A Juventude de Brasília

A Juventude de Brasília

Pois bem, o que marca o jovem brasiliense?

“A juventude está fazendo tudo para desligar a tomada da alma”.
Paulo Mendes Campos, in “Primeiras Leituras-Crônicas”.

Brasília hoje já tem uma população sua, além dos que migraram e dos “estrangeiros” que aqui vieram em busca do poder. Já podemos falar de uma tipologia brasiliense, e aqui me reporto aos jovens, filhos da capital, candangos, um mix de família de todo o Brasil, hoje, adultos jovens, solteiros, casados, pais de filhos, educados nessa cidade onde impera a busca pela condição burguesa capaitalista, salvo uma minoria, todos empenhados na “fantasia” do emprego público, de excelentes salários e de uma aposentadoria que lhe garanta a “felicidade futura”.

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Pois bem, o que marca o jovem brasiliense? Refiro-me ao jovem do Plano Piloto e cidades satélites, hoje, de classe média, que cresceram, estudaram, formaram e hoje vivem num mercado de trabalho estranho. Nem sempre se dedicam às profissões que escolheram, são empenhados no requinte de concursos públicos, pagando salários altos, desviados das suas opções e escolhas profissionais.

São estimulados pelas famílias a se manterem em cargos estaduais e federais onde vivem verdadeiras crises existenciais, pois a ideologia perversa do economês desviou suas almas desconsiderando escolhas afetivas. Outro dia, um jovem advogado de um tribunal da vida queixava-me do vazio que vivia, pois não nasceu para viver “carimbando documentos”, mas iludido pela futura aposentadoria não tinha coragem de se dedicar no que se formou: professor de História.

Crises de pânico, estados depressivos, sentimentos de vacuidade existencial, sintomas psicossomáticos, falta de vida afetiva ( um casamento por interesse de família de político), dedicação intensa ao corpo, às academias, festinhas recheadas de mauricinhos e patricinhas, carro do ano, viagens ao exterior com um salário de fim de ano chegando a cinquenta mil reais. Paulo Mendes Campos em sua crônica —-“Juventude de hoje, ontem e amanhã”, escrita na beleza do seu estilo poético, afirma:

As chamadas virtudes morais desceram ao porão. Inteligência, saber e personalidade só valem, um pouco, quando podem servir de título-legenda a uma figura atraente.

O charme do penteado pode abrir caminho a uma carreira política; o busto perfeito pode criar uma cantora; um par de pernas faz uma atriz dramática; dois olhos verdes podem favorecer uma reputação literária ou artística. Vivemos o fastígio das cores e formas humanas. As gerações novas sofrem ostensivamente dessa conversão de valores”.

Que futuro tem um jovem que trocou uma formação humanista pelo o estudo perverso nas escolas que só ensinam tramas, astúcias, fórmulas, para aquele ser crescente passe no vestibular? E a indústria de cursinhos preparatórios para concursos públicos oferecendo a alucinação de uma sociedade que visa o vil metal em detrimento de sua formação humana, cultural e ética!

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“Mas não é apenas em relação ao outro que o jovem se desliga da verdade humana: ele acaba por si desligar de si mesmo, estancando a todo o custo suas mais profundas manifestações de humanidade.”, acrescenta no querido e saudoso escritor das minas gerais.

O número de suicídios parece aumentar a cada dia; professores universitários começam a criar curso sobre —“Felicidade” — (alguém ensina felicidade nos bancos de aula?); os políticos pensam em criar mais cidades satélites para fins de curral eleitoral; os teatros e casas de cultura, demolidos; a estatística de separações conjugais aumenta; as famílias encorajam seus filhos a serem funcionários públicos para obter altos salários e não para se dedicarem às profissões dos seus sonhos.

Não se pode pensar que nossos jovens estão satisfeitos consigo mesmos e com a vida! As belas formas dos nossos arquitetos não foram suficientes para criar um clima de pessoas afetivas, e sim de jovens perdidos, atônitos, ricos, vazios e como dizia o nosso poeta maior, Carlos Drummond: “é tempo de homens partidos”.

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