horrível, muitas vezes, por ameaças, e quando chega para denunciar, tiram a vontade, falam que não vai adiantar, que o processo vai ficar parado”, afirmou.

Auto-estima

Rio de Janeiro - Protesto no Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher, pelo fim da violência contra as mulheres e contra o PL 5069/13, em frente à Câmara de Vereadores (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Protesto no Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher – Fernando Frazão/Arquivo Agência Brasil

Para a cientista social Anelise Gregis Estivalet, o amor-próprio é o elemento capaz de preservar a mulher de agressões que vão do plano físico àquelas mais sutis, como restrições no direito de ir e vir. “Se você tem meninas sabendo diferenciar uma conduta normal de uma que agride é um grande passo. Parte disso é a mulher entender que o mais importante é ela amar a si mesma e que ela tem importância”, ponderou a professora.

Segundo Anelise, todo agressor trata a mulher como objeto. “Feminicídio é quando você não vê a mulher enquanto pessoa, e sim como objeto. Uma coisa que pode ser objeto de satisfação, de ciúme e de relação de poder. Muitas mulheres imaginam que, se forem propriedade de alguém, elas vão ser protegidas, e é exatamente o contrário, porque aí dão o direito de que façam com ela o que quiserem”, argumentou.

De acordo com Ana Paula Portella, diferentemente das mulheres que vivem nas cidades, as vítimas da zona rural residem em lugares quase inabitados, o que dificulta a detecção do ciclo de violência por parte de amigos, familiares e pessoas do seu círculo social. Algumas delas, ressaltou, não chegam a ser mortas pelo companheiro, mas ficam mais suscetíveis a crimes como estupro marital.

“Elas podem viver o casamento inteiro com agressões físicas, sexuais, sem que necessariamente leve à morte, mas tem menos possibilidade de sair da situação. Na área urbana, a mulher pode viver o mesmo tipo de abuso, mas tem mais ferramentas, como delegacia, vigilância de amigos, família e colegas de trabalho que podem detectar sinais para que procure ajuda.”

Relacionamento tóxico

Jovens decoram com grafites temáticos os muros do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher em lembrança ao Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Grafites temáticos lembram o Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher – Fernando Frazão/Arquivo Agência Brasil

A Organização das Nações Unidas (ONU) publicou, na última quinta-feira (21), uma lista com cinco recomendações para se adotar na luta contra a desigualdade de gênero.

Entre as maneiras de romper com ciclos de violência, a organização cita a mudança de linguagens que favoreçam a perpetuação de esterótipos de gênero e o compartilhamento do cuidado com a casa.

De acordo com dados do 12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2017, 4.539 mulheres foram assassinadas, taxa que representou um aumento de 6,1% em relação ao ano anterior. Do total de ocorrências, 1.133 foram classificadas como feminicídios.

Ainda foram computados naquele ano 60.018 estupros, crime que apresentou aumento de 8,4% em relação a 2016. Ao todo, houve 221.238 casos de lesão corporal dolosa enquadrados na Lei Maria da Penha, uma média de 606 casos por dia.

AB

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