Um bom uso da Filosofia, hoje!

Precisamos pensar em soluções modernas de Política, política que, sem crenças fundamentalistas, olhem para a população com compromisso de mudanças sociais, deixando de lado a prática da Corrupção do Clientelismo e da exploração das verbas públicas para fins de interesses individuais e grupais

Michel Onafray, filósofo francês contemporâneo, nascido em 1959, na cidade de Argentan, uma da mais importante da Normandia, escreveu em 2006, um livro chamado: “A Sabedoria Trágica – sobre o bom uso de Nietzsche”, traduzido no Brasil por Carla Rodrigues, e editado pela Autêntica. Em seu prefácio sobre a “descrença socialista, crença cristã…”, Onafray escreve: “Compreendo o recurso a Deus pelos homens tratados como sub-homens – mesmo que eu me bata por lhes propor uma verdadeira solução política, a única que vá livrá-lo do pensamento mágico. Estou mais espantado por assistir a esse movimento no pequeno mundo filosófico europeu: descrença do político, crença no religioso”.

Não é só na Europa que acontecem os fenômenos descritos por Onafray, mas também nas Américas, onde assistimos uma retomada do pensamento religioso dentro do movimento político, como se estivesse havendo uma descrença nos homens e a retomada da crença em Deus, em Deuses, como acontecia na Grécia Antiga, no Platonismo, no Luteranismo, no “deus” da Luzes do Iluminismo e hoje nos deuses dos credos fundamentalistas.

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Descrença do político, crença no religioso, afirma o filósofo. O que quer dizer isso? A capacidade política, de cunho humanista, falhou? Será que vamos voltar ao passado e atribuir que nosso destino é divino, ou emitido pelas crenças religiosas, deixando de lado a autonomia humana, o respeito pela capacidade dos homens assumirem suas responsabilidades com a coisa pública, com a República?

Um filósofo, banalizado, agredido e posto de lado inclusive pelos próprios filósofos do século XIX e XX, quando concentra suas ideias sobre a necessidade de resgatar os homens como partícipes e responsáveis pelo bem-estar social, foi Nietzsche, e esse vai ser o tema de resgate de Onafray com seu subtítulo: “Sobre o bom uso de Nietzsche”. Escreve ele, na pag. 22 do seu prefácio: “Para esses combates pós-muro de Berlin, sobre os escombros da Torres Gêmeas, Nietzsche de ser retomado. Essas páginas convidam a isso: ver diretamente a obra e negligenciar a má reputação do filósofo para lê-lo inteiramente, ou relê-lo. Útil para desconstruir a religião cristã e a moral a ela associada, Nietzsche permanece igualmente disponível para as Novas Luzes pós-cristãs. Velhos piedosos, Inquisidores Obscurantistas e Novos Crentes contra Novas Luzes, a velha história continua… Melhor assim!” (Outubro de 2005).

Precisamos pensar em soluções modernas de Política, política que, sem crenças fundamentalistas, olhem para a população com compromisso de mudanças sociais, deixando de lado a prática da Corrupção do Clientelismo e da exploração das verbas públicas para fins de interesses individuais e grupais.

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